terça-feira, 28 de setembro de 2010

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Sucuuba contra o câncer II

Motivado pelo interesse crescente (observado principalmente em fóruns, na internet) pela obtenção de informações sobre uma planta aqui da Amazônia, a Sucuuba, empregada localmente há tempos no tratamento do câncer e de outras doenças, fiz uma pesquisa sobre as escassas fontes primárias e secundárias de informação às quais tive acesso e publiquei em 22 de janeiro de 2010 o artigo intitulado Sucuuba contra o câncer, que rapidamente se transformou no post mais lido do blog, com 1.121 visitas até o dia de hoje, segundo as estatísticas do Blogger. Desde então tenho recebido muitos pedidos de informação de sobre como obter os produtos dessa planta.
Meu querido e saudoso pai, que sempre teve um viés ligeiramente hipocondríaco e um razoável conhecimento das coisas da Amazônia, fruto de sua longa vivência na região, depositava a maior fé na fitoterapia e mantinha sempre em casa, na geladeira, algum tipo de chá feito com alguma erva, folha, raiz ou casca de alguma espécie vegetal que consumia com regularidade. Ele falava com muito entusiasmo das propriedades medicinais dessa planta.
Eu sempre acreditei, com base no princípio da polaridade, dos opostos, e no princípio de causa e efeito - que a cultura védica chama de Lei de Kharma -, que a Mãe Terra, com a sua mineralogia, e com toda a sua biodiversidade - que a ciência materialista após séculos de estudos sistemáticos não chegou sequer a vislumbrar as potencialidades e as infinitas possibilidades de combinação - encerra em si mesma as soluções, os remédios, os antídotos para todos os males que afetam a nossa saúde, quer sejam no plano psíquico, quer sejam no material. E tudo se resume a uma questão de merecimento, de esforço coletivo e honesto da humanidade que seja conseqüência de uma conjugação de princípios morais, éticos, filosóficos e humanistas antepostos às motivações meramente mercantilistas para atender a ganância de alguns.  
Aqui, como procuramos deixar claro desde o início aí no sidebar (“Por favor, leia”) não recomendo - nem poderia e não é minha intenção – nenhum tipo de droga ou tratamento. Meu objetivo, além de dar o testemunho da minha experiência pessoal na luta contra o câncer, sempre foi informar, proporcionar a comodidade ao leitor de dispor em um só local de um panorama o mais atualizado possível sobre tudo o que acontece de novo no campo da pesquisa oncológica, das novas terapias, recorrendo sempre que possível a fontes primárias.

As plantas medicinais são usadas há milênios e este uso é muitas vezes indiscriminado e pouco criterioso. As pesquisas científicas têm revelado que determinadas espécies contêm substâncias potencialmente perigosas, agressivas e, por esta razão devem ser utilizadas com cuidado, respeitando seus riscos toxicológicos. De outro lado, o câncer se revelou uma doença individualizada, com uma assinatura genética que varia de pessoa para pessoa e de um tipo de câncer para outro, o que tem feito com que determinada droga seja efetiva em alguns casos e em outros, não.
No caso da sucuuba, apesar dos inúmeros relatos e testemunhos favoráveis ao seu uso, não existe, até o momento, estudo laboratorial ou clínico que comprovem cientificamente sua eficácia, dosagem e segurança toxicológica, muito menos aprovação de seu uso pela ANVISA, órgão oficial de controle. Além disso as folhas, o córtex (casca), o caule e o látex (leite) de sucuuba são produtos naturais, extraídos pelo caboclo na floresta, embalados e transportados para o comércio sob condições de conservação e cuidados de higiene que não podemos determinar. Isso, sem falar das adulterações que pessoas inescrupulosas são capazes de fazer para aumentar o volume e o lucro. O látex que escorre logo após o corte do caule é de um branco imaculado e deve ser mantido sob refrigeração, caso contrário deteriora rapidamente. Aquele que encontramos à venda nas pequenas bancas dos mercados de artigos regionais, mesmo mantidos sob refrigeração, geralmente apresenta uma cor levemente rosada, indicando já alguma alteração.
Por via das dúvidas e por minha conta e risco passei a tomar o látex dessa planta desde o terceiro ciclo da minha quimioterapia, na proporção de três partes para uma parte de mel de abelhas (prá melhorar o sabor desagradável), inicialmente um cálice em jejum e depois três colheres das de sopa, três vezes ao dia.  Faz alguns meses que não tomo porque o único lugar em que confiava para comprar, aqui em Manaus, imaginem, não tem recebido o produto. Passei a tomar também cápsulas de um concentrado puro de Chlorella, uma alga monocelular que Sandrinha descolou pra mim numa pesquisa. Mas nunca sequer pensei em abandonar o tratamento convencional.
Bem, tentando de alguma forma atender às solicitações que mencionei no início do post, e feitas as ressalvas acima, estou colocando abaixo, para quem quiser arriscar, dois links de sites que estão anunciando produtos de Sucuuba, que encontrei na net Devo dizer que nunca adquiri estes produtos destas pessoas, e nem sequer as conheço. Boa sorte:
http://www.guaranaurubatan.com.br/detalhes.php?id=466

http://obidos.olx.com.br/leite-de-sucuba-1l-iid-52434082 
Post relacionado: Sucuuba contra o câncer

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

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Novas terapias anticâncer trazem esperança, mas também decepção.


Bloquear anomalias que provocam o crescimento dos tumores é um desafio constante. Entusiastas das terapias dirigidas defendem que, no futuro, os tumores acabarão sendo caracterizados pelos seus perfis moleculares – pela assinatura genética ou genes mutantes que eles têm – em vez da parte do corpo que eles afetam, dando fim a denominações como câncer de mama, câncer de pulmão, câncer disso e daquilo. E os medicamentos serão escolhidos com base nesse perfil.
A quimioterapia convencional normalmente funciona matando as células que se dividem rapidamente. Isso significa que ela também pode atingir as células normais, causando efeitos colaterais como perda de cabelo, náusea, diarréia e anemia. As terapias dirigidas, em contrapartida, miram as proteínas que contribuem para o crescimento ou sobrevivência do tumor. Isso pode significar maior eficácia e menos efeitos colaterais. Vários remédios dirigidos são usados hoje e melhoram os tratamentos. Os medicamentos, porém, têm seus próprios efeitos colaterais. Em muitos casos, eles funcionam melhor em conjunto com a quimioterapia.
O medicamento experimental PLX4032, que reverte os efeitos de uma mutação encontrada em certos tumores, é considerado um grande exemplo das "terapias dirigidas" que teremos no futuro para o combate ao câncer. O medicamento produziu resultados milagrosos em alguns pacientes com melanoma.
Mas, quando o mesmo medicamento foi testado em pacientes com tumores colorretais com a mesma mutação, quase não houve efeitos, relataram pesquisadores na semana passada durante o encontro da Sociedade Norte-americana de Oncologia Clínica. Era o mesmo remédio, mas os resultados foram diferentes.
Essa descoberta serve como outro lembrete de como o câncer é complexo e de que ainda há muito a ser estudado sobre essa doença. Os estudos questionam o entusiasmo acerca das terapias dirigidas, que agem para bloquear anomalias específicas que provocam o crescimento dos tumores.
Apesar de os pesquisadores elogiarem o sucesso dos medicamentos mais recentes, eles reconhecem que os avanços não vêm acontecendo com a facilidade que eles previam. Muitas terapias dirigidas não estão se saindo muito bem nos ensaios clínicos.
"Passamos por um período muito rápido de grandes expectativas, maturação e decepções", disse Leonard Lichtenfeld, vice-presidente da Sociedade Norte-Americana do Câncer. "Fomos ingênuos ao pensar que, achando o alvo, teríamos a cura".
Após um período de muitos ganhos - que culminou com a aprovação em 2004 de dois medicamentos direcionados, Avastin e Erbitux -, o progresso contra o câncer colorretal estagnou. Nos últimos cinco anos, não houve avanços significativos.
Uma das estrelas da conferência oncológica foi a Pfizer, cujo medicamento experimental, Crizotinib, diminuiu os tumores que tinham uma anomalia genética específica, em quase todos os pacientes com câncer de pulmão. A anomalia foi descoberta há apenas três anos, e o remédio está entrando no mercado.
Entretanto, a Pfizer teve várias falhas nos ensaios clínicos de outros medicamentos dirigidos. Seu remédio para câncer renal, Sutent, não funcionou como tratamento para cânceres de mama, cólon e fígado.
Outro remédio que bloqueia uma proteína, chamada "fator de crescimento semelhante à insulina", também não teve êxito no tratamento do câncer de pulmão.
THE NEW YORK TIMES, Traduzido por André Luiz Araújo. Editorial e edição de ilustração pelo autor.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

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Cristo Redentor cor-de-rosa em outubro

O mês de outubro foi escolhido para representar e marcar a luta mundial contra o câncer de mama. Trata-se do Outubro Rosa, um conjunto de ações para conscientizar e mobilizar a sociedade no combate à doença. A idéia surgiu em 1997, nas cidades de Yuba e Lodi, na Califórnia, foi marcada pela iluminação de monumentos históricos com luzes rosa e desde então vários outros países aderiram. No Brasil, cidades como Ouro Preto, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre têm iluminado de pink monumentos importantes em outubro. O câncer de mama descoberto com até 1 cm de diâmetro tem 95% de chances de cura.
Desde abril de 2008 a Lei Federal 11.664, que trata de questões relativas à prevenção, detecção, tratamento e controle dos cânceres do colo uterino e de mama garante a realização do exame mamográfico pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em todas as mulheres a partir dos 40, e não mais dos 50 anos de idade, como anteriormente.
A cada ano são diagnosticados 50 mil casos de câncer de mama no Brasil. Deste total, 12 mil mulheres morrem. Para chamar atenção para a gravidade do problema, diversos eventos acontecerão no Rio, de hoje a 24 de outubro. No dia 5, por exemplo, o Cristo Redentor vai ganhar iluminação na cor rosa, num alerta sobre a importância do autoexame e da mamografia. Hoje será lançada no Rio a campanha pelo ‘Dia Rosa’, que já aconteceu em cidades como Salvador (BA) e Curitiba (PR).
“Toda mulher deveria ter um ‘Dia Rosa’ no ano: um dia liberada de todos os compromissos pessoais e de trabalho para cuidar da saúde”, incentiva Gisella Amaral, que já foi paciente de câncer de mama e está curada.  Para lançar o projeto, Gisella promove, às 18h30, um happy hour na pérgula do Copacabana Palace. O evento terá palestra do oncologista José Bines e show com a pianista e cantora Claudia Albuquerque. No final do mês, uma corrida e caminhada também alertarão contra a doença.
Segundo a presidente da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), Maira Caleffi, a mamografia, mais importante dos exames diagnósticos, deve ser feita regularmente. “A partir dos 40 anos, toda mulher deve fazer a mamografia anualmente. O câncer descoberto com até 1 cm de diâmetro tem 95% de chances de cura”, afirma.
Com apoio da Femama, os eventos buscarão divulgar a necessidade do diagnóstico precoce do câncer de mama para mulheres no grupo de risco (mais de 40 anos, histórico familiar da doença, obesidade e sedentarismo) e seus empregadores.
http://odia.terra.com.br, inserção de ilustração e editorial pelo autor

terça-feira, 21 de setembro de 2010

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Eleições 2010


4 cenas (não muito raras) e dois atores da ontologia nacional pré-eleitoral
 O eleitor, ou figurante:
O político, ou protagonista:
 

domingo, 19 de setembro de 2010

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Novo tratamento para linfoma mostra-se promissor em cães

Pesquisadores da Universidade de Illinois identificaram um novo alvo para o tratamento de linfoma e estão testando uma droga nova potencial em cães afetados pela doença. Em doses baixas, o composto, chamado de S-PAC-1, interrompeu o crescimento dos tumores em três de seis cães testados e induziu a remissão parcial em um quarto. Os resultados do estudo aparecem este mês na revista Cancer Research.
O novo complexo tem como alvo uma enzima celular, procaspase-3, que, quando ativada, desencadeia uma cascata de reações que matam as células, disse Paul Hergenrother, professor de química que coliderou o estudo com Tim Fan, professor de medicina clínica veterinária.
O Procaspase-3 é uma abordagem atraente para o tratamento de câncer, parte porque a doença interfere freqüentemente na morte de células normais, parte porque muitos tumores - incluindo aqueles encontrados nos cânceres de mama, de cólon, de pulmão, linfoma, melanoma e câncer de fígado - contêm níveis elevados de procaspase-3. O novo composto é uma versão modificada da droga que os pesquisadores haviam previamente testado em ratos e em um cachorro.
O composto original, chamado PAC-1, (esta sigla não tem, obviamente, nenhuma relação com o tal conjunto de obras do governo) foi modificado por causar excitação neurológica (neurotoxicidade), mesmo em doses baixas. Para evitar este efeito, o laboratório Hergenrother produziu um derivado a partir do PAC-1, adicionando-lhe um grupo químico chamado sulfonamida. Testes em cães com linfoma espontâneo mostraram que o novo composto obtido, S-PAC-1, estabilizou ou reduziu o tamanho dos tumores, na maioria dos animais, sem neurotoxicidade. Outros efeitos secundários suaves foram minimizados ou eliminados pelas adaptações posteriores feitas para o protocolo de tratamento
Se o S-PAC-1 se mostrar eficaz e seguro no tratamento de linfomas e for aprovado pelo FDA para uso em cães e/ou humanos (um processo que poderá levar anos), ele provavelmente será adicionado ao arsenal de medicamentos já utilizados para combater o linfoma em cães e em seres humanos, e poderá ser usado em combinação com outras drogas como uma primeira opção de tratamento, ou servir como uma segunda linha de defesa, se o câncer retornar.
O estudo em cães de estimação é incomum. A maioria dos testes é feita primeiro em ratos e, em seguida, se um composto for promissor e parecer seguro, ele é testado em ensaios clínicos em seres humanos. Os seis cães utilizados neste estudo eram pacientes veterinários que espontaneamente desenvolveram linfoma.
As semelhanças entre linfoma humano e canino também parece contribuir para a conveniência dessa abordagem. "Se você olhar para as assinaturas genéticas do linfoma humano e do linfoma canino, perceberá que eles são muito, muito semelhantes, e sua resposta ao tratamento é muito, muito similar", disseram os pesquisadores. Então há muitas razões para ser otimista sobre um composto que tem algum efeito em cães, que poderá ter um efeito similar em seres humanos.
O estudo foi financiado pelo National Cancer Institute, National Institutes of Health. A nova concessão de 525 mil dólares do NCI (Instituto Nacional do Câncer dos EUA) apoiará um ensaio clínico do S-PAC em cães de companhia.
Este post foi editado (com tradução, adaptações, inserção de ilustração e editorial pelo autor) a partir de matéria publicada em http://www.sciencedaily.com/releases/2010/09/100907131506.htm 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

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Horário da propaganda eleitoral política enganosa

Para não ficar totalmente alheio ao período eleitoral que ora avassala culturalmente o País e dar ensejo a ser assim tachado – injustamente, é claro! - de alienado político, e considerando, ainda, que uma imagem vale bem mais que mil palavras, posto esta charge do bravo cartunista Fernando Gonsales que tão bem expressa, não sem alguma solenidade, os sentimentos e a ...digamos...postura do pessoal aqui da casa em relação ao quadro geral:

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

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Ensaios clínicos oncológicos

As pesquisas científicas se multiplicam e se diversificam em todo o mundo com grande rapidez na última década. Muita informação é encontrada diariamente em todos os tipos de midia sobre os avanços na pesquisa de novas drogas e terapias contra o câncer. Vários artigos apresentam informações sobre cura de doenças como leucemia, linfoma, mielodisplasia e mieloma múltiplo. Há também muito interesse sobre pesquisas com células-tronco e sua utilidade nesses tipos de câncer.
Um ensaio clínico é um dos estágios finais de um longo e cuidadoso processo de investigação do câncer. Para receber a aprovação e o registro dos órgãos reguladores oficiais como a ANVISA, no Brasil, e a FDA, nos EUA, estudos são feitos com pacientes para descobrir se abordagens potencialmente promissoras para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença são seguros e eficazes. O médico pode recomendar um ensaio clínico para um paciente em algum momento de seu tratamento.
Para os pacientes, muitas vezes é difícil compreender e acompanhar todos esses passos, bem como se um certo  ensaio clínico pode ser de fato indicado para seu tipo de câncer.
Para viabilizar o acesso às informações, no fim deste post coloquei os links das principais entidades de pesquisa no mundo, para que pacientes, terapeutas e familiares possam ter acesso às pesquisas realizadas nas doenças onco-hematológicas. Caso tenha alguma dúvida, converse com o médico responsável pelo seu tratamento.
Como são realizados os ensaios clínicos?
A maior parte dos ensaios é patrocinada por agências oficiais de incentivo à pesquisa e por indústrias farmacêuticas. Com freqüência, o mesmo ensaio é oferecido em vários centros de tratamento de câncer, de maneira que os pacientes possam participar da mesma pesquisa em diferentes locais no Brasil ou em conjunto com outros países.
Fase I: Visa fundamentalmente reconhecer a toxicidade de uma nova droga e como ela deve ser administrada (via oral, injetada no sangue, ou injetada no músculo), quantas vezes, e qual a dose segura. Geralmente se registra apenas um pequeno número de pacientes, às vezes tão poucos como uma dúzia. Os efeitos benéficos que dele possam advir são mais do que bem-vindos, mas o que se deseja, fundamentalmente, é reconhecer sua toxicidade.
Fase II: Avalia-se a resposta do tratamento para um determinado tumor, no qual estudos fase I tenham sugerido alguma utilidade, em um grupo de pacientes. Assim, verifica-se a porcentagem de êxito do novo tratamento contra uma forma específica de câncer.
Fase III: Os médicos comparam a eficiência de êxito do novo tratamento com o que era utilizado anteriormente. Procura-se, dessa forma, definir qual o melhor tratamento a ser empregado em primeira instância. Muitas vezes se inscreve grande número de pessoas e podem ser realizadas nos escritórios de muitos médicos, clínicas e centros de câncer em todo o mundo.
Além disso, após a aprovação da droga e durante a sua comercialização o fabricante pode estudá-la mais em um ensaio de fase IV. O objetivo dos ensaios desta fase são avaliar os efeitos colaterais, riscos e benefícios de um medicamento durante um longo período de tempo e em um número maior de pessoas do que em ensaios clínicos de fase III. Milhares de pessoas estão envolvidas em um estudo de fase IV. 

Como proteger os participantes dos ensaios clínicos?
Existem possíveis riscos em qualquer ensaio clínico, sendo importante saber que eles somente são recomendados para seres humanos após exaustivos testes em animais para comprovar sua segurança. Antes de se iniciar um ensaio clínico, uma Junta Institucional de Revisão em cada local em que se fará o estudo deve revisar e aprovar o plano de tratamento. Essa junta é formada por profissionais qualificados em saúde, que não tenham nenhuma relação com o laboratório que desenvolveu a droga em estudo.
Quais as regras?
- Primeiro o paciente faz seu consentimento formalmente, após ter sido cuidadosamente informado de todos os aspectos relativos ao ensaio e todas as suas dúvidas devidamente esclarecidas.
- Durante todo o ensaio, os pacientes são vigiados minuciosamente em relação à resposta ao tratamento e à toxicidade. Efeitos adversos ou reconhecida ineficiência serão imediatamente informados, para que a devida substituição do esquema seja feita. Da mesma forma, os pacientes podem, em qualquer momento, abandonar o programa em estudo se o desejarem, sem que isso signifique qualquer prejuízo a seus cuidados.
- Um grupo de profissionais médicos revisa continuamente o ensaio para garantir que os pacientes sejam tratados com imparcialidade e segurança.
 

Como decidir se o ensaio clínico está indicado para o paciente?
Primeiramente, o paciente deve conversar com seu médico sobre isso. O paciente poderá estar acompanhado por uma pessoa que esteja familiarizada com seu estado de saúde, e esta pessoa poderá ajudá-lo a decidir se esse ensaio clínico é uma boa opção ou não. É importante e necessário que o paciente esteja informado sobre:
- As possibilidades, riscos e benefícios do ensaio, especialmente sobre qualquer potencial efeito colateral.
- Qual a diferença do tratamento que será estudado e o tratamento ao qual está sendo submetido para seu tipo de câncer.
- O tipo e a freqüência de todos os exames que serão feitos antes, durante e após o ensaio, duração, local e a forma como ele afetará sua rotina diária.

domingo, 12 de setembro de 2010

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Pacientes de câncer que pesquisam têm acesso a melhor tratamento

Pacientes de câncer que investigam por conta própria suas opções de tratamento têm três vezes mais chances de se atualizar - e mesmo ter acesso às mais novas drogas e terapias disponíveis - que aqueles que não se dedicam a pesquisas que levem a uma melhor compreensão sobre a sua condição, de acordo com um estudo efetivado pela Dana-Farber Cancer Institute, com a participação de 633 pessoas com tumores colorretais.
Pacientes que procuram informação pela Internet, jornais e revistas têm mais possibilidade, por exemplo, de já terem ouvido falar de “terapias-alvo”, “anticorpos monoclonais” e de drogas modernas como “Rituximab”, vendido como Mabthera, "cetuximab”, vendido como Erbitux, e “bevacizumab”, vendido como Avastin. Mas, dentre estes pacientes, aqueles que buscam uma segunda opinião médica como parte de suas pesquisas são os que mais provavelmente poderão se beneficiar pela prescrição destas drogas e terapias, diz o estudo conduzido em Boston e publicado recentemente.
Mas, como sempre, existem outros aspectos a serem considerados. A FDA, agência que controla a utilização dos fármacos nos EUA, aprovou o uso do Erbitux e do Avastin, em 2004, apenas para os casos de doença avançada, que se tenha espalhado. Estas drogas não curam o câncer, mas controlam o crescimento do tumor, aumentando assim a sobrevida. Uma a cada quatro pessoas que tomam estas drogas nos EUA estão com o câncer em estágio inicial, um uso não aprovado. Os autores apontam que o consumo de drogas off-label é comum no tratamento do câncer no mundo todo.
Os pacientes que procuram novas drogas contra o câncer podem se beneficiar, dizem os autores, mas também podem sofrer os efeitos secundários e colaterais. O Avastin aumenta o risco de derrames, ataques cardíacos e coágulos sanguíneos sérios (vide post anterior). O Erbitux pode causar erupções cutâneas desfigurantes.
A pesquisadora Lisa Schwartz, da Dartmouth Medical School, que não esteve envolvida no estudo, diz que as coberturas de seguro saúde também podem ter afetado a decisão e o acesso dos pacientes que recebem terapias-alvo, as quais custam milhares de dólares por mês.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

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Progressos na previsão de coágulos de sangue (TEV) em pacientes com câncer

Doentes de câncer têm um risco elevado de serem acometidos de tromboembolismo venoso, devido a uma maior predisposição para a coagulação do sangue hiperativo. O TEV desenvolve-se em até 20 por cento dos pacientes com câncer e é uma das principais causas de morte nessa população. Pacientes com doenças hematológicas malignas (câncer no sangue), particularmente aqueles com linfoma e mieloma múltiplo, têm índices relativamente altos de TEV.
Em estudo desenvolvido pela Sociedade Americana de Hematologia, cujos resultados foram publicados ontem em seu jornal, foi desenvolvido um modelo para prever as chances de um paciente desenvolver coágulos de sangue. Os Resultados deste estudo constataram que 7,2 por cento dos casos de linfoma e 7,4 por cento da população total do estudo desenvolveram TEV, em comparação com uma estimativa de taxa de incidência na população geral de 0,001 por cento.
Como este risco não é igual em todos os pacientes com câncer e a utilização indiscriminada de anticoagulantes resulta em um risco maior de complicações hemorrágicas, a classificação dos pacientes de câncer de acordo com o risco de TEV é de suma importância, segundo Ingrid Pabinger, MD, professora da Universidade de Medicina de Viena e principal autora do estudo. Pacientes de alto risco de TEV podem se beneficiar da trombo profilaxia de rotina, tratamento preventivo contra a coagulação do sangue, enquanto que os pacientes de baixo risco têm tendência elevada a apresentar episódios de sangramento e não podem ser os melhores candidatos para o tratamento de anticoagulação de rotina.
Neste estudo, os pesquisadores examinaram 819 pacientes com câncer, matriculados no Instituto do Câncer de Viena, entre outubro de 2003 e dezembro de 2008. Os tipos de câncer foram: cérebro, mama, pulmão, estômago, colo-retal, pâncreas, rins, próstata e doenças hematológicas malignas, como mielomas e linfomas. Este novo modelo pode ajudar os médicos a adequar a terapia anticoagulante e melhorar a prevenção de coagulação do sangue, que irá maximizar o benefício clínico e a relação custo-eficácia da prevenção da doença, além de minimizar o risco de complicações hemorrágicas.
Traduzido e condensado de: http://www.sciencedaily.com
Cogumelo alucinógeno pode diminuir ansiedade em pacientes com câncer avançado.
Pesquisadores americanos da Universidade da Califórnia provaram que uma substância encontrada em cogumelos alucinógenos é capaz de melhorar o nível de humor e reduzir a ansiedade de pacientes que sofrem de câncer avançado. Eles acompanharam doze pacientes com idades entre 36 e 58 anos. Todos tinham câncer em estágio avançado e alguns distúrbios psiquiátricos, como ansiedade. Eles foram testados em duas situações: em uma, receberam placebo (produto com uma substância “de mentira”, sem efeito), e, na outra, receberam uma dose moderada de psilocibina.
A pesquisa foi realizada com 12 pessoas com câncer em estágio avançado. Os voluntários receberam uma dose de psilocibina ou a vitamina niacina como placebo. Várias semanas depois, receberam outro tratamento.
A taxa cardíaca, a pressão arterial e a temperatura dos voluntários foram monitoradas ao longo de cada tratamento. Os investigadores também verificaram os níveis de depressão, ansiedade e humor em cada um deles.
Os resultados foram animadores. Os voluntários afirmaram sentirem-se menos deprimidos e ansiosos duas semanas após terem recebido a psilocibina, mas não duas semanas depois de tomar a niacina. Seis meses depois, o nível de depressão foi significativamente menor em todos os voluntários.
Porém, ainda não se conhecem possíveis efeitos adversos do cogumelo. Alguns voluntários relataram estados de consciência ligeiramente alterados após receber a psilocibina, mas os pesquisadores não notaram efeitos adversos fisiológicos.
Inclusive, os cientistas sugerem que em doses mais altas os efeitos benéficos da psilocibina podem se tornar mais pronunciados. Ainda assim, outros testes são necessários para examinar a segurança e a eficácia do cogumelo.
NewScientist   
Procedimentos pouco invasivos para tratar câncer chegam ao SUS
Para a maioria dos pacientes diagnosticados com câncer, as cirurgias são inevitáveis. Agora, imagine se, em vez de passar por um procedimento grande e complexo para tratar tumores de pequenas proporções, fosse possível realizar uma técnica minimamente invasiva, como uma punção. A novidade é que isso já é possível. Implantado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP, o novo Ambulatório de Intervenção Guiada por Imagem é uma realidade para pacientes do SUS.
Do total de pacientes que passaram pelo ambulatório, 62% eram mulheres - das quais 41% tinham câncer de mama. Além disso, a maioria dos pacientes (49%) tinha idade entre 51 e 69 anos; 31% tinham menos de 51 anos e 18%, mais de 70.
A alternativa permite que as pessoas permaneçam internadas por menos tempo, recebam anestesia local em vez da geral e retomem rapidamente as atividades rotineiras, além de obter os mesmos benefícios terapêuticos apresentados pela cirurgia convencional.
Pioneiro na rede pública de saúde do País, o setor já realizou, em três meses de funcionamento, mais de 380 procedimentos por imagem, como biópsias percutâneas, paracenteses, pleurocenteses, drenagens de coleções abdominais, pélvicas e torácicas, bloqueios nervosos, neurólises de plexos (controle de dor) e tratamentos ablativos de tumores.
O uso desse tipo de procedimento é algo novo em todo o mundo. No Brasil, ele vem sendo utilizado nos últimos cinco anos. Além de oferecer a técnica como uma alternativa terapêutica aos pacientes do SUS, o Icesp tem investido na formação dos profissionais que atuarão na área. Anualmente, são aceitos médicos residentes no programa de pós-graduação de Intervenção Guiada por Imagem.