quinta-feira, 31 de março de 2011

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Câncer de mama: uso prolongado de tamoxifeno reduz recidiva. Droga é mais eficaz se usada por ao menos cinco anos


Pacientes que enfrentaram o câncer de mama e foram tratados com a droga genérica tamoxifeno durante cinco anos têm menos chances de sofrer uma recidiva da doença do que aqueles medicados por apenas dois anos, concluiu estudo realizado por cientistas do Instituto do Câncer da Universidade Global de Londres. A pesquisa, publicada no Journal of Clinical Oncology, acompanhou 3.500 pacientes durante dez anos. Foi registrada reincidência do câncer em cerca de 40% dos pacientes que usaram o medicamento por cinco anos, ante o reaparecimento de 46% entre os que não usaram.

"Mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial recebem a prescrição do medicamento por cinco anos, mas sabemos que muitas suspendem a medicação depois de dois ou três anos", diz o pesquisador Allan Hackshaw. "Infelizmente nossos resultados sugerem que, ao fazer isso, elas aumentam as chances de voltar a ter a doença."

Utilizado há cerca de 30 anos, o tamoxifeno é amplamente indicado por especialistas como complemento à cirurgia e à quimioterapia. A droga é responsável por reduzir as chances de uma mulher desenvolver câncer de mama ao interferir na atividade do estrogênio no corpo.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o medicamento tem efeitos colaterais, como o aumento de risco de coágulos no sangue, do desenvolvimento de câncer uterino e de catarata. No entanto, os especialistas defendem que os benefícios da droga superam seus eventuais danos.

O câncer de mama mata por ano cerca de 500.00 pessoas em todo o mundo. Anualmente também são diagnosticados 1,3 milhão de casos da doença.

Além de diminuir as chances do retorno do câncer, o tamoxifeno, quando tomado durante cinco anos, também reduziu as chances de problemas cardíacos. Esse efeito foi mais forte em mulheres que enfrentaram o tumor entre 50 e 59 anos de idade. Nesse grupo, os riscos de doenças cardíacas caíram 35%.
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O uso desta droga deve ser avaliado muito seriamente, considerando a relação custo-benefício. É verdade que o tamoxifeno pode apresentar efeitos colaterais, alguns deles bastante sérios.
Entre mil mulheres de 52 anos, o medicamento poderia causar 21 casos adicionais de câncer endometrial - um câncer no revestimento uterino que é tipicamente tratável quando descoberto bem cedo.
Além disso, 21 mulheres desenvolveriam coágulos sanguineos, 31 teriam catarata e 12 desenvolveriam problemas sexuais.
Mais da metade das mulheres desenvolveria ainda sintomas hormonais, como ondas de calor, alterações na descarga vaginal ou menstruação irregular.

Isso é que é solidariedade!
Ann Cross, de 60 anos de idade, foi diagnosticada com a doença em 2000 e se submeteu a um extenso tratamento desde então. No ano passado, seu marido, Paul Cross, de 64 anos de idade, também foi diagnosticado como tendo câncer de mama depois de descobrir um caroço no peito.
Ela conta que foi um ''forte choque'' quando descobriu que seu marido também sofria de câncer de mama, ainda maior do que quando ela foi diagnosticada com a doença. ''Foi um choque. Provavelmente um choque maior, de certa forma, porque pareceu totalmente inesperado.''
Paul Cross afirma que quando descobriu ter um caroço no peito suspeitou que pudesse ser câncer, porque conhecera outro homem que tivera a mesma doença. ''Eu estava no chuveiro num certo dia e achei que havia um pequeno caroço no meu peito. Apalpei e vi que era do tamanho de uma ervilha.''
Algumas semanas após ter sido diagnosticado, ele se submeteu a uma mastectomia. Sua mulher, afirma, lhe deu forte apoio, após ter sido submetida à mesma operação,  ajudando-o no processo de recuperação. ''Depois da operação, Ann foi capaz de me contar algumas coisas sobre como eu iria me sentir.''
O casal tem participado de ações e eventos em prol de uma maior consciência sobre a doença, apoiando entidades que lutam contra o câncer de mama, na cidade britânica de Newcastle. Eles contam que participam desta maneira porque querem dar algo de volta, agora que os dois já superaram a doença.

quarta-feira, 30 de março de 2011

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Demorou mas saiu o resultado do PET Scan

Finalmente chegou ao fim a nossa angústia de não saber exatamente o resultado de seis meses de quimioterapia no tratamento de um linfoma não- Hodgkin, diagnosticado em agosto de 2009. Devido a uma série de fatores impeditivos, ainda não tinha podido passar por este exame de precisão, o PET Scan, e vinha fazendo o controle pós-tratamento através de tomografias computadorizadas convencionais, que não fornecem o grau de exatidão desejado.

Foi uma semana cheia de tensão, aguardando esse resultado, depois de tanto tempo esperando pra fazer esse exame. E como o laboratório não veio entregar o resultado na segunda-feira, como havia prometido, Sandrinha foi até lá, ontem à tarde, e o recebeu. Cheia de ansiedade já foi abrindo os envelopes pelo caminho. (Nesta mesma tarde a mídia anunciava o falecimento de um brasileiro ilustre e exemplar chamado José Alencar).

Por mais que a ansiedade seja grande, não aconselho ninguém a abrir este tipo de exame antes do médico. Ele contém uma gama de informações complexas que podem ser mal interpretadas pelo leigo, gerando angústia, muitas das vezes injustificadas. Passamos a noite sem conseguir dormir, esperando a manhã chegar pra ir correndo ao Hemoam levar o exame para o Dr. Nelson e ouvir a opinião dele.

Mas uma coisa sobressaia do laudo, lá no final, clara e cristalina: “Estudo com PET/CT mostra ausência de sinais compatíveis com atividade da doença de base ou e disseminação”. E eu só precisava que o médico confirmasse a interpretação que eu havia dado a essas palavras. E ele confirmou!

Agora, mais aliviado, vou continuar fazendo os exames de controle a cada três meses.

Agradeço imensamente a todos, amigos, que vêm torcendo por mim esse tempo todo e tendo paciência comigo, com suas palavras gentis e estimulantes, especialmente à minha mulher e à minha filha, que se envolveram tanto em todo esse processo, desde o início, com uma dedicação comovente. Talvez nem imaginem a extensão do papel que este amor tem desempenhado nesta fase da minha vida. Eu também, à minha maneira, amo a todos vocês.

terça-feira, 29 de março de 2011

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Oncofertilidade - Nova área da medicina garante fertilidade após tratamentos de câncer

A oncofertilidade é uma nova subespecialidade da medicina que tem o objetivo de preservar a fertilidade dos pacientes que se submetem a quimio ou radioterapia para tratamento de câncer. Segundo o médico urologista Alberto Stein, a radiação e as drogas utilizadas nestes casos causa danos às células germinativas, podendo provocar a subfertilidade ou infertilidade, que podem ser transitórias ou permanentes.
Diante do diagnóstico de câncer, o desafio é salvar a própria vida. Muitos pacientes, porém, têm outra preocupação: gerar novas vidas no futuro, ter filhos, algo até há pouco tempo impensável para quem se submetia à quimioterapia – remédios que matam as células tumorais, mas que também podem danificar seriamente os sistemas reprodutivos masculino e feminino. Porém, devido à sofisticação das técnicas de fertilização, hoje esses tratamentos não significam esterilidade. Nos Estados Unidos, recentemente, o nascimento de uma menina graças à conservação do sêmen de seu pai, Chris Biblis, congelado há 21 anos, foi um marco desse avanço.
Antes de iniciar sua luta contra a leucemia – tumor que afeta as células sanguíneas – quando ainda era um adolescente, o americano, de 38 anos, guardou os espermatozoides numa clínica de reprodução assistida. Os principais avanços, no entanto, beneficiam mais as mulheres. A extração e conservação dos óvulos é mais delicada, mas cada vez mais possível.
Baseados na eficácia dos métodos, especialistas estão criando um movimento mundial para fazer com que as novidades da fertilização estejam mais disponíveis para os pacientes com câncer. Criaram até um nome para isso: oncofertilidade.
A necessidade de ampliar as opções e o acesso a esses tratamentos tornou-se imperativa. Felizmente, os índices de cura do câncer estão se elevando. Desta maneira, o que se tem hoje é uma grande população de pessoas curadas, jovens, e com a vida pela frente.
O efeito devastador das terapias contra o câncer sobre a fertilidade tem explicação simples: as células tumorais se multiplicam de forma acelerada, e os remédios, em especial os mais antigos, atacam toda célula que mostre o mesmo comportamento. É o caso das células dos ovários e dos testículos, que têm uma multiplicação acelerada para produzir os óvulos e os espermatozoides. Isso as torna alvo dos quimioterápicos também. A chance de perder a fertilidade varia conforme a idade do paciente e a agressividade do tratamento.
Os métodos da reprodução assistida disponíveis possibilitam ao paciente aumentar a chance de proteger seu corpo desse prejuízo. Eles têm como finalidade guardar tecidos e células saudáveis, existentes antes do bombardeio químico de remédios, para usá-los depois. Opções como a maturação de óvulos (a maturidade dessas células é atingida em laboratório) e o congelamento de tecido ovariano ou testicular são oferecidas, embora ainda não mostrem resultados iguais ao congelamento de gametas e embriões.
Já existem também medicamentos capazes de preservar o ovário provocando um estado de menopausa precoce – algo como uma “hibernação”. A vantagem do método é diminuir sua sensibilidade aos quimioterápicos. Com o metabolismo mais baixo e sem produzir óvulos, a divisão celular no órgão diminui. Com isso, há maior possibilidade de ser poupado dos efeitos da medicação. Após a quimioterapia, o medicamento é suspenso e, em alguns casos, a fertilidade é preservada.
A paciente pode tentar a gravidez depois de seis meses, no mínimo, do fim do tratamento contra o câncer. “É preciso esperar esse tempo porque há chance de resíduos do medicamento causarem má-formação no bebê e de reincidência do câncer”, explica o médico Artur Dzik, da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Em casos de câncer com forte caráter hereditário, é aconselhável marcar consulta com um geneticista. Ele pode ajudar o casal a avaliar as chances de os filhos sofrerem o mesmo problema e decidir sobre a gravidez.
O promotor de justiça carioca Claucio Cardoso da Conceição seguiu todos os passos para vencer o câncer e conseguir aumentar a família. Ele teve sua paternidade garantida com o congelamento do sêmen, antes de fazer a cirurgia para retirada de um tumor no intestino, há três anos. “Tinha mil planos e eles não foram adiados por causa da doença.” Um desses planos tem o nome de Natália, e nasceu há dois anos: é a filha de Cardoso e sua mulher, Letícia. E pode ser que Natália ganhe um irmão ainda este ano fruto do mesmo material que o pai mantém em laboratório.
Condensado de matéria publicada em istoe.com
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O bravo guerreiro José Alencar nos deixou hoje, no início da tarde, mas deixou para quem precisa um exemplo poderoso de coragem, temperança, fé e simplicidade diante das agruras que a vida imperiosa lhe impôs. Dentre as frases de sua autoria que a imprensa lembra hoje, gosto especialmente de: “Onde está a coragem, para um cidadão que não tem alternativa? Não tenho medo da morte. Não sei o que é a morte. Você tem que ter medo da desonra, isso, sim mata você”.

sexta-feira, 25 de março de 2011

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Mas que mundo maravilhoso!!

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esculpem o trocadilho infame, mas, ficar falando só de doença o tempo todo me parece um pouco ... doentil, não é mesmo? É por isso que de vez em quando gosto de postar algo, digamos, dissipativo das cruezas desta realidade mais imediata.

E nem sempre, como dizem os filósofos de botequim (sem preconceitos, é claro, de vez em quando estou entre eles), se um é bom, dois é melhor ainda. No mundo da música, por exemplo, tenho visto duetos que poderiam muito bem ter sido piedosamente evitados. Mas também não faltam exemplos que mostram encontros fantásticos.

Neste dueto, cantando What a Wonderful World, de Louis Armstrong, unidas pelo milagre da mais atual tecnologia de mixagem de áudio e vídeo, duas de minhas cantoras prediletas, Eva Cassidy, já falecida, e Katie Melua. Adoro este blues com a Eva, mas cantando com a Katie achei ainda mais emocionante, além de representar ainda um tributo, por Katie, da influência recebida de Eva.

Em 1991, a cantora Natalie Cole inaugurou este tipo de montagem, gravando o tema "Unforgettable", cantando em dueto com o pai já falecido, o cantor e pianista Nat King Cole, uma mixagem tecnicamente perfeita a partir da gravação original feita por Nat no início dos anos 50. Desde então algumas outras foram feitas. Curta este vídeo aqui.

Eva Marie Cassidy (02/02/1963 em Washington, DC a 02/11/1996 em Bowie, Maryland) foi uma cantora americana descrita pelo jornal britânico The Guardian como "uma das maiores vozes de sua geração”. Ela tinha um repertório diversificado que incluía jazz, blues, folk, gospel e pop. Permaneceu virtualmente desconhecida fora de sua cidade natal, Washington, DC, quando morreu de melanoma (que se espalhou para os ossos) em 1996. Suas gravações lançadas postumamente, desde então, venderam mais de quatro milhões de cópias, e no início de 2001, a coletânea Songbird alcançou o 1º lugar nas paradas do Reino Unido.

No Brasil ela permanece desconhecida do público e da mídia até hoje. Eu a descobri no início de 2001. Quando sou fissurado em uma canção tenho a mania de colecionar todas as gravações e interpretações que conseguir encontrar dela. Numa dessas baixei da net “Autumn Leaves”, interpretada por uma cantora chamada Eva Cassidy.  Esta canção, Feuilles Mortes no original francês, com letra do poeta Jacques Prévert e versão inglesa do compositor Johnny Mercer, é um dos maiores clássicos mundiais de todos os tempos e já foi gravada por centenas de interpretes, desde que foi lançada a primeira gravação em 1945, na voz de Yves Montand. (Ainda faltava muito pra eu nascer, mas como música boa não tem idade...).

Mesmo assim e apesar disso, a interpretação de Eva é surpreendente, na simplicidade arrepiante do acompanhamento apenas de seu violão folk e de um piano intimista - no registro de sua apresentação na Blues Alleys. Ela é original, muito ela mesma, sensível e suavemente vibrante, introduzindo genialmente elementos da folk music que caíram como uma luva na harmonia. Algo realmente marcante, novo, belo e emocionante na sua voz cristalina. Maluco delirante, quando ouço esta canção às vezes imagino que ela está cantando pra mim ;). Curta este vídeo aqui.

Por sua vez, a belíssima e talentosa britânico-georgiana Katie Melua, outra ilustre desconhecida no Brasil, parece vir tendo sorte bem diferente. Dona da voz mais quente que já ouvi alguém usar pra cantar, lançou seu primeiro álbum, Call Off The Search em novembro de 2003, aos dezenove anos de idade, alcançando logo o topo das paradas do Reino Unido e vendendo 1,8 milhões de cópias nos primeiros cinco meses. Seu segundo álbum, Piece by Piece, lançado em setembro de 2005, já recebeu quatro discos de platina.

Curtam o vídeo e comentem. Bom fim-de-semana ;)

quarta-feira, 23 de março de 2011

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Governo anuncia aqui em Manaus o aporte de R$ 4,5 bi em prevenção e tratamento do câncer de mama e de colo de útero

Estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que, neste ano, o país terá aproximadamente 18,5 mil novos casos de câncer de colo do útero (ou cervical) e 49,2 mil de câncer de mama. O orçamento do Ministério da Saúde deste ano destina R$ 261,679 milhões a ações de prevenção ao câncer, sendo R$ 176,26 milhões para o câncer de mama e R$ 85,4 milhões para o de colo de útero.
Os recursos, que compõem a Política Nacional de Atenção Oncológica, serão aplicados, até 2014, no fortalecimento da atenção primária e da rede ambulatorial e hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) e em campanhas de informação e conscientização à sociedade. Quando detectados precocemente, estes tipos de câncer apresentam elevados potenciais de sobrevida e possibilidade de cura.
A Presidente da República, acompanhada do ministro da Saúde, anunciou ontem, aqui em Manaus, ações de fortalecimento da rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama e do câncer de colo de útero, que receberão investimentos de R$ 4,5 bilhões ao longo dos próximos quatro anos.
Ela disse que o câncer é curável se for detectado no início, e que ela mesma foi beneficiada por uma ação pessoal preventiva, fazendo referência ao linfoma que descobriu e tratou meses antes das eleições e expressou seu desejo de que todas as mulheres tenham acesso às mesmas condições que ela teve.
Entrando em detalhes, o ministro disse que a meta do Ministério da Saúde, executor do programa, é ampliar com qualidade o acesso às medidas preventivas e de diagnóstico precoce do câncer de colo do útero e do câncer de mama, bem como ao tratamento dos casos identificados.
 “Entre um conjunto de ações que estamos planejando para melhorar a saúde da mulher, priorizamos a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama e de colo do útero. Com o plano, vamos garantir no SUS, na rede pública de saúde, serviços de qualidade para o atendimento de todas as mulheres”, declarou o ministro.
Livro: Comida que Cuida – Câncer
O laboratório farmacêutico Sanofi-Aventis lançou no dia primeiro deste mês a segunda edição do livro “Comida que cuida – Mais cor no prato e na vida durante o tratamento de câncer”.
Com visual repaginado e capítulos adicionais, traz 103 receitas de entradas, lanches e sobremesas estimulantes, baratas e fáceis de fazer, com o objetivo de despertar o apetite prejudicado dos pacientes oncológicos em tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia, orientando quem está com dificuldades para se alimentar nesta fase.
Para Tatiana de Oliveira, nutricionista do Centro de Combate ao Câncer e uma das consultoras da nova edição, o livro pode ser um guia para essa situação, indicando o que comer, mas também como preparar os alimentos, levando em conta os efeitos colaterais do tratamento, como alteração no paladar, olfato prejudicado ou gosto metálico permanente na boca.
O livro, com receitas testadas e selecionadas por pacientes, busca uma proposta inovadora, abordando o assunto de forma simples e bem-humorada, proporcionando informações que podem servir de base para uma alimentação saudável, balanceada e variada para a pessoa em tratamento, mas de nenhuma forma restritiva.
Em um capítulo especial dedicado à alimentação infantil no tratamento oncológico, pais e cuidadores encontram sugestões de refeições nutritivas e dicas para estimular o apetite das crianças durante o tratamento.
Um outro capítulo, voltado para as mulheres em tratamento do câncer de mama, enfatiza a importância do controle do peso.
Nos últimos quatro anos já foram distribuídos 25 mil livros do Comida que Cuida 1, de Macapá, no Amapá, a Bagé, no Rio Grande do Sul, beneficiando mais de 215 instituições de 20 estados brasileiros e 11 municípios. O livro faz parte de uma coleção que contempla em outros volumes também pacientes de diabetes e com problemas cardiovasculares
O livro é dirigido a pacientes em tratamento de câncer e pode fazer o download aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

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You just too good to be true


Hoje cedo, visitando blogs amigos e percorrendo a internet em busca de informações para postar aqui, encontrei estas duas matérias que considero suplementares e de interesse geral.
Desde que recebi este diagnóstico que alterou basicamente minha vida eu me questiono e me preocupo sobre as inquietações, as implicações que isso tudo certamente trouxe pra vida e pra saúde da minha companheira. Ela simplesmente abandonou tudo pra cuidar de mim e há tempos não dorme direito.
E
 não é por acaso que escolhi esta palavra, COMPANHEIRA. Ela tem estado ao meu lado, incansável em todos os momentos. O primeiro pesadelo do diagnóstico equivocado de câncer de pâncreas nos aproximou mais ainda. Ela pesquisa os melhores médicos, laboratórios, liga pra Deus e o mundo, agenda exames, me lembra das minhas consultas e exames e me acompanha em todos eles. Cuida da minha alimentação e me estimula a praticar exercícios e cultivar bons hábitos. Se eu tivesse juízo e me entregasse totalmente aos seus cuidados, certamente viveria mais de cem anos, o que não seria nada mal tendo-a como companheira.
Quando eu a via sentada naquelas cadeiras desconfortáveis, das 8 da manhã às 8 da noite, no Hemoam, enquanto eles torravam meu sangue com a quimioterapia, eu sempre me perguntava o que tinha feito na vida de tão bom pra ser digno dessa lealdade. Ela me joga pra cima nos meus momentos de fraqueza e nunca a ouvi sequer murmurar uma palavra de desânimo, sua fé inabalável não lhe permite.  E até hoje me emociono quando lembro daquela noite que antecedeu a minha laparostomia exploratória, quando ainda estávamos atônitos, sem saber exatamente o que eu tinha, e quando ela burlou a vigilância do Cecon pra ficar uma noite insone comigo numa maca dura, de 1 m de largura, num frio glacial e sem cobertores, enquanto eu, sedado, dormia.
Foi a primeira, com minha filha, a incentivar o projeto deste blog, porque achava que ia ser algo bom pra mim, mesmo sabendo que eu iria passar várias horas por dia afastado, pesquisando, traduzindo textos, escrevendo...
O altruísmo e o despojamento fazem parte da natureza das pessoas de espírito elevado, que acabam se contentando com pouco na vida e sabem valorizar tudo o que têm. Pois quando eu pergunto a esta bela mulher, elegante e sofisticada na sua simplicidade, que está sempre ao meu lado – Por quê? – Ela me responde, simplesmente: - Você me faz feliz....
Aumentam doenças em parceiros de pacientes com câncer
Têm aumentado as doenças mentais e físicas nos parceiros dos pacientes com câncer, no ano após o cônjuge ou parceiro receber o diagnóstico da doença, afirmam investigadores suecos.
A tese, da enfermeira oncológica Katarina Sjovall, da Universidade de Lund, na Suécia, estudou parceiros de pessoas com câncer colo-retal, pulmão, mama ou próstata.
O estudo mostra que o número de doenças diagnosticadas entre os parceiros aumentou em 25% após o diagnóstico de câncer. O aumento mais significativo foi em diagnósticos de doenças mentais como a depressão, mas também houve aumentos consideráveis em doenças cardiovasculares, músculo-esqueléticas e abdominais.
O maior aumento registrou-se nas doenças cardiovasculares em cônjuges e companheiros de pessoas com câncer do pulmão, que aumentou quase 50%, informa Sjovall.
"Ter um familiar próximo com câncer acarreta preocupação, ansiedade e mais trabalho, o que coloca a pessoa sob pressão", acrescenta Sjovall.
No geral, as mulheres têm custos de saúde mais elevados na Suécia, mas os custos de saúde aumentaram mais para os homens com 64 anos ou menos que tinham um parceiro com câncer.
"Talvez os homens se sintam menos confortáveis no papel de cuidador do parceiro e, por isso, sofram mais de stress", sublinha.
Fonte: Blog da Gigi
Cônjuge eleva expectativa de vida de parceiros com câncer
Estudo recente publicado na revista científica Câncer, da American Cancer Society, estabeleceu a relação entre o diagnóstico desta doença  e o papel do cônjuge no processo de luta contra ela. Segundo os pesquisadores da Universidade de Indiana (EUA), a participação do companheiro é crucial para resistir à doença por mais tempo. Os pacientes vivem pelo menos mais cinco anos após o diagnóstico.
O estudo contou com casados, divorciados, viúvos, recém-separados e até com quem nunca se casou. A pesquisa avaliou mais de 3,5 milhões de pessoas, durante cinco e dez anos, que tiveram câncer diagnosticado no período de 1973 e 2004. Desse número, 63% dos indivíduos casados apresentaram chances de viver pelo menos mais cinco anos após o diagnostico do câncer. Já os separados há pouco tempo diminuíram suas chances para 45%.
Segundo os especialistas, o estresse resultante do processo de separação age na imunidade do paciente, deixando-o mais vulnerável ao câncer. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

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PET Scan, rabanadas e rocambole de tapioquinha com filé de caranguejo

Acabou a novela para fazer o PET Scan. Acabei fazendo aqui em Manaus, mesmo. Depois de ficar no maior rafael estes três últimos dias. Fome!
Ligaram-me da clínica hoje, já às 7 da manhã pra confirmar e me pediram que chegasse lá por volta de 13 h. Às 13:30 já me tinham furado duas vezes, imagina, uma veia do calibre dessa minha do braço direito!!  - Pô, desculpa, véio, tô até encabulado, uma veia desse tamanho... (MÏ@^....)

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epois disso fiquei cerca de 10 minutos com o acesso espetado na veia, esperando a aplicação do tal flúor-18 numa saleta que eles chamam ironicamente de sala de repouso, de 1 m x 2, 5 m, numa poltrona daquelas do vovô, com duas lâmpadas de 60 watts na minha cara, sem nenhum sonzinho ambiente pra relaxar, nem TV, o que achei até bom, chega de notícia ruim.

Depois chegou o cara que me havia aconselhado a tomar “iorgute” como parte de minha dieta restritiva a doces e massas. (Quase até desisto de fazer esse exame sofisticado nesse lugar! Sim, ASSIM MESMO: “IORGUTE”). Aí ele me injetou 0,7 ml do tal de flúor-18 (o nome completo é Fluorodeoxiglicose radioativa), que é um análogo da glicose, e me abandonou no cubículo por mais de 1 hora, “pra relaxar e deixar o fármaco circular”.

Eu já estava vestido com aquela bata verde ridícula que vai até as canelas. Tenho usado tanto este modelito ultimamente que começo a achar que o faço até com alguma desenvoltura. Enquanto isso, Sandrinha mofando, preocupada, numa sala de espera

A fome e a fraqueza eram tantas que acabei dando uma cochilada de uns 15 minutos, que me pareceram horas de aventuras gastronômicas. Quase três dias sem me alimentar direito e as seis últimas horas em jejum total! Aí sonhei com montanhas de suculentas rabanadas entupidas de açúcar e canela, pretzels tenros e mousses de cupuaçu com chocolate meio amargo. Meus sonhos, como sempre, são mucho locos e teve uma hora em que me vi em plena Confeitaria Colombo, no centro do Rio, me empanturrando dolente e sistematicamente daqueles divinos pastéis de nata e de quindins tamanho-família.

Depois assim, num passe de mágica, me vi diante de uma mesa enorme coberta com centenas daqueles mitológicos leitõezinhos à pururuca, todos do mesmíssimo tamanho como se feitos em série, cada um trazendo na boquinha pateticamente risonha uma banana, uma maçã, um abacate....E isso seria até justificável se alguma vez na vida eu tivesse ao menos visto de perto um desses bichinhos preparados desta forma!

Quem me conhece bem sabe que tenho vaidades culinárias. E no meio do meu delírio famélico cheguei até a criar um incrível rocambole de tapioquinha com filé de caranguejo e alface americana, nos detalhes, a goma temperada com pimenta do reino branca e noz moscada. Êta crise hipoglicêmica braba! Mas vou experimentar!

Então fui cruelmente despertado pelo Mr. Iorgute, que viera ingênua e impunemente me perguntar se estava tudo bem, com aquele sorriso profissional de lantejoulas e paetês. (MÏ@^....). E aí não consegui mais dormir durante cerca de mais uma hora de espera que ainda restavam, “relaxando”.

Saí do mundo dos sonhos e passei pro da imaginação. Obcecado, lembrei até dos  deliciosos bolinhos de farinha de mandioca que mamãe fazia quando éramos criança.

E quando Mr. Iorgute finalmente veio me buscar para fazer o exame, depois de 1h e dez minutos de espera, ele ainda queria que eu fizesse xixi de qualquer maneira, imaginem, “faz parte do protocolo”. – Só se você torcer o meu pênis – disse-lhe candidamente.

O exame é muito parecido com uma TC convencional, o tomógrafo também, só que bem maior. O paciente tem que ficar cerca de 25 minutos naquele túnel, totalmente imóvel, indo e voltando na maca móvel. Tive câimbras atrozes na mão direita.

Disseram que o laudo deve estar pronto em uma semana.

Saímos de lá, Sandrinha e eu, já em torno de 17:30, azuis quase verdes de fome e literalmente invadimos como bárbaros a padaria-lanchonete Lindopam.
Como é bom sentir e poder saciar uma fome juvenil assim, de vez em quando, né?!