sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

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A lenda do Açaí.

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Há muito tempo atrás vivia na região onde viria a ser fundada a grande Capitania de Santa Maria de Belém do Grão Pará, uma tribo indígena numerosa que sofria com um longo período de escassez de alimentos. 

Passando por uma estiagem rigorosa, a terra estava desolada e ressequida por Guaracy, o sol, e as plantações de mandioca, milho e macaxeira estavam lastimavelmente perdidas, pois há várias luas não chovia. A caça esfomeada se havia mudado para outra região. Rios e lagos, quase secos, pareciam estar estéreis de peixes. O tempo se arrastava lentamente e ficava cada vez mais difícil obter comida suficiente para todos.

Esgotadas todas as reservas de mantimentos e tomadas todas as possíveis medidas paliativas, o cacique Itaki, já em desespero, resolveu que todas as crianças nascidas a partir daquele dia teriam que ser sacrificadas para evitar o aumento da população. E nem sua filha, Iaçã, quando deu à luz uma linda menina, escapou da cruel decisão de seu pai e teve o bebê arrancado de seus braços para ser sacrificado.
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 Inconsolável e consumida pela dor e o desespero, Iaçã implorou ao deus Tupã que mostrasse ao cacique outra solução para o problema da fome, que não significasse a morte para os inocentes recém-nascidos.

Certa noite, transcorridas pouco mais de vinte luas, e quando Jaci, a lua nova, prateava as coberturas de palha das ocas e o vento zumbia suavemente por entre as palmas das palmeiras, Iaçã, que ainda pranteava sua filha, ouviu claramente um choro de criança. Aproximou-se lentamente da porta de sua oca e vislumbrou como em um sonho a imagem de sua filha, de pé – sim, era ela, lá estava o sinal de lua crescente em seu ombro direito! - ao pé de uma grande e elegante palmeira que ficava destacada das outras, às margens do igarapé agora quase todo seco.
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Com o coração batendo com força e sufocada de felicidade correu em sua direção e a abraçou, com os olhos cheios de lágrimas. Mas, para sua tristeza, da mesma e misteriosa forma como havia surgido, sua filha desapareceu silenciosamente entre seus braços.

Cedo, na manhã do dia seguinte, algumas pessoas que foram pegar água no igarapé encontraram Iaçã morta, ajoelhada e abraçada, rosto carinhosamente colado ao tronco da palmeira. Em sua face, no entanto, serena, podia-se ver um lindo sorriso de felicidade, enquanto seus olhos se mantinham fixos no alto da palmeira, que estava carregada de cachos com pequenos frutos esféricos, violáceos, quase negros.

Por determinação do cacique Itaki os cachos foram colhidos e debulhados. Com a polpa extraída dos frutos e misturada com água, ele preparou então uma beberagem espessa e avermelhada, com um aroma delicioso, a qual chamou de açaí (Iaçã, de traz para frente), em homenagem a filha morta.

Com este alimento, matou a fome de seu povo e, neste mesmo dia, suspendeu os sacrifícios dos recém-nascidos. Tupã havia atendido as súplicas de Iaçã e surgia assim o açaí e sua reconhecida propriedade de sanar a fome.

E desde então o fruto do açaizeiro é conhecido pelos indígenas da Amazônia como iça-iça, a fruta que chora.
* Adaptada de antigas lendas de tradição oral das ilhas do arquipélago do Marajó.
** Com efeito, etimologicamente, a palavra açaí vem do tupi, ïwasa'i, que significa "fruto que chora". Que também é uma referência à Iaçã.
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O açaí (Euterpe oleracea) ou juçara é o fruto da palmeira conhecida como açaizeiro. É uma espécie nativa da região amazônica, sendo atualmente encontrado desta região  até a Bahia. Sua altura varia de 20 a 25 m, tronco múltiplo (entouceirada), ligeiramente curvo, de 15 a 25 cm de diâmetro. A touceira chega a ter até 25 plantas. As Folhas são grandes, finamente recortadas em tiras, de coloração verde-escura, em número de 10 a 12 contemporâneas, de 2 m de comprimento. Suas Flores são pequenas, agrupadas em grandes cachos pendentes, de coloração amarelada. Os Cachos, em número de 3 a 8 por planta, têm coloração violácea, quase negra quando maduro. A fruta é pequena, arredondada e muito roxa, quase preta, lembrando uma jaboticaba pequena. Tem caroço proporcionalmente grande em relação à polpa. Seu habitat são os locais úmidos da floresta pluvial. Floresce de setembro a janeiro e frutifica de julho a dezembro.

A cabeça ou "palmito" é também muito apreciada, sendo mais utilizada pela indústria de conservas. Os frutos são também avidamente consumidos por várias espécies de pássaros. É palmeira altamente ornamental e muito utilizada em paisagismo na região norte do país. As folhas são usadas para cobertura de casas. As fibras das folhas para tecer chapéus, esteiras e ''rasas'', que são cestas utilizadas como medida-padrão no transporte e comércio da fruta. Os cachos secos são aproveitados como vassouras. Os frutos novos são utilizados no combate aos distúrbios intestinais; as raízes, empregadas como vermífugos; o palmito, em forma de pasta, atua como anti-hemorrágico, quando aplicado após extrações dentárias.
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É um alimento muito importante na dieta dos habitantes do Pará, onde seu consumo remonta aos tempos pré-coloniais. Hoje em dia é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa, com modificações no modo de consumo.

Pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geléias e sorvetes. O fruto é colhido subindo-se na palmeira com o auxílio de uma trançado de folha amarrado aos pés – a peconha.

Para ser consumido, deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e, misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.

A forma tradicional na Amazônia de tomar o açaí é gelado com farinha de mandioca ou tapioca. Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer com peixe assado ou camarão e mesmo os que preferem o suco com açúcar (ainda assim, bem mais grosso que qualquer suco servido no sudeste). As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato. Quando descartadas, servem como adubo orgânico para plantas.
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Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais, o que não é bem visto pelos habitantes da região Norte, que encaram a mistura como um desperdício de açaí.
Posts já publicados no blog sobre o açaí:
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6a Quimioterapia (última?)

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Chegamos Sandrinha e eu  ao Hemocentro, nesta quinta-feira, por volta de 9:00. O mesmo corpo de enfermagem de sempre. A perfusão do Mabthera só começou às 10:20. Cabine 5. Dona Maria de Fátima estava lá prá fazer também o seu último ciclo. Nestes últimos ciclos, basta que eu entre lá no Hemoam prá que eu comece a enjoar.

Tudo correu melhor do que se poderia imaginar. Minha filha, Thati, conseguiu algumas horas pra ficar lá comigo, mesmo sendo fim de mês, quando as coisas complicam às vezes prá ela no trabalho. Levei o laptop e Sandra pode acompanhar os noticiários de que ela gosta com a ajuda de um pen drive que permite receber sinais digitais de TV no PC. 

Lá no Hemoam não tem rede wi-fi (aquela sem fio) e, se tivesse, certamente não seria aberta aos pacientes. A propósito, o custo de instalação de uma rede como essa - mão-de-obra e equipamento - é muito mais baixo do que o de uma rede daquelas com fio, já superadas, e de manutenção muito mais cara. E poderia, se não viesse a ser considerada como um “luxo” desnecessário, ser aberta ao paciente, sem ônus para o Serviço Público, como já acontece há muito tempo em muitos hospitais das redes públicas das grandes capitais.

Soubemos pela Rádio Peão que no dia anterior, quarta-feira, houve um “arrastão” lá no Hemoam: vários caras passaram pela segurança e entraram armados nas alas que prestam atendimento de plantão. Saíram pegando tudo o que viam de valor: bolsas, celulares, jóias, relógios, equipamentos do hospital, e por aí vai. Eu, que reclamara tanto quando tive que transferir de quarta para quinta-feira um compromisso inadiável marcado justamente praquele dia, acabei me sentindo salvo por obra da providência.

Pra encerrar o dia, por volta de 11:00, me apareceu uma auxiliar de enfermagem de outra ala, que eu nunca vira na vida, extremamente “zelosa”, que queria me afogar em soro glicosado. Explico: a planilha médica que tá no meu prontuário estipula a dosagem de duas bolsas de soro fisiológico para terem perfusão distribuída no antes, no durante e no depois da químio. Como a disponibilidade deste soro era limitada ontem, Léo, uma das técnicas, me perguntou se eu concordaria em tomar soro glicosado, já que não sou diabético e não tenho problema de pressão. Mesmo com 9 kg a mais, concordei. O soro serve para hidratação e também para “lavagem da veia” no intervalo entre certos quimioterápicos e no final do ciclo. Coisa de 15 a 20 minutos após a perfusão da última droga ou o término da 2ª bolsa.

Como a enfermeira Gilce tinha que se ausentar, e verificou que a 2ª bolsa de soro estava quase vazia e ainda restavam cerca de 200 ml de ciclofosfamida na perfusão da outra bolsa, trocou a de soro, por medida de segurança. Quando recebi a última gota da ciclofosfamida deixei passar 15 min e pedi à Thati que fosse chamar a tal enfermeira na outra ala. Ela certamente pensou que aquela era ainda a 2ª bolsa de soro e quis me convencer a tomá-la todinha. Como não queria me ouvir acabei me estressando e tive que gritar pra que ela me entendesse.

Permitam-me agradecer a todos os que contribuíram para que eu chegasse até aqui, parentes, amigos (virtuais ou reais), e equipe técnica que me atendeu ou acompanha desde o início de tudo isso, dentre os quais gostaria de destacar: Sandra, minha mulher e companheira de todas as horas; Thati, minha filha e cúmplice de traquinagens; meu irmão, Aldo Guimarães; Dra. Renata, que me deu a maior força desde o início; Dr. Jeancarlo, cirurgião da Fundação CECON; Dr. Nelson Fraiji, hematologista, e Auxiliar de Enfermagem Gilce.

Agora, semana que vem, vou marcar uma consulta particular com o Dr. Nelson (lá no Hemoam é o maior sufoco) e ver se assim ele consegue me dar atenção e tempo para enfim estabelecermos uma relação médico-paciente, atual, saudável, e conversarmos um pouco sobre a minha doença, os próximos passos, pois o que sei até agora sobre ela é genérico e foi pesquisando no Google. Mas o meu tratamento até aqui não poderia ter sido melhor.

Efeito colateral até agora só um pouco de náusea. Tô tirando de letra, rsrsrs.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

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Câncer: Sentença ou Renovação?

eliane_furtado Todos nós vencemos todos os dias. Já parou para pensar nisso? Vencemos problemas cotidianos, superamos nossas frustrações, encaramos o inimaginável. Não nos damos conta, na maioria das vezes, de como somos capazes.

Mas, há também os que não têm chance alguma. Não têm opção de vencer. Morrem em acidentes de carro, são vítimas de covardia e crueldades ou vítimas de diagnósticos errados e tardios. E assim têm a vida interrompida abruptamente pelo imprevisto, pelo inesperado. Sem nenhuma chance. Câncer: sentença ou renovação? Fala dos que ganham uma nova oportunidade de viver e não desperdiçam.

Agarra-se a esta única chance e persistem. Nesta obra, Eliane Furtado compartilha com os leitores sua trajetória de esperanças e angústias desde que recebeu a notícia de um diagnóstico arrebatador: neoplasia maligna no ceco e metástase no fígado. Entre cirurgias e tratamentos, Eliane começou a se dedicar ao registro, em forma de crônicas, de todo turbilhão de sentimentos em que mergulhou a partir deste encontro com o inesperado.

Longe de um discurso piegas, que qualquer doença crônica pode inspirar, ou da construção de uma heroína arrogante, a jornalista esclarece o que é a doença, fala sobre a decisão de enfrentá-la, de sua opção pela vida e sobre a cumplicidade com os profissionais, divide as sensações e fantasias despertadas com o tratamento, evidencia como reencontrar a fé e explora as relações humanas diante do trágico.

Com o apoio de sua equipe médica – composta pelo clínico e cardiologista Flávio Cure Palheiro, o cirurgião Eduardo Linhares e pelo oncologista Daniel Herchenhorn – e com o incentivo de sua psicoterapeuta Maria Teresa Lago, Eliane se lança em mais uma jornada. Decidiu expor sua experiência a fim de inspirar pacientes e familiares que passam por situações similares e talvez até ajudá-los a descartar a opção da Sentença e escolher o caminho da Renovação, da vida e da saúde que todos desejamos.
Nome: Câncer: Sentença ou Renovação?
Autor: Eliana Furtado
Editora: Hama Editora
Sinopse: Oncoguia

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Estou saindo para o Hemoam. Último ciclo de químio. Maior expectativa. Seis meses já se passaram desde o início disso tudo. Vamos a luta.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

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Lodamina: Droga criada a partir de fungo consegue matar câncer de fome.

SP_06_proto-28_a_v Judah Folkman foi um dos maiores especialistas em câncer do mundo, foi o pioneiro revolucionário da chamada antiangiogênese, que tem como estratégia matar o tumor de fome, acabando com todos os vasos sangüíneos que os alimentam. Uma nova droga batizada como “lodamina” criada a partir de um fungo que contaminou acidentalmente um experimento ajudou a aperfeiçoar o trabalho  do falecido Judah Folkman, onde vários cientistas comprovaram a eficácia da nova droga, que poderá ser tomada como uma pílula, provavelmente sem efeitos colaterais.

A droga foi isolada originalmente de um fungo chamado Aspergillus fumigatus fresenius, e aperfeiçoada em um dos últimos trabalhos de Judah Folkman, um dos maiores especialistas em câncer do mundo, que morreu em janeiro de 2008. Um membro de sua equipe, Donald Ingber, da Universidade Harvard, descobriu o fungo por acidente ao tentar cultivar células endoteliais, que revestem a parede dos vasos sangüíneos. O bolor afetou as células de modo a impedir o crescimento de pequenos vasos conhecidos como capilares. Os pesquisadores logo perceberam o potencial antiangiogênico da substância por trás do fenômeno, mas a molécula tinha efeitos colaterais, causando depressão e tonturas. Além disso, não permanecia muito tempo no organismo.

O problema foi resolvido com a ajuda da nanotecnologia, que permite manipular com precisão as características de uma molécula. Os pesquisadores "colaram" dois grupos de átomos na substância original, protegendo-a dos ácidos do estômago. Com isso, a droga alterada conseguiu chegar diretamente às células tumorais, destruindo-as sem efeitos colaterais aparentes.

Este medicamento ainda não está disponível comercialmente em nenhum país do mundo. Ainda estão sendo feitos testes em animais de laboratório – chamados de estudos pré-clínicos. Depois devem ser feitos estudos com pacientes voluntários, e só depois, se os resultados forem bons, o medicamento entra na prática clínica. Os resultados dos primeiros estudos em animais são animadores, mas não são suficientes para que este medicamento seja registrado.

Nos Estados Unidos, já são doze os medicamentos antiangiogênicos aprovados pelos órgãos de controle e mais 23 em diferentes fases de testes clínicos. Dois deles, Tarceva e Avastin, estão prestes a ser liberados no Brasil., onde já estão disponíveis as drogas Bevacizumabe, Sorafenibe e Sunitinibe, todas com efeito antiangiogênico..

Pesquisadores americanos afirmaram que a experiência pode ser amplamente eficaz contra uma gama de tipos de câncer, mas que a população deve ter cautela e tentar entender que o medicamento ainda está em fase de pesquisa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

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Combretastatin: droga tirada de árvore ataca câncer em uma dose.

1-combrestatin Testes com uma nova droga extraída da casca de um salgueiro (uma outra variedade desta árvore fornece também o ácido acetilsalicílico das aspirinas) africano mostraram que ela pode matar até 95% das células de um tumor com apenas uma dose..

A droga, combretastatin, corta o fluxo de sangue para as células cancerígenas, relatou a revista norte-americana "Cancer Research". A pesquisa com o medicamento está sendo realizada no hospital Mount Vernon, em Middlesex (Reino Unido).

"A resposta pode ser dramática. Em alguns tumores, o fluxo sanguíneo é bloqueado em duas horas. Pode ser que tenhamos um novo grupo de drogas", disse o pesquisador Dai Chaplin. A droga, em fase experimental, ataca o centro do tumor, mas as células da periferia continuam vivas. Por isso, se deve combinar a nova terapia com outras.

Os testes em seres humanos com a Combretastatin A4, droga para tratamento de câncer, têm se mostrado muito eficazes e trazem uma nova esperança para quem sofre da doença. A substância corta o fluxo de sangue para os tumores, evitando agir diretamente sobre as células atingidas. Dessa forma, pode-se conseguir bom resultado no tratamento de tipos variados de câncer.

As combrestatinas, em particular o fosfato de combrestatina A4, também vêm sendo testadas em pacientes, descrevendo-se regressão completa em um carcinoma anaplásico e parada de progressão em outro paciente com carcinoma medular metastático, embora tal efeito não tenha ocorrido em outros 2 pacientes com carcinomas anaplásicos e umsegundo paciente com carcinoma medular

Anti-angiogênicos

Combrestatina A-4 fosfato (CA4P) - O alvo principal do medicamento é a vascularização do tumor. Estudos em animais revelaram que o CA4P induz imediata e seletiva supressão da vascularização do tumor através de apoptose das células endoteliais e necrose hemorrágica. Diferenças biológicas entre vasos normais e tumorais explicam a lesão preferencial da droga nestes últimos e desta forma ela é ativa nos vasos tumorais e desprovida dos efeitos colaterais citotóxicos tradicionais. Dowlati usou o CA4P em 25 pacientes com tumores avançados que não responderam a outros tratamentos.

Destes 25, cinco eram tumores tireoidianos (três anaplásicos e dois medulares). Em um dos anaplásicos houve desaparecimento completo do tumor e de suas metástases e um dos medulares ficou estável nos 12 meses seguintes ao tratamento. Mas avaliação mais cuidadosa da toxidez do produto ainda não foi concluída.

domingo, 24 de janeiro de 2010

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Nada é mais certo do que a incerteza.



Certo, certeza, certeiro
Espera, esperar, esperança
A Certeza é a seta que acerta o Alvo,
Certeira;
A Esperança é o alvo, que espera.

Agora já é domingo, quase cinco da manhã. A ansiedade não me deixa dormir direito há uma semana. Terça-feira que vem, depois de amanhã, vou fazer o que foi planejado para ser o último ciclo da quimioterapia. Eu espero muito que seja mesmo. Depois, os exames para ver os resultados de 6 meses de tratamento, de efeitos colaterais, de incertezas, de esperança. A hora da verdade se aproxima e me angustia na plenitude da minha tão humana fragilidade. Nenhuma certeza... Todas as esperanças.

A cidade ainda dorme e apenas um carro solitário de vez em quando quebra o silêncio. Eu me sinto no alto de uma torre, prisioneiro de uma doença que vem mudando a minha vida, a minha cara, o meu corpo, mas, sobretudo, a minha cabeça, minha maneira de encarar o mundo. Que não me deixa planejar minha vida nem pra daqui a um ano, porque não me deixa entrever o futuro, nem o mais imediato, aqui de dentro da prisão existencial onde me encontro.

Hoje, depois de vários meses, passei na loja de conveniência onde costumava reunir com os amigos quase todos os fins de tarde, na saída do trabalho, pra bebericar e bater papo. Pra minha surpresa, tiveram dificuldade em me reconhecer, pois não me viam desde o início disso tudo. – Que foi isso, rapaz?! 

Esse outro, intruso, que com estranheza vejo no espelho, edemaciado pelo uso dos corticóides, corpulento e pálido por não poder tomar sol, sem sobrancelhas, com uma rala população de cabelos agora quase todos brancos parece querer definitivamente tomar o meu lugar, a minha identidade, a minha vida, como nesses filmes non-sense do cinema americano, onde os protagonistas têm que provar que eles são eles.

Sinto a vida em suspenso, como se atravessasse uma frágil ponte sem fim. Peço a Deus que me dê paciência e aumente a minha reserva de forças pra enfrentar o que me aguarda depois dessa curva da estrada.

Como já disseram, nada é mais certo do que a incerteza.

sábado, 23 de janeiro de 2010

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Em que creem os que não creem?


A existência de Deus e a invenção de Deus; os fundamentos da ética e o respeito ao outro; as mulheres e o sacerdócio; a liberdade de escolha e de ação frente aos imperativos religiosos; o aborto; o respeito à vida; a engenheira genética; o apocalipse e a idéia de fim na cultura laica; a existência ou não de uma noção de esperança comum a crentes e não crentes. Esses são alguns dos temas debatidos ao longo de um ano por um dos mais importantes pensadores laicos da atualidade e um cardeal da igreja de Roma - Umberto Eco e Carlo Maria Martini. O resultado desse debate, travado com total liberdade dialética, é uma reflexão sobre os valores fundamentais do homem contemporâneo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

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Sucuuba contra o câncer

Tenho visto na internet, principalmente em fóruns, muita gente interessada em obter informação sobre uma planta da Amazônia, a Sucuuba, usada há muito tempo por aqui no tratamento empírico (ou caseiro) do câncer.
Por via das dúvidas, na falta de estudos determinativos das aplicações e de uma dosagem específica, estou tomando o látex dessa planta desde o terceiro ciclo da quimioterapia, na proporção de uma parte de Sucuuba, duas partes de outro látex aqui da região, o Leite de Amapá (do qual falarei em um próximo post), mais uma parte de mel de abelhas, prá melhorar o sabor amargo da Sucuuba.
Tomo um cálice dos de licor em jejum, mas tenho conhecimento de pessoas que tomam algumas gotas diluídas em água mineral, ou filtrada.
Não seria demais ressaltar (como se pode ver em “Por favor, leia” aí na barra lateral) que este blog tem caráter informativo e não recomenda - nem poderia e nem esta é nossa intenção – nenhum tipo de medicamento ou tratamento, e que o médico deve ser consultado sobre a utilização de qualquer tratamento alternativo.
C
omo as fontes de informação sobre a Sucuuba estão muito dispersas em vários sites na internet, publico agora o resumo da pesquisa que fiz, com a indicação das fontes no final, bem como alguns depoimentos de cura, esperando que sejam de alguma utilidade para aqueles que buscam informações sobre a matéria.

A utilização das raízes, folhas, cascas, talos, sementes, seivas, látex, frutos, flores, enfim, de qualquer produto de origem vegetal no restabelecimento ou na manutenção, ou ainda na prevenção da saúde humana, conhecida como fitoterapia, faz parte da história da humanidade, tendo grande importância no que se refere aos aspectos medicinais e culturais. A referência mais antiga de que se tem conhecimento de seu uso data de mais de sessenta mil anos. As primeiras descobertas foram feitas por estudos arqueológicos em ruínas do Irã. Na China, em 3.000 a.C., já existiam farmacopéias que compilavam as ervas e as suas indicações terapêuticas. 

Este uso milenar das plantas medicinais, muitas vezes indiscriminado e pouco criterioso, também nos tem revelado, juntamente com as pesquisas científicas, que determinadas espécies contêm substâncias potencialmente perigosas e agressivas. E, por esta razão, devem ser utilizadas com cuidado, respeitando seus riscos toxicológicos.

No Brasil, devemos aos índios a existência de uma medicina popular fitoterápica, com contribuições dos negros e dos europeus. O conflito entre as formas de cura alternativa e o saber científico ocorre a partir do momento em que os leigos exercem estas formas alternativas de cura. E este conhecimento é, em geral, desvinculado do saber acadêmico pelo Establishment, sendo então considerado ilegítimo. A medicina oficial, aquela aprendida nas faculdades, apresenta, em geral, uma perspectiva tecnicista, que vê o doente de modo fragmentado, diversamente do que ocorre nas terapias alternativas, que têm uma visão mais abrangente, mais holística do homem.

A Sucuuba, ou Sucuba, ou ainda janaguba (Himatanthus sucuuba) é uma espécie arbórea latescente (produz látex, que é uma suspensão ou emulsão de pequenas partículas em um líquido) encontrada na região amazônica e no Nordeste, cujo tronco é ereto e a casca rugosa. É uma perfumada árvore de grande porte, que, adulta, pode atingir os 25 m de altura, com o tronco variando de 1,5 a 2,0 m de diâmetro. Pode se desenvolver em terra firme ou nas áreas alagadiças da Amazônia, denominadas várzea.

Na medicina popular, principalmente no Norte, o látex e a infusão feita a partir da casca, do caule e das folhas, têm sido utilizados pelo caboclo para tratamento de tumores, furúnculos, edemas, artrites e ainda como vermífugo e laxante.

Como geralmente acontece com a maioria dos produtos da biodiversidade amazônica, os estudos sobre a Sucuuba são escassos, pouco determinativos, e raras as fontes de pesquisa. E por não se tratar de um produto fitoterápico com indicações terapêuticas e posologia devidamente estudadas e aprovadas pelas autoridades reguladoras (Anvisa), naturalmente há controvérsias sobre a quantidade a ser ingerida. Mas, pelo que depreendi desta pesquisa e da minha experiência pessoal, além do depoimento de pessoas aqui da região que consomem o chá, a infusão ou o látex puro ou diluído, por gerações, não existem riscos toxicológicos comprovados, desde que o consumo seja moderado, como deve ser o consumo de qualquer substância medicamentosa, mesmo que natural.

Os raros estudos levados a efeito (vide fontes abaixo) não foram conduzidos com o propósito de determinar a eficácia terapêutica ou farmacológica da Sucuuba no tratamento de alguma enfermidade específica, de acordo com os protocolos oficiais e reguladores, que incluem as várias fases de Ensaios Clínicos. Trata-se, basicamente, de estudos de natureza química, que visavam isolar, ou revelar os grupos de compostos químicos presentes nesta planta.

As análises revelaram a presença de três grandes grupos: os depsídeos, os terpenos e os Iridóides, encontrados principalmente no caule e no látex, compostos pelas substâncias fulvoplumierina, plumericina (de comprovada ação antineoplásica (!), antiflogística e antimicrobiana), isoplumericina, e os ácidos confluêntico e metilperlatólico, estes últimos apontados como os responsáveis pelas atividades antiinflamatória, analgésica e o efeito cicatrizante. Com base em estudos farmacológicos, foi também evidenciada a baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica em ratas, indicando que seu consumo é seguro na espécie humana.

Nomes comuns: agoniada, agonium, anaguba, arapue, bashi pasha, bellaco-caspi, bellaku-caspi, caracucha, caracuchu, caracuchu blanco, ceneiwe, kanraw-muni, mabwa, na'aypere, platanete, platanote, quina-mole, sanago, shipotma, socoba, succuba-verdadeira, suche, sucoba sanago, sucova, sucuba, sucuuba da Amazonia, sucuuba.


Depoimento 1:

“Tenho 4 filhos, e um deles, teve detectado câncer aos 26 anos, ele agora está com 30.
Moramos no Mato Grosso do Sul, ele tinha um tumor na supra-renal de 21 x 22 cm, inoperável no MS, foi encaminhado a SP, no Hospital Sirio Libanês, aos cuidados do Dr. Miguel Srougi, urologista, com certeza um dos 2 melhores do Brasil.
A cirurgia, de quase 8 horas foi abortada, pois meu filho corria risco de vida.
Foram longos 30 dias de internação no HSL, atendido pelos mais conceituados médicos em suas especialidades, e conseguimos salvá-lo.
Ainda internado, iniciou com 8 dias, a quimioterapia, que coisa terrível, e ao término de cada ciclo fazíamos as avaliações da tomografia, e com 90 dias, Dr. Miguel Srougi ligou-me exatamente as 19 h, na data de meu aniversário, para informar que o tumor do meu filho era inoperável.
Na busca incansável de vencer a doença, passei a entender que a nossa única chance seria passar a frente, e saber que caminho tomar, a cada insucesso nas avaliações.
Assim, mandei os filmes de tomografia de meu filho, ao Hospital M.D. Anderson, nos EUA, aos cuidados do Dr. Paulo Hoff, genro dum amigo aqui de Campo Grande MS. Falei com Dr. Paulo Hoff ao telefone, ele pediu que o oncologista do HSL lhe passasse a ficha completa do paciente. Recebi em seguida do oncologista do HSL, o e-mail recebido dos EUA, onde o Dr. Paulo condenava a quimioterapia aplicada no paciente, por ser muito tóxica, e indicando outra.
Passamos a realizar nova quimioterapia, associamos também o uso diário da Sucuuba, este um remédio caseiro, indicado pelos amigos, consiste em 9 gotas duma planta leitosa, diluídos em 2 litros d''água, tomando 3 xícaras de 50 ml ao dia. O tumor do paciente reduziu para 11 x 12 cm, continuava inoperável no Brasil, recebi sinal verde do M.D. Anderson, e fomos aos EUA, onde  meu filho passou por uma grande bateria de exames, consultas, e finalmente, a cirurgia de 10 horas foi um sucesso.
Teve alta com 7 dias, e com 11 dias após a cirurgia retornamos ao Brasil.
Meu filho recusou-se a tomar qualquer medicação após a cirurgia, e 90 dias após foram detectados nódulos no pulmão. Para ajudar, ele tem um câncer raro. Iniciou quimioterapia experimental, que já havia produzido resultado em três pacientes pelo mundo. Terminado o primeiro ciclo, tomografia, e constatou-se que os nódulos permaneciam do mesmo tamanho.
Daí passou a tomar também a Sucuuba no início do segundo ciclo da quimioterapia experimental. Na última visita que fizemos ao oncologista Dr. Paulo Hoff, constatou-se na tomografia, a redução dos nódulos em 35%.
Os filmes da tomografia foram retidos pelo Dr. Paulo Hoff para documentação da pesquisa. Afinal, meu filho é o quarto paciente do mundo a obter resultado com tal quimioterapia experimental. A pesquisa é coordenada pelo M.D. Anderson Hospital, no Texas EUA. Porém ela foi associada à Sucuuba. Da Sucuuba, temos diversos casos, com notícias de cura, de pacientes desenganados pela medicina científica.
Minha mãe está tomando e os nódulos no cérebro sumiram e os que apareceram no pulmão estão diminuindo. Isso faz 3 meses apenas. IMPORTANTE: NADA SUBSTITUI O TRATAMENTO MÉDICO, ela toma a Sucuuba e também faz a quimioterapia.”
(não quis se identificar)
Depoimento 2:

“A planta Sucuuba (ou janaúba, janaguba, pai-leiteiro da Amazônia) é muito usada no Norte do país contra o câncer, entre outras doenças. Meu pai fez uso dessa planta mais de um ano, contra um câncer de intestino. Graça a Deus, hoje ele está bem, após 3 anos. É claro que ele fez todo o tratamento convencional, e eu sempre falo pras pessoas que não se deve abandonar o tratamento, e que a planta é um "reforço". Mas já ouvi muitos casos de pessoas que se curaram fazendo uso dessa planta. Coloca-se 9 gotas do leite que sai do caule em 1 1/2 de água mineral, bate no liquidificador e côa com filtro de papel. É só tomar 3 vezes ao dia, um cálice pequeno. Eu recomendo essa planta!!!”
(Veridiana Souza (verihss@terra.com.br) 07/03/2009)
Depoimento 3:

“Prezada Katia, a sucuuba existe de dois tipos: um, uma árvore de tronco grande e poucas folhas e a outra de vários ramos e muitas folhas. A primeira, da flor e a segunda, não. Tentando ajudá-la posso falar da segunda (muitas folhas) que já curou vários tipos de câncer em minha família como: câncer externo na orelha, câncer na língua e câncer de seio. Vc pode tranquilamente tomar duas gotas extraídas do caule da planta (quebrando-se as extremidades do caule ou tirando a seiva ou arrancando-se uma folha (duas gotas) para dois litros de água. Se a pessoa não tiver problemas digestivos é melhor usar com água mineral com gás, pois o efeito é mais rápido. Mas serve qualquer água potável.
Deve tomar cuidado ao lidar com a planta para não passar as mãos em nenhuma parte do corpo, pois pode provocar forte ardência. Portanto, lave muito bem as mãos com sabão de côco e use uma escovinha de mão para não deixar nenhum resíduo nas mãos. Para uso externo pode ser usado até oito gotas em um litro de água. Cura qualquer corte sem deixar infeccionar e em tempo recorde. Uma vez diluída em água não ha mais perigo do contato com a pele. Não deixe de continuar o tratamento prescrito e a adição das gotas de sucuuba não interfere nos outros remédios. Não há nenhum perigo, pois é só não exagerar na dosagem diária (recomendável 15ml em um copo de água) três vezes ao dia.Tenho tanta confiança nos resultados que minha netinha de 4 anos estava com pneumonia ficou boa tomando duas colheres de café, na mamadeira, duas vezes ao dia.”
(valdemar torres neto, IP: 201.78.174.243).
O site Vamos falar de saúde apresenta mais depoimentos e está disponibilizando gratuitamente a Sucuuba mediante o reembolso do SEDEX após entrega. Ressalto que não os conheço nem nunca fiz nenhum pedido. Quem quiser arriscar....
Post relacionado: Sucuuba contra o câncer II
Atualizado em 02/12/2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

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Nova droga radioativa surpreende no tratamento do linfoma de Hodgkin

droga radioativa
Terapia experimental baseada em anticorpos humanos de pacientes transplantados danifica o tumor e reduz danos às células saudáveis.

Dois terços dos pacientes com linfoma de Hodgkin tratados com uma terapia experimental radioativa de câncer responderam bem, revelam os resultados de fase 1 do ensaio do Centro de Pesquisa do Câncer, do Reino Unido.

Os pesquisadores do ensaio testaram a nova terapia com uma droga experimental chamada CHT25 em 15 pacientes com linfoma, que já não respondiam ao tratamento padrão, a fim de determinar uma dose segura e eficaz.

Os resultados do estudo mostraram que dois terços dos pacientes que receberam uma dose clinicamente relevante da CHT25 tiveram benefício clínico, respondendo de forma total ou parcial ao tratamento. Um paciente permaneceu livre da doença dois anos e meio mais tarde. 

Além disso, surgiram evidências que sugerem que CHT25 também pode beneficiar pessoas com linfoma de célula A.
 
A droga CHT25 é baseada em um tratamento anti-rejeição semelhante ao de transplantados renais. No final de 1990 dois pesquisadores já haviam modificado o anticorpo, ligando-o a um isótopo radioativo. O anticorpo conduz o isótopo radioativo a locais que apresentam tumores e mata seletivamente as células do linfoma.

A parte de anticorpos da CHT25 é muito semelhante a um anticorpo humano e pode ser administrada em tratamentos repetidos com um risco mínimo de reação imune.

O estudo mostrou que a radioatividade foi orientada para seletivamente reduzir as células cancerosas, diminuindo os danos às células saudáveis. Foi também demonstrado que a radioatividade permanece no local do tumor, pelo menos, por quatro dias potencializando o efeito terapêutico ao máximo.

"Há uma necessidade urgente de novos tratamentos para o linfoma de Hodgkin e de célula T em função do número de pacientes que desenvolvem resistência aos medicamentos existentes", avaliou o professor Richard Begent.

Christopher McNamara, hematologista no Royal Free Hospital explicou que o linfoma de Hodgkin é radiossensível e que a droga CHT25 entrega a radiação em pequenas doses, direto no tumor, evitando danos ao tecido saudável que resulta em uma melhor resposta e em menos efeitos colaterais".

"Esta é uma maneira muito diferente de realizar radioterapia. Tradicionalmente pacientes com linfoma de Hodgkin recebem radioterapia externa e esta droga é entregue por via intravenosa, visando a ação direta de drogas para o linfoma".

"Esta nova droga inteligente oferece radioterapia para os tumores de forma orientada, maximizando o dano ao tumor, reduzindo o dano às células saudáveis”, completou o diretor do 

Centro de Pesquisa do Câncer do Reino Unido, Nigel Blackburn.
Fonte: Isaude.net
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Cães & gatos III


Jack Ziegler

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

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Panta Rei - “Tudo Muda”

"No Princípio Deus criou o Céu e a Terra. A Terra, porém, estava vazia e nua, e as Trevas cobriam a face do Abismo; e o Espírito de Deus era levado por cima das Águas.” (Gênesis, cap.1, vers. 1 e 2 , Bíblia)
Khaos, que significa entreabrir-se, abismo insondável, personifica o vazio primordial, anterior a tudo. É o primeiro, pré existe: existia sempre, origina o mundo formal, Kosmos, e com ele coexiste como imensa e inexaurível fonte de energia, e continuará existindo. É onde se dissolverão (de sal) as formas no fim dos tempos, quando tudo voltará ao Khaos.

Estava justamente tentando escrever um post sobre a dicotomia primordial que vem ocupando o pensamento desde antes do surgimento da filosofia ocidental - Khaos e Kosmos, o Não-ser e o Ser, Desordem e Ordem e sobre a transitoriedade de tudo o que é material - quando abri o e-mail que se pode ver a seguir, de uma velha e querida amiga, Denise Vasconcelos, artista plástica aqui de Manaus. Bem, acho que, além de belo, ele se expressa muito melhor do que eu o faria.
TEMPO É ARTE.
PANTA REI = (TUDO MUDA)
Compartilhando a arte e o ensinamento ao desapego
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É um trabalho impressionante dos monges budistas que fazem as mandalas de sal colorido.
Feitas com o maior cuidado e com a maior dedicação, elas são desmanchadas logo depois de prontas para demonstrar a transitoriedade das coisas na vida, mesmo que elas exijam o maior esforço.
Assim é que nós devemos encarar o dia-a-dia. E sempre prontos para começar tudo de novo, se preciso for.
Perca o referencial de vez em quando.
  Saia de sua zona de conforto.
Dê oportunidade ao imprevisível.
Nada é mais certo do que a incerteza.
“Panta Rei" é uma expressão do pensador Heráclito,
que significa TUDO MUDA ( tudo flui, nada persiste ) -
E ele usava como metáfora filosófica a idéia de pisar num rio,
que um milésimo de segundo depois de pisado,
já não era mais feito da mesma água.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

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Regiões do país têm diferentes tipos de câncer

foto113O INCA divulgou um estudo sobre o registro de casos de câncer em todo o Brasil. As formas da doença encontradas mais comumente em cada região do país. Os números foram analisados pelos médicos e transformados em conselhos que podem ajudar os brasileiros a reduzir os riscos de desenvolver tumores malignos. Veja como se prevenir.

Ao contraio do que muita gente acredita, a genética não é a única causa da doença. Pelo contrário, 90% dos casos de câncer estão relacionados a outros fatores de risco. E a maioria deles tem a ver com os nossos hábitos. O nosso jeito de levar a vida é a principal explicação para o aparecimento da doença. E num país com hábitos tão diferentes de Norte a Sul, os tipos de câncer mais comuns variam de região para região.

No Sudeste, o câncer de mama vai ser o de maior incidência entre as mulheres em 2010. E até a vida reprodutiva influencia. A primeira gravidez depois dos 30 anos, a menopausa tardia e o uso de anticoncepcionais são alguns dos fatores de risco comprovados. Para se prevenir: atividade física, alimentação saudável e até a amamentação. “Amamentação é um importante fator de prevenção pras mulheres jovens. Qual é a recomendação, amamentar quantos meses? No mínimo 6 meses”, explicou o coordenador de prevenção do Inca, Cláudio Noronha.

A região Norte é a que terá a maior taxa de câncer de colo de útero do país. “Hoje a gente poderia dizer que 80% das mortes por câncer de colo de útero na Região Norte poderiam ser evitadas se os exames fossem feitos e as pessoas com lesão tratadas precocemente”, explicou o médico do Inca. Aos 45 anos, Sandra, que mora em Belém, nunca ouviu falar no exame preventivo de câncer de colo do útero, o papanicolau. “Com esse nome, não conheço, porque meu estudo é muito pouco, e eu nem sabia nem o que era isso”, disse ela.

E no Nordeste, terra do acarajé, da carne seca, do azeite de dendê? “Eu como e depois eu vejo, lá para frente eu me cuido. O importante é comer o que é gostoso”, disse um homem. A culinária regional, que abusa do sal, pode levar a um câncer de estômago. Mas o maior fator de risco é uma bactéria presente principalmente onde falta saneamento básico, que é o caso de muitas cidades do Nordeste.

E na região Sul, a incidência de câncer de esôfago é duas vezes maior do que no Rio e em São Paulo. O motivo? O bom e velho chimarrão, tradicional na Região Sul.

“A gente toma o chimarrão bem quente para esquentar bem o corpo do gaúcho”, disse um homem. A bebida quente demais pode causar lesões no esôfago. Mas pra prevenir a doença, não é preciso abrir mão da tradição. “Uma simples medida, como no caso dos gaúchos, uma redução de 10ºC na temperatura previne um câncer que não tem solução, infelizmente”, diz o especialista em câncer de esôfago, Luiz Felipe Pinto.
Editado de Globo.com, de matéria publicada em

sábado, 16 de janeiro de 2010

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Lance Armstrong, o fenômeno.

Um fenômeno da natureza. Esta é a opinião do fisiologista Edward Coyle, da Universidade do Texas, que por sete anos acompanhou o ciclista norte-americano Lance Armstrong em seu Laboratório de Performance Humana. Ele chegou à conclusão de que Armstrong – a quem chama de "monstro genético" – tem características diferentes da maior parte dos seres humanos.

O fôlego, a força e a resistência de Armstrong estão acima dos exibidos pela maioria dos atletas. Segundo as estatísticas de Coyle, não mais do que vinte pessoas no mundo teriam força muscular semelhante à do atleta. "Além da técnica perfeita e do preparo físico, ele tem vantagens biológicas em relação aos seus concorrentes".

Aos 25 anos, venceu um câncer nos testículos, pulmão e cérebro. Três anos depois do diagnóstico e um após o fim do tratamento, voltou às pistas de corrida para se consagrar como o maior campeão de todos os tempos na prova ciclística mais tradicional e importante do planeta.

Lance Armstrong é realmente um colecionador de façanhas. Venceu por sete vezes consecutivas uma das competições mais prestigiosas e concorridas do mundo, a ciclística “Tour de France” (Volta da França), tornando-se absoluto em uma competição dominada tradicionalmente por europeus. Na lista das maiores celebridades da revista Forbes, aparece à frente do piloto Michael Schumacher e do jogador de futebol David Beckham, ambos praticantes de esportes muito mais populares internacionalmente.

Seu livro, lançado em junho passado, Lance Armstrong's War, ("A Guerra de Lance Armstrong"), já está entre os mais vendidos nos EUA.

Mas o ciclista não quer mais saber de desafios. E anunciou sua aposentadoria como um dos grandes ídolos esportivos do mundo para ficar mais tempo ao lado dos três filhos (Luke e as gêmeas Grace e Isabelle) e da namorada, a bela e talentosa cantora Folk, Pop e Rock Sheryl Crow (ex backing vocal de Rod Stewart, Eric Clapton e Michael Jackson), que desde o início do namoro acompanhou cada etapa da competição... De carro, of course.

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Câncer, pecado, culpa e castigo.

Algumas semanas depois de me confirmarem o diagnóstico de um câncer linfático no mesentério, recebi de alguém muito próximo, querido, um e-mail - entre tantos outros de solidariedade e de apoio - muito bem intencionado, sem dúvida. Era um desses arquivos PPS ou PPT que apelam para o sentimentalismo barato, que as pessoas recebem e encaminham, às vezes distraidamente, e que insistem em atravancar nossas caixas postais eletrônicas: COMO EVITAR A DOENÇA.

Repleto de preceitos moralistas e pretensamente religiosos, belas fotos de flores, paisagens paradisíacas, imagens de santos prostrados, velas e velhos e óbvios conselhos saudáveis de bem viver conjugados como fórmulas milagrosas, apresentava-se como uma panacéia universal preventiva e infalível a ser aplicada indiscriminadamente a qualquer indivíduo, em qualquer situação para conjurar os riscos e evitar qualquer tipo de enfermidade.

Apesar de suas duvidosas boas intenções, ele me encontrou fragilizado e de certa forma conseguiu despertar em mim um vago sentimento de culpa, quase inconsciente, algo doentio, como se me tivesse subitamente revelado qualquer coisa que me tivesse passado despercebida até então. Na verdade, ranços de uma formação religiosa conservadora e parcialmente preconceituosa.

O moralismo religioso

A noção do pecado associado ao câncer é antiga na maioria das sociedades de cultura ocidental-cristã, podendo despertar sentimento de culpa e assim causar, nas mentalidades mais simples, ainda mais angustia e sofrimento aos infelizes portadores desta enfermidade. E persiste, por incrível que possa parecer, até os nossos dias, mesmo com os progressos da ciência médica no campo da oncologia. Segundo esta noção o pecado é um câncer na vida do homem, que aos poucos o consome e conduz o pecador irremediavelmente para a morte.

Estas meninas são Adna e Jorlay, a indiazinha de etnia Ticuna. Adna vem de fazer um TMO (transplante de medula óssea) autógeno, em São Paulo; Jorlay é minha parceira de químio no Hemoam. Ambas não têm nem oito anos e lutam contra a leucemia, um tipo de câncer sanguíneo. - Qual o pecado delas?

A moralidade pervertida dos teólogos cristãos da Idade Média – atuando sobre as mentes permeáveis dos fiéis ignorantes e supersticiosos – não teve pudores em se utilizar destas “verdades canônicas” para tentar dominar, pelo medo e pelo mito o que julgava ser o pecado da “sensualidade sacrílega” e sujeitar o povo simples, ameaçando-o de pagar com a sífilis, o cancro e a lepra a destemperança do corpo e a falta de virtude do espírito, enquanto os Papas que se sucediam no Trono de Avignon, na França, dissipavam suas energias em orgias homéricas na companhia dos rapazolas e das cortezãs. Quantos deles não teriam morrido de câncer ou de sífilis, não é mesmo?

Não existem doenças mais estigmatizantes que aquelas mencionadas na Bíblia. E se o câncer já fosse conhecido como tal na época em que ela foi escrita, certamente apareceria entre os flagelos enviados contra os pecadores em algumas de suas passagens, como a sífilis e a hanseníase. É inquestionável a contribuição que essa analogia perniciosa e recorrente, que associa pecado, castigo e doença tem dado historicamente para que estas enfermidades estejam entre as mais temidas e discriminadas.

E, no entanto, ironicamente, o mesmo parece não se aplicar aos santos do catolicismo, que, em sua busca fervorosa pela temperança, pelo fortalecimento das virtudes e da fé, consideram sempre as enfermidades, sejam elas quais forem como insignes favores: “Se conhecêssemos o tesouro nelas oculto, aceitá-las-íamos como favores” (São Vicente de Paulo).

São Francisco de Assis estava certa vez acometido de fortes dores. O irmão assistente disse-lhe, compadecido: “Pai, pedi a Deus que vos trate com mais brandura, porque a sua mão parece pesar demais sobre vós”. Ouvindo isto, o santo levantou-se do leito, pôs-se de joelhos, beijou a terra, e, dando graças a Deus, protestou dizendo serem as enfermidades benefícios inapreciáveis. Os exemplos de exaltação das virtudes da doença são demais copiosos e seria impossível colocar ao menos uma parte deles aqui.

Educado no seio de família católica, tomei aulas de Catecismo e fiz a Primeira Comunhão ainda entrando na adolescência. Aos quatorze anos despertou meu interesse pela Bíblia e fiz então minha primeira leitura completa do Velho e do Novo Testamento.

Freqüentava a missa aos domingos na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Belém, mas nunca consegui compreender direito o conceito de pecado tal como a doutrina católico-cristã conservadora ainda inculcava na mente de seus seguidores. Ele sempre me pareceu muito injusto e conflitante com tudo o que havia aprendido de belo, justo e sensato na leitura do Livro Sagrado.
Como conseguir compreender e aceitar, por exemplo, e sem ser injusto, o câncer de Adna e de Jorlay - essas duas meninas inocentes que aqui tomei ao acaso apenas como representantes de milhares de outras crianças que padecem dessa enfermidade - como uma forma severa de punição ou purgação de pecados abomináveis por elas cometidos?

Ao dispensarmos a Adna e a Jorlay o preconceito que se traduz em fria indiferença, discriminação, comiseração afetada, desprezo ou até o escárnio que muitas vezes, inconscientes, acompanham esta percepção absurda e distorcida que associa câncer, pecado, culpa e castigo, por grande parte dos católicos mais conservadores, não estaríamos, nós, a nosso turno, agindo como os verdadeiros agentes executores, os algozes desta punição “divina”? E por que razão, então, se “pecadoras”, não experimentariam elas o mínimo sentimento de culpa por serem portadoras de tal enfermidade?

A explicação é justamente a inocência delas. É que Adna e Jorlay, não tendo ainda desenvolvido que de forma incipiente a capacidade de distinguir entre os conceitos relativos de Bem e de Mal, de Certo e de Errado, simplesmente não se podem sentir culpadas em relação a algo que ainda não estão plenamente aptas para classificar segundo uma escala pessoal de valores morais, religiosos e éticos que a curta trajetória de suas vidas até aqui não lhes deu ainda o tempo necessário, nem o discernimento dialético para elaborar.

E, por conta disso, elas não podem, racionalmente, e nem devem ser culpadas nem por seus pensamentos, nem por suas palavras, nem por seus atos, pois são inimputáveis, até a relativa justiça dos homens o admite. E, se crescerem e forem educadas no ambiente saudável de uma sociedade evoluída culturalmente, nunca se sentirão culpadas por estar doentes, qualquer que seja a doença.

O Peregrino

A dor da perda de meu pai no início dos anos 80 aumentou minha necessidade de buscar compreender minimamente o mistério primordial que nos abisma nos mais recônditos e insondáveis vãos do nosso Ser – Aquilo que intuo como a Causa de todas as Causas. E com o passar dos anos me surgiu o interesse pelo estudo eclético das religiões comparadas e comecei a me enveredar no vasto cipoal hermético da literatura religiosa e filosófica do Oriente e nos sistemas religiosos, judaico e muçulmano. Fui atraído também pelo Espiritualismo, de Alan Kardec, e pela Teosofia, principalmente a Cosmogênese e a Antropogênese esotéricas.

Depois me voltei para as origens da religião cristã, o chamado Cristianismo Primitivo, cultuado entre os Essênios e onde Joshua, (Jesus), o Cristo, desabrochou o lírio de amor e de esperança para a humanidade, do botão que trazia potencializado dentro de si, para dispersar suas pétalas perfumadas de sabedoria pelo mundo, sementes de fraternidade, de compaixão e de harmonia entre os homens.

Continuo buscando até hoje e confesso que continuo não sabendo muito mais do que o pouco que sabia no início. Pois nesta busca, cada porta ao fim de cada longo corredor nos confronta com centenas de novas portas ao fim de novos e intermináveis corredores. E assim, sucessivamente, em progressão geométrica, as portas e os corredores se multiplicam vertiginosamente ao infinito a cada nova porta que conseguimos a muito custo alcançar, e depois abrir a duras penas com muito esforço de nosso pobre e limitado mental concreto.

Mas aprendi que AO MESMO TEMPO EM QUE NÃO SOMOS NADA SOMOS TUDO, PORQUE CADA UM DE NÓS CARREGA INTERNAMENTE A CENTELHA DIVINA. Que Deus não é alienação para o ser humano, ao contrário, é sua plena realização e salvação. Aprendi que a inteligência, a razão e o livre arbítrio, em contraposição à fé cega e dogmática são dons divinos que nos proporcionam os meios e os méritos para conseguirmos a evolução intelectual e mental para um estado de consciência coletiva, cósmica, que supere o egoísmo da consciência limitada pelos valores individualistas.
Aprendi que se colocando como centro da própria vida e se aprisionando pelos liames do materialismo, é que o homem se torna injusto, se aliena e se destrói em absurdo para si mesmo no fechamento do seu ego. Que não encontrando tempo para dedicar ao seu próximo, ao seu irmão, ao seu semelhante, o homem não estará encontrando tempo para si mesmo, pois fazemos, todos, parte de uma unidade indivisível em Deus.

E que o homem só encontra sua verdadeira identidade, sua própria consistência e o sentido de sua existência em Deus, que ele, em seu estágio evolutivo atual ainda pouco mais que embrionário pode apenas intuir, nada mais que isso.

O ponto de mutação

Não aprendi um pouco de Probabilidade nos meus tempos de universidade para ter a presunção idiota de me colocar impossivelmente, em detrimento de meus semelhantes, à margem das estatísticas que antecipam as mazelas deste mundo.

A mim me basta confiar na lei natural de Ação e Reação, que é a mesma que diz que se plantarmos feijão não poderemos colher arroz, e a qual os orientais chamam de Lei de Karma. Ela me parece muito mais justa que a noção simplória do pecado.

Consciente das deficiências inerentes à minha condição humana, estou infinitamente distante de ser um santo, mas também não me sinto nem tão pecador, nem tão culpado, muito menos punido. Antes, sinto que tenho uma oportunidade ímpar de me salvar da mediocridade, de sair do mesmismo, da inércia existencial e me renovar, me inquietar, reavaliar minha condição humana. De ajudar e de me deixar ser ajudado.

De olhar e perceber as maravilhas deste mundo, mas também a dor e o sofrimento sem me tornar insensível a eles.

De tentar me distinguir com humildade na luta honrosa pelos valores maiores da Vida e pela continuidade do amor e do respeito recíprocos pelo meu próximo. Isso é pouco?