sexta-feira, 22 de junho de 2012

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Congresso da ASCO: combinação de drogas prolonga sobrevida e reduz efeitos colaterais no tratamento do câncer de mama


Um novo medicamento pretende melhorar o tratamento do câncer de mama metastático do tipo HER2-positivo – um dos tipos mais agressivos, que acomete até 20% das pacientes. Ainda em fase experimental, a droga T-DM1 promete prolongar a sobrevida e retardar a evolução da doença nessas pacientes, sem causar os efeitos colaterais típicos da quimioterapia. O estudo clínico com o medicamento foi apresentado durante o Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, sigla em inglês), que aconteceu em Chicago, na primeira quinzena de junho, nos Estados Unidos.

O T-DM1 está em fase final de testes. Ele é formado pela combinação do anticorpo monoclonal (produzido a partir de clones de uma única célula) trastuzumabe e pelo quimioterápico emtansine (DM1). As duas substâncias já existiam no mercado, sendo que o trastuzumabe é usado rotineiramente no tratamento do câncer. "A novidade aqui é a união dessas duas drogas em uma só", diz Gilberto Amorim, diretor do Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama e presente no ASCO.

Juntas, elas conseguem ter uma ação mais específica, atuando virtualmente apenas nas células cancerígenas. A ação da droga é combinada. Ao trastuzumabe cabe o papel de se ligar às células cancerígenas com o reagente HER2-positivo. Uma vez que esse primeiro passo é dado, o quimioterápico emtansine é então injetado para dentro da célula, matando-a. "É como um Cavalo de Troia. Por isso os efeitos colaterais são bem inferiores aos da quimioterapia tradicional", diz Amorim. Em outras palavras, como o agente quimioterápico não ataca também as células saudáveis do organismo, problemas como ânsia, queda de cabelo e diarreia são minimizados.

Pesquisas – O estudo foi realizado com 991 pacientes (cerca de 50 brasileiros), sendo que todas já haviam sido tratadas apenas com trastuzumabe. Metade do grupo recebeu, então, T-DM1, e a outra metade o tratamento padrão com os quimioterápicos lapatinibe e capecitabina. Aquelas que tomaram o T-DM1 não apresentaram progressão da doença por um tempo 35% maior — ficaram, em média, 9,6 meses sem o avanço da doença, contra 6,4 meses no grupo controle.

Das pacientes que tomaram o T-DM1, 43,6% tiveram os tumores reduzidos, enquanto apenas 30,8% do grupo controle apresentaram redução. A sobrevida com a nova droga também foi maior. No grupo que recebeu o medicamento, houve um aumento de 7,1 meses na qualidade de vida — sem nenhum sintoma. No grupo que recebeu os quimioterápicos tradicionais, o aumento foi de 4,6 meses.

Medicina personalizada — De acordo com a Roche, farmacêutica responsável pelo T-DM1, a droga deve ser submetida para aprovação da Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, sigla em inglês) e para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês) ainda este ano. "No Brasil, as expectativas são de que ela entre no mercado entre 2014 e 2015", diz Adriano Treve, presidente da Rocha Farmacêutica do Brasil.

A farmacêutica vem trabalhando ainda com três outras drogas biológicas para o tratamento do câncer. Já está em análise pela Anvisa o Avastin (já usado no tratamento de câncer colorretal, pulmão e de alguns tipos de tumor no cérebro e nos rins). Agora, o medicamento deverá ser usado também contra o câncer de ovário. Dados apontam que o uso combinado do Avastin com a quimioterapia reduziu em até 52% a progressão da doença.

Recentemente aprovado pela Anvisa, o medicamento Zelboraf (vemurafenibe) conseguiu reduzir em 63% o risco de morte e em 74% o risco de progressão do melanoma (câncer de pele), quando comparada à quimioterapia. A droga é indicada para aqueles pacientes com melanoma metastático positivo para mutação BRAF V600. "Esse medicamento será lançando em paralelo com o teste diagnóstico. Isso porque o produto só poderá ser prescrito para pacientes com essa mutação", diz Treve.

O que são biomedicamentos?

  1. A substância ativa de um medicamento biológico é feita por (ou derivada de) um organismo vivo, como uma bactéria ou uma levedura (um tipo de fungo unicelular).
  2. Ele pode ainda ser obtido de uma fonte biológica, como um tecido ou sangue, de onde são extraídos compostos que agem como medicamentos.
  3. Diferentemente de um remédio sintético, que é produzido por síntese química em processos controlados, o remédio biológico tem um processo bem mais complexo, que pode envolver etapas de recombinação genética.
  4. Seus efeitos colaterais podem ser graves e têm, geralmente, relação direta com o sistema imunológico, podendo levar a uma doença autoimune.
    No Brasil, há vários biológicos em uso: insulina recombinante, interferon (diabetes), eritropoietina (anemia causada por falência renal), fatores de crescimento e anticorpos monoclonais (usados no tratamento de doenças autoimunes, no câncer e após um transplante).
  5. Vacinas e antissoros também são considerados biológicos. O remédio Avastin, um anticorpo monoclonal, é um dos remédios contra o câncer mais usados no mundo.
  6. Em 2011, o FDA (agência americana similar à Anvisa) retirou seu uso para casos de câncer de mama em estágio avançado, mas ele ainda é indicado para alguns tipos de câncer colorretal, pulmonar, renal e cerebral.
Fonte aqui

quinta-feira, 21 de junho de 2012

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Amazonas: Atenção oncológica terá melhorias no segundo semestre de 2012


A elevação de cinco para nove no número de salas de cirurgia, possibilitando um aumento de 60% no quantitativo de procedimentos cirúrgicos é uma das melhorias previstas para ocorrerem ainda no segundo semestre de 2012 na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), informou o diretor-presidente da instituição, o pneumologista Edson de Oliveira Andrade. Outra grande novidade é a instalação do Acelerador Linear - aparelho de ponta, utilizado no tratamento radioterápico (radiação curativa) e que já está na Fundação Cecon. A previsão é que ele comece a ser utilizado em 2013.

Oliveira destacou que outras mudanças, tais como a ampliação dos leitos de UTI para adultos e a conclusão da UTI infantil – hoje em fase de implantação – também estão previstas para o mesmo período. A primeira delas já teve a expansão do número de leitos iniciada, passando de cinco para sete na última semana. Para tanto, houve também a ampliação dos contratos com cooperativas de médicos intensivistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem. “Cerca de 70% das cirurgias realizadas no hospital demandam UTI, já que são de alta complexidade e duram entre 6 e 12 horas”, explica.

A instalação do Acelerador Linear - aparelho de ponta utilizado no tratamento radioterápico (radiação curativa) e que já está na Fundação Cecon tem previsão de início de operação em 2013, já que aguarda a construção da Casamata – sala com reforço de concreto que o abrigará e cuja licitação está em fase de conclusão. A obra terá a duração de seis meses e, em seguida, o aparelho passará pela fase de testes para ser incorporado ao Serviço de Radioterapia da FCecon.

O acelerador possibilitará, além do aumento de aproximadamente 80% na oferta de tratamento radioterápico, a adoção de novas técnicas de radioterapia, a exemplo da chamada “conformacional tridimensional”, necessária nos casos de câncer de próstata e que hoje é feita na rede particular por pacientes da rede pública, por meio de contrato firmado com o Estado.

Investimentos e agenda positiva

Entre 2010 e 2011 o orçamento autorizado para a FCecon aumentou em mais de R$ 3 milhões, passando de R$ 54 milhões para pouco mais de R$ 57 milhões, um acréscimo de 5,6%. O número de atendimentos também sofreu crescimento. Segundo mostram as estatísticas, em 2010 foram realizados 821.611 atendimentos e em 2011, 855.082, 4,1% a mais que no ano anterior.

Para este ano o orçamento total é de R$ 70 milhões, ou seja, R$ 13 milhões a mais que em 2011, um acréscimo programado de 22,8%. A partir dele, será possível realizar procedimentos tais como os previstos no cronograma denominado “Agenda Positiva”, a qual se resume em uma previsão de atendimentos a serem realizados em um período de 45 dias – a contar de 1º de junho -, os quais totalizam 111.833.

Entre eles estão 108.602 procedimentos ambulatoriais, 2.558 hospitalares, 17.042 consultas, 456 internações e 673 novos inscritos – novos pacientes.

Também fazem parte da agenda a realização de 4,4 mil procedimentos odontológicos, 9,9 mil na área de enfermagem, 55,1 mil exames, 1,7 mil atendimentos de urgência e emergência, 271 cirurgias e aproximadamente 7,3 mil em radioterapia e quimioterapia.

Os números são fruto de uma perspectiva baseada em estatísticas dos últimos dois anos e considerando um crescimento gradativo da demanda.

A “Agenda Positiva” atende a uma orientação da Secretaria de Saúde, Susam, e prevê uma série de atividades que, embora sejam rotineiras, mostram a importância regional do hospital que é referência no tratamento do câncer em toda a Amazônia Ocidental, tendo em vista os números significativos no atendimento.

Atenção oncológica

“O câncer exige uma atenção que não fica só no médico. É de caráter integral de uma equipe multidisciplinar”, explicou Edson Andrade. Assegurando que a equipe da fundação é extremamente qualificada para o trabalho que presta à população do Amazonas e estados e países vizinhos que procuram atendimento da unidade hospitalar. “Hoje, além de vários mestres, a FCecon possui cinco doutores, o que mostra que a equipe é altamente qualificada”.

Outra peculiaridade da fundação são as residências em oncologia clínica, oncologia cirúrgica e cirurgia de cabeça e pescoço, as quais tornam a instituição não só um centro de atenção, mas também de formação e qualificação de profissionais.

Fonte aqui
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Manipulação de resultado de pesquisas com novas drogas


A manipulação de dados para que se obtenham resultados favoráveis em estudos sobre medicamentos novos no mercado é uma prática comum dos laboratórios, segundo denúncia publicada ontem no British Medical Journal.
De acordo com o autor, um ex-funcionário de um grande laboratório que escreveu sob anonimato, os estudos realizados após a aprovação das drogas têm como objetivo alavancar as vendas dos produtos, e não determinar sua segurança de uso.
O artigo foi publicado junto com análise de estudos pós-venda de alguns remédios contra diabetes tipo 2.

Esse tipo de pesquisa é feito quando a droga está no mercado e, portanto, já passou pelas três primeiras fases de teste, necessárias para que o remédio possa ser vendido. Depois disso, são feitos estudos de fase 4 ou observacionais, que analisam o desempenho da droga na "vida real", sem as intervenções dos cientistas e os controles das pesquisas laboratoriais.

De acordo com o reumatologista Marcelo Schafranski, autor do livro "Medicina - Fragilidades de um modelo ainda imperfeito" (Ed. Schoba), a análise pós-venda é importante para avaliar o peso dos efeitos colaterais e o custo-benefício das novas drogas.

Mas faltam regras para controlar a metodologia desses trabalhos, muitas vezes patrocinados e elaborados pelas próprias fabricantes dos remédios. "Os resultados publicados são escolhidos após a coleta dos dados. São selecionados desfechos favoráveis para o fabricante do remédio, em vez de resultados como número de mortes ou internações em UTI. Do jeito que está esse tipo de estudo não tem credibilidade."

Um dos estudos, com mais de 66 mil pessoas, acompanhou os voluntários por 18 meses (quando o ideal para esse tipo de pesquisa são cinco anos) e exigia como comprovação de efeito colateral (hipoglicemia) um exame laboratorial. Com isso, foram registrados pouquíssimos desses eventos, dando aparência de vantagem da nova droga sobre a antiga.

De acordo com o texto publicado pelo ex-funcionário da indústria, além de mexer nas estatísticas, os laboratórios permitem que o departamento de marketing acompanhe todas as etapas dos estudos. O grande número de pacientes participantes serve, segundo ele, para disseminar a prescrição do novo remédio entre os médicos.

"Levávamos os médicos para os melhores hotéis e restaurantes durante as reuniões. Depois, atuavam como 'embaixadores', dando conferências, ensinando médicos e falando com a mídia sobre os benefícios da droga."

OUTRO LADO

As empresas citadas nos artigos do British Medical Journal responderam por meio de nota aos questionamentos publicados.

O laboratório Sanofi afirmou que acredita que os ensaios clínicos devem contar com objetivos científicos claros "para ampliar a base de evidências em prol dos interesses dos pacientes".

Segundo o comunicado, esse princípio é aplicado em todas as pesquisas conduzidas pela empresa. A Sanofi diz ainda que os estudos atendem aos quesitos éticos e regulatórios do Brasil.

"No país, foram e são realizados estudos de alto grau de evidência científica, visando ao melhor controle do paciente com diabetes."

A farmacêutica Eli Lilly afirmou que "não realiza pesquisas médicas com a intenção de que a condução do estudo aumente as vendas de um medicamento".

A empresa disse ainda que continua comprometida com a realização de pesquisas de impacto e relevância, que respondam a questões científicas e clínicas.

A Novo Nordisk disse que seus estudos clínicos estão "100% alinhados" com regras estabelecidas pelas agências regulatórias de cada país.

Fonte aqui. Ilustração: edição de imagem do Googleimages.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

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Nanopartículas inibem 100% metástase de linfoma em ratos


Pesquisadores espanhóis elaboraram um tratamento com nanopartículas que inibe 100% das metástases linfáticas em ratos com linfoma de manto (forma agressiva de linfoma não-Hodgkin), segundo resultado divulgado no último dia 7 pela equipe de estudos formada por cientistas da Universidade de Navarra em colaboração com o Centro de Pesquisa do Câncer de Salamanca.

O tratamento é feito com um remédio baseado em nanopartículas lipídicas carregadas com o fármaco antitumoral edelfosina, administrado de forma oral.

A pesquisa, publicada na revista Nanomedicine UK demonstra que essas nanopartículas são capazes de se acumular nos gânglios linfáticos e destruir seletivamente as células tumorais que lá se encontram e, além disso, tornam possível a liberação do fármaco antitumoral de maneira sustentada.

Este fato, unido à administração oral do remédio, evitaria, segundo a Universidade de Navarra, a hospitalização que a quimioterapia tradicional requer, já que neste caso o tratamento é feito por via intravenosa.

O estudo destaca que as nanopartículas são capazes de atacar as células doentes sem atingir as boas, ou seja, são fármacos seletivos e pouco tóxicos.

O grupo de pesquisa analisou a eficácia desses nano sistemas terapêuticos em ratos com linfoma do manto, uma doença atualmente incurável e cuja evolução é variável em cada paciente, embora a média de sobrevivência seja de três a quatro anos.

Os resultados do estudo indicam que uma administração de nanopartículas de edelfosina a cada quatro dias é tão eficaz como uma administração diária do fármaco sem nanopartículas para a redução do tamanho do linfoma de manto implantado em ratos, ressalta o centro.

No entanto, o resultado 'mais surpreendente' da pesquisa foi observado ao ser analisada a capacidade antimetastática das nanopartículas com edelfosina.

'Enquanto a administração diária do fármaco sem nanopartículas reduzia as metástases em 50%, a administração a cada quatro dias das nanopartículas com edelfosina eliminou 100% das metástases linfáticas', ressalta.

Estes resultados abrem uma nova porta na pesquisa e desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e seguros contra diversos tipos de câncer, diz a universidade. Os cientistas ainda afirmaram que conseguiram bons resultados em cobaias com glioma (tumor cerebral), e que está sob análise a eficácia dos nano sistemas em casos de leucemia linfoblástica aguda e câncer de mama. 

Fonte aqui

segunda-feira, 18 de junho de 2012

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Câncer de próstata: interromper terapia hormonal pode significar dois anos a menos de vida


A terapia hormonal consiste em interromper a produção de testosterona, responsável por aumentar os tumores de próstata. Muitas pessoas fazem o tratamento de forma descontínua para tentar conter os efeitos secundários, que podem ser perda da função sexual, ondas de calor, ossos enfraquecidos e até problemas cardíacos.

Homens com câncer da próstata metastático que fazem terapia hormonal contínua podem viver até dois anos mais do que aqueles que interrompem o tratamento, afirma um estudo desenvolvido pela University of Michigan Comprehensive Cancer Center.

O estudo, divulgado na Sociedade Americana de Oncologia Clínica, foi feito com mais de 1.500 homens com câncer da próstata. Eles foram acompanhados durante quase uma década. O grupo foi dividido entre aqueles que fizeram a terapia hormonal contínua e os que fizeram a terapia intermitente. Analisando os resultados, os investigadores descobriram que a terapia contínua acrescentava anos de vida aos pacientes.

Os autores afirmam que a terapia interrompida não deveria mais ser recomendada como tratamento inicial, ainda que os seus efeitos secundários sejam menos nocivos. De acordo com eles, os homens precisam refletir se eles estão dispostos a negociar ondas de calor com o acréscimo de dois anos nas suas vidas.

Fonte aqui

Ator americano usa maconha para se tratar de câncer de próstata.

Tommy Chong, comediante da dupla Cheech & Chong, ficou famoso na década de 70 falando do amor que tinha pela maconha, em álbuns e shows de comédia. Chong, agora lutando contra um câncer de próstata, acredita que a cannabis é a chave para sua cura.

Hoje com 74 anos, Tommy contou ao site CNN que lida há oito anos com os sintomas da doença, mas que só foi diagnosticado há um mês. Desde então, aposta no óleo de cânhamo para se tratar. Mas só de noite, “se não, fico louco o dia todo”, entrega. O óleo é mais um dos produtos que pode ser extraído da Cannabis sativa, a maconha.

“Legalizar a maconha significa muito mais para mim do que simplesmente fumar um baseado sem ser preso. Cannabis é a cura”, afirmou o comediante. Apesar de continuar um ativista fervoroso pela legalização, Chong disse que deixou de fumar marijuana há um ano, por questões de saúde.

Os shows da dupla não são tão populares aqui no Brasil, mas Chong também fez parte do elenco de “Miami Vice”.

Fonte aqui

domingo, 17 de junho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

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Biotecnologia, a arma da vez contra o câncer.


Avastin, Humira, Rituxan, Enbrel, Lantus, Herceptin e Remicade. Esses são os nomes de sete medicamentos que até 2014 devem estar no ranking dos dez maiores do mundo em termos de receita, segundo a EvaluatePharma, uma das principais consultorias do setor.
Todos são fruto de uma frente de pesquisas promissora, a biotecnologia. Em vez de componentes químicos, a técnica usa células e outros organismos vivos para tratar doenças. Em 2000, havia apenas um biotecnológico na lista das dez drogas que geravam mais receitas para as farmacêuticas. Mas o futuro parece claro: a fronteira estará cada vez mais ligada à biotecnologia. É nela, também, que reside a esperança dos 12 milhões de pessoas diagnosticadas com câncer todos os anos.
Hoje eles são cinco — indicados para tratar doenças que vão de artrite a diabetes. Esse crescimento se deu em parte por razões científicas. A evolução da engenharia genética e o mapeamento do genoma humano, concluído em 2003, permitiram aos cientistas desenvolver pesquisas para tratamentos mais eficazes.
Na lista das drogas que mais faturam hoje, duas são biotecnológicas indicadas para o tratamento de câncer — número que deve crescer nos próximos anos. 

Como as substâncias dos biotecnológicos caem na circulação sanguínea e só atacam as células que se combinam com seu antídoto, esses remédios causam menos efeitos colaterais e são considerados ideais para pacientes com tumores. Nesse sentido, diferem de tratamentos como a quimioterapia, que combate qualquer célula que se reproduza rapidamente, mesmo saudável.

O interesse dos laboratórios pelos remédios feitos de células e organismos vivos tem também uma razão mercadológica. Recentemente, as patentes de alguns dos mais lucrativos medicamentos químicos começaram a expirar.
 
A fórmula do Lipitor, indicado para o tratamento do colesterol e, até o ano passado, detentor do título de remédio com maior faturamento do mundo, passou a ser compartilhada com os fabricantes de genéricos em março de 2010. Neste ano, o mesmo vai acontecer com outros 12 remédios de Roche, Novartis e outras companhias, que terão perda anual de 27 bilhões de dólares de receita até 2015.

“As corporações estão investindo em biotecnologia numa tentativa de recuperar uma parcela das fontes de receita perdidas”, diz Michael Rosen, vice-presidente do ForestCity, grupo que controla o parque tecnológico do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Para os grandes laboratórios, as pesquisas em biotecnologia representam um vasto campo a ser explorado — uma realidade diferente das investigações com drogas químicas, há décadas o foco do setor. 

Uma das peculiaridades dos biotecnológicos é que a pesquisa e o desenvolvimento nessa área são mais caros do que a produção de remédios químicos. Por ser personalizados, é difícil testá-los em grande escala. Habituados às pesquisas químicas, alguns laboratórios deixaram o novo campo de lado por vários anos.

Numa tentativa de recuperar o tempo perdido, partiram para a aquisição de grandes empresas de biotecnologia — foi o que fez a Pfizer ao comprar a Wyeth por quase 70 bilhões de dólares. Recentemente, o setor vem seguindo a lógica do mercado de internet, em que grandes corporações pagam bilhões por pequenas empresas que desenvolvem uma tecnologia considerada promissora.

Em abril, a inglesa AstraZeneca comprou por 1,2 bilhão de dólares a americana Ardea Biosciences, que estuda medicamentos para alguns tipos de câncer com menos de 100 funcionários. De certa forma, foi como a aquisição do aplicativo de fotografia Instagram pelo Facebook.

O que tem atraído a atenção das farmacêuticas em especial são as empresas dedicadas à pesquisa de um ou mais dos cerca de 200 tipos de câncer catalogados. Ao comprá-las, ganham alguns anos de pesquisa — em outras palavras, usam as aquisições como estratégia para atalhar o caminho até o lançamento de um remédio.    

No Brasil, a biotecnologia, embora nu­ma escala menor, também tem atraí­do investimentos. Após receber 50 milhões de reais de vários fundos, a Recep­ta Biopharma, de São Paulo, passou a desenvolver uma droga para combater o câncer de ovário batizada de RebmAb.

Baseado no que foi feito até agora, o Food and Drug Administration, órgão regulador americano, deu recentemente uma validação preliminar à fase final de testes.

Em março, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou investimentos em duas empresas: a Bionovis, formada pelos laboratórios Aché, EMS, Hypermarcas e União Química, e outra empresa ainda sem nome, dos laboratórios Biolab, Cristália, Eurofarma e Libbs.

Cada uma recebeu 500 milhões de reais. Mesmo os maiores entusiastas da biotecnologia concordam que os remédios químicos vão continuar sendo a grande fonte de receitas do setor — acima de 70% do faturamento global pelo menos até 2016.
Fonte aqui.
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Segunda opinião


quarta-feira, 13 de junho de 2012

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Projeto de Lei torna crime exigência de caução ou promissória em emergências médicas


O Plenário da Câmara Federal aprovou quarta-feira passada o Projeto de Lei que aumenta a pena para instituições e profissionais que condicionarem o atendimento médico emergencial a qualquer tipo de garantia financeira (cheque-caução ou nota promissória). A proposta, de autoria do Poder Executivo, ainda será votada no Senado. As informações são da Agência Câmara.

O projeto muda o Código Penal ao criar um novo tipo de crime específico, relacionado à omissão de socorro (artigo 135). Atualmente, não há referência expressa nesse artigo quanto ao não atendimento urgente de saúde.

A pena definida pelo projeto é de detenção de três meses a um ano e multa. Hoje, a punição prevista para omissão de socorro é detenção de um a seis meses ou multa. Os agravantes continuam os mesmos, com aplicação da pena em dobro, se da prática resultar lesão corporal grave; e até o triplo, em caso de morte.

Os deputados Amauri Teixeira e Arnaldo Faria de Sá deram pareceres favoráveis pela Comissão de Seguridade Social e Família e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O projeto prevê também a obrigatoriedade de os estabelecimentos afixarem, em local visível, cartaz ou equivalente com a informação de que constitui crime a exigência dessas garantias financeiras ou ainda o preenchimento prévio de formulários para o atendimento.

O governo federal passou a dar atenção especial à recusa de atendimento em hospitais particulares desde a morte do então secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, em 19 de janeiro deste ano. Após ter passado por dois hospitais privados de Brasília, Duvanier acabou falecendo em um terceiro estabelecimento particular. Segundo a família do ex-secretário, na ocasião, os hospitais teriam exigido a entrega de um cheque-caução.

Fonte: aqui

terça-feira, 12 de junho de 2012

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Indicações medicamentosas aqui do blog


Temos sido alvo de críticas - as mais injustas, naturalmente - a maioria vindas de pessoas insensíveis, por nos termos mantido até aqui distantes da iniciativa de recomendar drogas ou tratamentos aqui no blog.
Mas afinal, como medicamento no Brasil nem sempre é coisa séria (já experimentaram tomar antibiótico genérico?), fizemos uma seleção extremamente criteriosa de alguns medicamentos de nossa farmacopeia que poderão aliviar o sofrimento de muitos impacientes e seus familiares. Mas nunca deixe de consultar seu médico. Eis a relação, todos aprovados pela AVISA:

TAMOFU® (cápsulas) - Para os curiosos e impacientes que teimam em abrir antes do médico o envelope com o resultado dos exames de laboratório. Tomar uma cápsula imediatamente após a leitura do laudo.
SEMANCOL® (gotas) – Indicado para os invasivos sociais crônicos, ou portadores do “mal do bicão“. Os doentes crônicos devem toma-lo o resto da vida.
VIADIL® (gotas) – Finalmente no Brasil, desenvolvido pelo laboratório Atocha®.  Indicado para mães desesperadas utilizarem com seus filhotinhos “diferentes”, mas pode ser usado sem restrições de idade. Disponível também em supositórios GG.
CHÁ DE SUMIÇO® (infusão) – Tomar toda vez que sua mulher apresentar aqueles sintomas de TPM selvagem.
ANTI-FACEBOOK® (pastilhas) – Indicado para os que desenvolveram dependência compulsiva da rede social. Deve-se inserir uma pastilha na boca e ficar chupando em conjunto com o polegar da mão direita, enquanto se introduz o dedo indicador da mesma mão na narina direita. Baseia-se na famosa “terapia da substituição”, que consiste em trocar um hábito idiota nocivo por outro apenas idiota.
ASSACU® (cápsulas) – Inócuo e de aplicação ampla, como a maioria dos fitoterápicos. Mas há quem goste dos efeitos colaterais.
I WANT NOT BE YOUR FATHER® (preservativo) - Recomende para seu filho adolescente toda vez que ele sair de casa com aquela cara inequívoca de comedor.
Phoda-C® – Indicado nos casos agudos e crônicos de deficiência e insuficiência cultural, podendo ser ministrado em associação com o SEMANCOL®. Os doentes, também chamados “chatos de galocha” ou portadores do “mal de mala sem alça”, geralmente chegam à fase adulta sem sequer terem lido um único livro e ainda se gabam disso. Existe ainda uma variedade da mesma doença chamada “leseira baré”, por ser endêmica na região da margem esquerda do Rio Negro.
Sintomas: devido à insuficiência cultural aguda, os enfermos balbuciam perguntas e comentários idiotas sobre a idade, a aparência, a estatura e o peso das pessoas com as quais querem entabular conversação.
Posologia: aplique um ou dois Phoda-C® toda vez que começarem a encher o saco.
Ilustração:: colagem a partir de imagens do Googleimages