domingo, 19 de dezembro de 2010

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Meu umbigo e uma pequena pausa aqui no blog


Antes de falar de mim e de meu tratamento, tem-me sido bem mais fácil (e acho até que isso se tem traduzido em mais utilitarismo para aqueles que acompanham o blog) limitar-me a postar - antes mesmo que venham a ser publicadas nos principais portais eletrônicos de notícias do país - as matérias que pesquiso e traduzo dos sites de instituições reconhecidas como de excelência no desenvolvimento e na publicação de pesquisas na área da oncologia. E isso, sem o sensacionalismo irresponsável que muitas das vezes só desperta falsas esperanças em quem já está vulnerabilizado pela gravidade de uma enfermidade.
Mas hoje vou falar um pouco do andamento do meu tratamento contra o linfoma, uma forma de câncer do sistema linfático que descobriram em mim em agosto do ano passado.  Quem se interessar pelo histórico pode ver como tudo começou consultando os arquivos do blog.
Depois que recebi o 6º ciclo da quimioterapia R-chop no Hemoam, os exames de controle verificaram uma redução no tumor de 12 cm para algo em torno de 5,5 cm. Claro que eu preferia uma remissão total, mas só tenho que agradecer a Deus essa vitória parcial: e não poderia ter sido pior?
Passei a fazer exames de controle de 3 em 3 meses e a tomar o Mabthera (Rituximab, ou Rituxan) com a mesma periodicidade. O 2º exame e a 2ª aplicação foram no início do mês de outubro/10 e não indicou alteração consistente no tamanho do tumor. Devo continuar tomando o Mabthera como terapia de manutenção. O hematologista que me trata já me disse que se o tumor voltar a crescer, o mais indicado a fazer será o transplante autólogo de medula.
Voltei às minhas atividades normais em abril/10. Até hoje sinto uma ardência na planta do pé esquerdo e, às vezes, simplesmente deixo de senti-lo, como se ele não existisse, e há cerca de um mês voltei a sentir também coceiras nas pernas todas as noites, mas não com o mesmo frenesi do dia em que fiz a laparotomia exploratória, quando foram removidos pedaços do tumor para exame (biópsia) e cocei e esfreguei tanto minha bunda que quase arranco pedaços.
A doença mudou algumas coisas em mim, na minha vidinha, na minha percepção do mundo, umas pra melhor; outras, pra pior. Ela me trouxe, por exemplo, uma consciência mais concreta do fenômeno da morte material como uma experiência intrínseca à vida na face da terra, e sua implicância no afastamento definitivo de meus entes queridos. Trouxe-me também certa irritabilidade, uma ansiedade que às vezes não consigo controlar face minha inabilidade para lidar com coisas não-resolvidas, pendentes sobre minha cabeça. Mas me anima pensar que tudo vai dar certo, e isso deve ser importante em todo esse processo.
Quero desejar a todos os amigos e àqueles que acompanham o meu trabalho aqui no blog, mas, sobretudo e principalmente àqueles que estão nesse momento lutando bravamente pela vida contra esta doença infame em casa, junto da família ou internados em uma unidade de tratamento hospitalar, um Natal e um novo ano cheios de luz e de esperança, cheios de merecimento pela saúde e pela cura redentora.
Que Cristo, nosso exemplo maior cujo advento comemoramos nesta época (mesmo convencido que de fato seu nascimento se deu em setembro),  não seja apenas um nome, mas, sobretudo um princípio, um Estado de Consciência a buscarmos obstinadamente nesta aventura aqui no Planeta Azul de existência material.
Eu os abraço a todos, fraternalmente, e agradeço. Fiquem com Deus!
A partir de hoje estarei afastado aqui do blog, em viagem de férias com Sandrinha, até o dia 17/01/11. Espero encontrá-los na volta para juntos darmos continuidade a este modesto trabalho.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

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Braquiterapia no tratamento do câncer de próstata – um depoimento, uma opção

O diagnóstico do câncer geralmente deixa as pessoas aturdidas e freqüentemente apavoradas, impedindo-as, na maioria das vezes, de adotar serenamente a melhor decisão terapêutica para o seu caso. O depoimento que recebí e publico hoje, pela sua relevância evidente, é um exemplo da importância de se ouvir uma segunda opinião antes de se optar por um tratamento que poderá implicar em seqüelas irreparáveis, sem necessidade.
A braquiterapia é um procedimento cirúrgico muito pouco invasivo, em que materiais radioativos são implantados no paciente nas proximidades do tumor. É utilizada para tratar tumores de pequenas dimensões e permite que uma maior dose de radiação atinja as células neoplásicas, poupando ao máximo os tecidos normais adjacentes.
M
eu nome é Paulo da Luz, tenho 55 anos de idade, sou Técnico de Segurança Sênior, lotado na Petrobrás/Engenharia/IEGA/LAQSMS, morando em Balneário Camboriu/SC e trabalhando no Rio de Janeiro/RJ.

Sempre levei uma vida saudável, sem vícios, praticando esportes e controlando a alimentação com muita salada, frutas, verduras, evitando frituras, gorduras, embutidos, conservantes, refrigerantes, etc.

O relato que se segue visa esclarecer e orientar sobre o procedimento Braquiterapia de Próstata com Implante de Sementes Radioativas para o tratamento efetivo do câncer de próstata:

A partir dos 50 anos de idade, durante a realização anual dos exames periódicos, também devemos medir o índice de PSA, realizar a ultrassonografia abdominal total e consultar o urologista, quando ocorre o toque retal.

Todos os meus exames de ultrassonografia e toque sempre tiveram resultados normais, embora os valores dos últimos PSA fossem um pouco elevados, a saber: 29/07/2008: 2,87 e 13/08/2009: 3,62.

A partir deste último índice, fui ainda mais rigoroso com a alimentação julgando que reduziria o índice do PSA ao consumir bastante tomate, beterraba, grãos, enfim tudo que diziam ser bom para a próstata. Infelizmente os conseguintes exames de PSA que realizei nos dias 23/10/2009: 3,40 e no dia 08/02/2010: 3,56 não foram muito otimistas, embora ainda posicionados dentro da faixa tolerável informada pelos laboratórios, que era de 4,00.

Levei os resultados ao urologista no Rio de Janeiro, que me examinou e embora constatando que a próstata estava normal, solicitou uma biópsia. E no dia 13 de julho de 2010 o médico urologista do RJ, com base no resultado da biópsia, me informou que eu tinha câncer de próstata e que devia me submeter à cirurgia o mais breve possível, dentro de um mês. E na cirurgia, não teria como preservar os feixes nervosos, impossibilitando definitivamente a ereção, de forma irreversível, e que talvez, com o tempo, a incontinência urinária poderia deixar de ocorrer. Enquanto falava, ele prescrevia e me passava diversas receitas de exames pré-operatórios.

Neste momento perdi totalmente o prumo. Estava em um local distante de casa, longe da família e sem saber o que fazer e/ou pra onde ir. Depois de tanta dedicação ao trabalho e próximo do momento de curtir a merecida aposentadoria, surge uma doença deste nível para mudar totalmente nossos planos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

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Portador de câncer tem benefícios especiais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que o número estimado de novos casos de câncer em todo o mundo chegará a 15 milhões em 2020. A Constituição Federal brasileira assegura aos portadores de neoplasia maligna (câncer) alguns direitos especiais, mas a falta de informação é grande e muitos portadores deixam de desfrutar desses benefícios por desconhecerem seus direitos.
O
 câncer pode ser controlado e, se diagnosticado precocemente, a cura é possível em muitos casos. Entretanto, o tratamento da doença pode ter um custo elevado, além de causar complicações físicas e psicológicas ao paciente. Por isso, foi instituído o direito constitucional aos portadores de câncer. Muitas entidades editam cartilhas e diversos materiais informativos sobre esses benefícios, a exemplo do Instituto Nacional do Câncer (INCa), da Associação Brasileira de Combate ao Câncer Infantil e Adulto (Abraccia), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), etc, mas a falta de informação ainda é um dos maiores inimigos dos portadores de câncer.
Esses benefícios vão da isenção de pagamento do Imposto de Renda que incide na aposentadoria, andamento prioritário de processos judiciais, levantamento do FGTS, quitação de imóvel, levantamento de seguro de vida e previdência privada, saque do PIS, auxílio transporte, isenção de IPI, ICMS e IPVA na aquisição de veículos especiais, entre outros. Conheça alguns desses direitos:
O acesso aos dados do serviço médico se dá pelo requerimento à instituição de saúde que detenha os dados do prontuário.
Benefício auxílio-doença será devido ao segurado da Previdência Social que ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual, nos termos da C.L.T. É devido ao segurado empregado a contar do décimo-sexto dia do afastamento da atividade.
Aposentadoria por invalidez – devida ao segurado que, estando ou não em gozo do auxíliodoença, for considerado incapaz e insusceptível de reabilitação para o exercício da atividade que lhe garanta a subsistência e será paga enquanto permanecer nessa condição. Se o segurado do INSS necessitar de assistência permanente de outra pessoa, a critério da perícia médica, o valor da aposentadoria por invalidez será aumentado em 25% a partir da data de sua solicitação.
Isenção do imposto de renda na aposentadoria – poderá ser requerida junto ao órgão competente, ou seja, aquele que paga a aposentadoria (INSS, Prefeitura, etc).
Benefício de prestação continuada (LOAS) – devido àquelas pessoas que não têm acesso aos benefícios previdenciários. Garante um salário mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e/ou idoso com 67 anos ou mais, que comprove não possuir meios de promover a própria manutenção e nem tê-la promovida por sua família. Esse benefício pode ser solicitado nas Agências da Previdência Social mediante o cumprimento das exigências legais.
Isenção da contribuição previdenciária – sobre a parcela de até três mil reais dos proventos dos servidores públicos federais aposentados por invalidez.
Passe livre em transporte coletivo interestadual para pessoas carentes portadoras de deficiência.
Liberação do Fundo de Garantia e do PIS/Pasep – deve ser requerido junto à Caixa Econômica Federal. É devido ao trabalhador com neoplasia maligna (câncer) ou o trabalhador que possuir dependentes, registrados no INSS, acometidos de câncer.
Cirurgia plástica reparadora de mama pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS), nos casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer.
Quitação do financiamento de imóvel junto à Caixa Econômica Federal sujeito à verificação e composição de renda familiar no contrato de financiamento.
Isenção de ICMS, IPI e IPVA, caso a doença ocasione deficiência nos membros, superiores ou inferiores, que a impossibilite de dirigir automóveis comuns.
Isenção do ICMS – Deverá ser requerida junto à Secretaria da Fazenda do Estado, na aquisição de veículos especiais. Cada Estado tem uma regulamentação própria para a isenção. Em São Paulo, por exemplo, estão isentos os veículos de até 127 HP de potência bruta, adaptados ao uso de pessoas portadoras de deficiência física (caso de mulheres submetidas a mastectomia decorrente de neoplasia maligna).
Isenção do IPI – A ser requerida junto à Secretaria da Receita Federal, na aquisição de veículos por portadores de deficiência Física.
Isenção de IPVA – A ser requerida junto à Secretaria da Fazenda do Estado.
Dica: O portador de câncer deve guardar todos os laudos, receitas, exames, radioterapias, tomografias, entre outros documentos, além de seus pessoais, que comprovem o problema de saúde. Estes são documentos importantes em qualquer processo judicial.
Fonte: http://www.vocesabia.net/ciencia/portador-de-cancer-tem-beneficios-especiais

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

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Termoterapia pode substituir quimioterapia, dizem cientistas

C
ientistas consideram que a termoterapia pode ser uma alternativa à quimioterapia no combate ao câncer, segundo um estudo apresentado nesta terça-feira durante a reunião anual da American Physical Society.
O novo tratamento utiliza a hipertermia para aquecer apenas o tumor a uma temperatura de 56ºC, o que destrói o tecido cancerígeno enquanto mantém o tecido em volta sadio, a não mais de 41ºC.
Segundo indicou Ishwar Puri, professor da Universidade Virgínia Tech e diretor da pesquisa, foram realizados até o momento apenas experimentos in vitro, mas está prevista a continuação do estudo com animais.
Os pesquisadores planejam provar seu método mediante a realização de experimentos com células de câncer diferentes, em colaboração com o doutor Elankumaran Subbiah, da Escola da Virgínia-Maryland de Medicina Veterinária.
Estudante do Ceará desenvolve novo método de combate ao câncer
U
m novo tratamento contra o câncer é o objeto de estudo de um aluno de engenharia de telecomunicações do instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará. O sistema criado pelo estudante permite transportar e controlar com alta precisão os fármacos constituídos de nanopartículas com propriedades magnéticas capazes de atingir tumores de difícil acesso.
Com o sistema, pacientes poderiam evitar a realização de cirurgias, além de otimizar a chegada dos medicamentos ao órgão afetado. Além disso, o câncer tem a capacidade de se proliferar para outros tecidos em uma velocidade alta. O novo método permite um maior controle sobre esse avanço.
A diminuição dos danos causados por tratamentos como a quimioterapia é um dos objetivos do estudo. A intenção do estudante é de que os pacientes fiquem menos debilitados no combate à doença.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

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Novo protocolo de tratamento para o linfoma para pacientes que têm um pior prognóstico

A terapia de altas doses seguida de transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas, após a primeira remissão completa ou parcial de linfoma folicular, poderia ajudar a aumentar a sobrevida dos pacientes. Esta é a conclusão de um estudo de fase II realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford Medical Center, na Califórnia, em 37 pacientes.

Os pacientes receberam irradiação corporal total e etoposide, assim como doses elevadas de ciclofosfamida seguidas por células-tronco autólogas de medula óssea.

Os resultados foram comparados com os de 188 pacientes com características similares tratados anteriormente com o protocolo clássico. Após um seguimento médio de 6,5 anos, o risco de morte em 10 anos foi estimado em 14%, ou seja, 38% menos do que o indicado na literatura. O risco de recorrência em 10 anos foi de 30% em comparação a 70% no grupo controle.

Segundo os autores, este regime tem um maior risco de efeitos secundários e deve ser reservado para pacientes que têm um pior prognóstico.
Traduzido de italiasalute. Leia original aqui.

sábado, 11 de dezembro de 2010

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Uma aspirina por dia reduz risco de morte por câncer em 21%


A aspirina (ácido acetil salicílico) é mais velha que Hipócrates, o pai da medicina. Extratos de casca de salgueiro (árvore donde é extraído o ácido salicílico), contendo seu princípio ativo, foram utilizados desde o neolítico, por suas propriedades analgésicas, antiinflamatórias e antitérmicas. Desde 1899, a lista de seus benefícios alonga-se constantemente. Já está sedimentada e reconhecida clinicamente a sua ação como antiagregante plaquetário, o que protege o coração de isquemias e o cérebro dos temíveis acidentes vasculares (AVC). Admite-se, doravante, para a aspirina um papel "adjuvante" contra o câncer.

A
 ingestão diária de uma aspirina reduz o risco de morte por câncer em 21% após cinco anos de uso, e os benefícios parecem aumentar com o tempo, persistindo por 20 anos em muitos casos, revelaram investigadores britânicos em um artigo publicado no The Lancet, após a coleta de dados de oito estudos clínicos envolvendo 25.570 participantes que já estavam em terapia com aspirina, pelo menos há quatro anos. Em todos os casos os ensaios colocaram a aspirina em comparação a um placebo.

Eles também descobriram que o risco de morrer por qualquer causa (não apenas de câncer) foi 10% menor para aqueles que tomavam 75 mg de aspirina por dia. As doses de aspirina nos oito ensaios variou de 75mg a 500mg por dia. Os ensaios estudados foram realizados originalmente para a prevenção de eventos vasculares.

Estudos anteriores haviam sugerido que pode haver benefícios na terapia com aspirina a longo prazo contra o câncer de cólon. Este é o primeiro estudo, os autores explicam, para mostrar que a aspirina protege contra outros tipos de câncer, como o de esôfago, pulmão, gastrointestinais, cérebro e pâncreas.

Os autores dizem que suas descobertas têm implicações para as diretrizes de uso de aspirina, bem como na compreenção do processo de desenvolvimento do tumor (carcinogénese) e o impacto da intervenção medicamentosa.

Eles explicaram que suas descobertas levam a crer que os benefícios da aspirina diariamente para aqueles com 45 anos ou mais superam os eventuais riscos de efeitos colaterais. Historicamente, a relação do uso da aspirina a longo prazo com o risco de sangramento intestinal tem feito muitos médicos deixar de prescrevê-la. Contudo, sabemos que a aspirina em baixa dose diária a longo prazo pode proteger de eventos cardiovasculares e acidente vascular cerebral.

Segundo o estudo, aspirina diária e a longo prazo pode reduzir:
- o risco de câncer de próstata em 10%
- o risco de câncer de pulmão em 30%
- o risco de câncer do intestino em 40%
- o risco de câncer de esôfago / garganta em 60%

O líder do estudo, Peter Rothwell, da Universidade de Oxford, Inglaterra, tem tomado aspirina diariamente nos últimos dois anos. Ele acredita que as descobertas de sua equipe terão um grande impacto nas políticas de saúde pública. E acrescenta que uma aspirina por dia parece ser mais benéfico do que prejudicial.

Os investigadores pensam que o melhor momento para começar a ingestão diária de aspirina seria quando aumenta significativamenteo risco de a maioria dos cânceres surgirem, a partir dos 40 anos.

Mas a aspirina não é a única medida necessária para reduzir os riscos de câncer. Estilo de vida e hábitos saudáveis, não fumar ou beber em excesso e ter uma dieta saudável, em conjunto, têm um papel importante a desempenhar. As pessoas não devem ignorar os sintomas de alerta, como sangramento retal, especialmente se associada a dor abdominal, alteração do hábito intestinal ou perda de peso."
Traduzido e condensado de medicalnewstoday. Leia original aqui.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

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Biotecnologia e Imunoterapia: planta do tabaco para vacinas contra linfomas

Um ensaio clínico internacional, com a participação dos Estados Unidos, da Espanha e da Alemanha utiliza as folhas da planta do tabaco - a mesma que em outras circunstancias servem de base para a fabricação de fumo - na produção de vacinas personalizadas contra o linfoma folicular.
O linfoma folicular é um tipo freqüente de câncer que se caracteriza por um crescimento dos linfócitos B, que são células que fazem parte do sistema imunológico do organismo. A incidência desta patologia é elevada. Na Espanha, por exemplo, a cada ano se diagnosticam 5 mil novos casos em pessoas maiores de 40 anos.
O trabalho foi apresentado na 52ª reunião anual da Sociedade Americana de Hematologia encerrado anteontem, em Orlando, EUA.
O
 novo ensaio, dirigido pelo investigador Maurizio Bendandi, especialista em hematologia do Centro de Investigación Médica Aplicada (CIMA) da Universidade de Navarra, na Espanha, tem como objetivo produzir, a partir de folhas de plantas de tabaco, vacinas idiotípicas, personalizadas contra o linfoma folicular.
O estudo está sendo financiado pela farmacêutica alemã Bayer e conta com a participação dos especialistas de Navarra, já que a empresa alemã os selecionou em função dos bons resultados obtidos desde 2006 com as primeiras vacinas idiotípicas.
O objetivo prioritário da Bayer com este ensaio é valorizar a eficácia das proteínas obtidas com a nova tecnologia, capaz de encurtar o prazo de produção destas vacinas para apenas 6 semanas. Para se ter uma idéia, atualmente o tempo de elaboração destes preparados personalizados leva cerca de 9 meses, dada a complexidade da produção de um medicamento individualizado para cada paciente.
Uma vacina idiotípica é um fármaco elaborado com as células tumorais do próprio paciente. Elas apresentam na superfície uma proteína, denominada imunoglobulina, que tem uma parte específica que é o idiotipo. Esta proteína de superfície, depois de manipulada adequadamente, pode ser utilizada como vacina terapêutica, já que representa um antígeno (substancia capaz de estimular o sistema imunológico) específico para esse tumor específico.
O objetivo da vacina é ativar o sistema imunológico para que reconheça e destrua as células tumorais. Este procedimento poderá vir a ser útil para a maioria dos linfomas não-Hodgkin, e não apenas para o linfoma folicular, já que nos linfomas sabe-se claramente qual é o antígeno contra o qual se deve dirigir a resposta.
A previsão é de que a investigação se desenvolva até 2012 com uma amostra de 20 pacientes. O recrutamento, a biópsia dos gânglios e posterior tratamento dos enfermos estão ao encargo do Southwestern Medical Center de Dallas, nos EUA. Uma metade do material obtido na biópsia é enviada aos laboratórios da Universidade de Navarra, a outra metade vai para Halle, Alemanha, onde os técnicos da Bayer isolarão o material genético que será utilizado na produção da vacina.
O processo de elaboração das vacinas na Alemanha começa com a extração da informação genética que codifica o antígeno das células tumorais do paciente. Esta informação é introduzida então em um vírus que, por sua vez, é inoculado em uma bactéria. Em seguida, a bactéria infetará a planta do tabaco, que assim assimila a informação genética e começa a fabricar a proteína do tumor humano (idiotipo). Posteriormente, esta proteína será submetida a um processo de purificação para, a partir dela, elaborar a vacina.
A vacina personalizada assim obtida na Alemanha será então enviada a Dallas, onde será ministrada ao paciente correspondente. Uma injeção subcutânea que se aplicará, em cada um dos casos, uma média de seis doses durante 6 meses.
Os especialistas da Universidade de Navarra são os responsáveis pela avaliação da resposta de cada um dos pacientes.
Traduzido e condensado de RNW. Leia texto original aqui.
Post relacionado: Tabaco ? Quem diria.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

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Novo anticorpo monoclonal contra o Linfoma não-Hodgkin

A Roche anunciou na 52ª reunião anual da Sociedade Americana de Hematologia, encerrada ontem em Orlando, EUA, novos dados de eficácia de Fase II, obtidos a partir do GA101, composto experimental (RG 1759) para o tratamento de linfoma não-Hodgkin (NHL) indolente ou agressivo, reincidente / refratário, uma forma comum de câncer do sangue. Este é o primeiro anticorpo monoclonal especificamente concebido para melhorar a destruição de células neoplásicas B induzindo a outras células do sistema imunológico a atacá-las diretamente ou através da indução de morte celular.
O
 GA101 é um anticorpo monoclonal experimental que se liga à proteína CD20 presente nas células B neoplásicas. O complexo foi projetado especificamente para aumentar a destruição das células tumorais, induzindo ou outras células do sistema imunológico a atacá-las diretamente, ou através da indução de morte celular. O GA101 é o primeiro monoclonal anti-CD20 glicoprocessado tipo II que entra em ensaios clínicos para linfoma não-Hodgkin, e está sendo testado em diversos estudos de fase III, incluindo comparações diretas com o rituximab.
Os resultados, apresentados no 52º Encontro Anual da Sociedade Americana de Hematologia (ASH), em Orlando (Florida) têm mostrado taxas de resposta promissoras em pacientes com linfoma não-Hodgkin indolente ou agressivo, que são muito difíceis de tratar, que não tenham respondido a terapias anteriores, incluindo o tratamento com rituximab.
Os dados surgiram a partir de dois ensaios de Fase II.
No primeiro estudo de Fase II em linfoma não-Hodgkin agressivo, os pacientes tinham sido submetidos a tratamentos anteriores (média de 3 linhas de tratamento) e 63% não responderam ou apresentaram progressão da doença no prazo de 6 meses de tratamento com rituximab. Quase um terço dos pacientes responderam ao tratamento com GA101 (11 de 40 pacientes). Para os pacientes que deixaram de ser responsivos ao rituximab, a taxa de resposta foi de 25%.
No segundo estudo de Fase II em linfoma agressivo não-Hodgkin recidivado / refratário, na população total com linfoma agressivo não-Hodgkin, que havia sido pré-tratada intensivamente, 55% dos pacientes responderam ao tratamento com GA101, com uma sobrevida mediana livre de progressão de 11,3 meses. Para os pacientes que deixaram de ser responsivos ao rituximab, a taxa de resposta foi de 50%.
"Estamos satisfeitos em poder anunciar estes novos dados para o GA101 em ensaios de Fase II", disse Hal Barron, Diretor de Desenvolvimento Global da Roche. "Os resultados do GA101 neste grupo de pacientes com dificuldade de tratar linfoma folicular não-Hodgkin são animadores, e em breve esperamos fornecer mais dados importantes do programa de desenvolvimento clínico envolvendo o GA101.
Traduzido e condensado de  Scienza e Farmaci. Leia original aqui.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

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Linfoma: talvez “esperar e observar” não seja a melhor conduta terapêutica

Um grande ensaio, conduzido por pesquisadores do Reino Unido e apresentado na 52ª  reunião anual da Sociedade Americana de Hematologia, que termina hoje em Orlando, nos EUA, pode representar uma abordagem completamente nova para o tratamento de um câncer comum do sistema imunológico, o linfoma folicular (FL). Atualmente, muitos pacientes com este tipo de câncer não recebem qualquer tipo de tratamento e são mantidos sob observação, "observar e esperar" ( watch and wait) até que eles comecem a apresentar sintomas. Quando os sintomas aparecem, os pacientes têm de iniciar um tratamento que inclui a quimioterapia.

N
o entanto um novo estudo, conduzido no Reino Unido, contradiz eficazmente esta prática, proporcionando a primeira evidência forte de que o momento de iniciar a quimioterapia e o tempo de progressão do câncer podem ser prorrogados por mais tempo, se os pacientes forem tratados com o anticorpo alvo MabThera (rituximab) imediatamente após o diagnóstico, em comparação a “observar e esperar”. Como o tratamento com rituximab é uma imunoterapia com anticorpos monoclonais, seus efeitos colaterais são bem menos agressivos que aqueles observados na administração da quimioterapia convencional.

O estudo, conduzido por médicos do University College London Hospital, investigou o que acontece quando os pacientes recebem tratamento com o rituximab antes do surgimento dos sintomas e permanecem nele por dois anos. Os resultados mostraram que após três anos, 91% dos pacientes que receberam monoterapia com rituximab como indução e manutenção (quatro doses semanais seguidas por doses de manutenção uma vez a cada dois meses por dois anos) foram poupados de quaisquer terapias citotóxicas (que danificam as células indiscriminadamente, quimioterapia ou radioterapia), em comparação com 48% dos pacientes que não receberam tratamento no momento do diagnóstico (grupo “observar e esperar”).

Ao mesmo tempo, 81% dos pacientes que receberam terapia de indução e rituximab estendida não tinham experimentado nenhum agravamento da doença (sobrevida livre de progressão) em três anos, em comparação com 33% dos pacientes do grupo “esperar e observar”.

"Nós encontramos uma outra maneira de controlar esta doença em seus primeiros anos", comentou o Dr. Kirit Ardeshna, do University College Hospital, Londres, e investigador-chefe do estudo. "Para muitos pacientes é importante poder retardar o início da quimioterapia e para eles os resultados deste estudo são um grande avanço."

"Os efeitos colaterais da quimioterapia podem influir muito negativamente na qualidade de vida de alguém, razão pela qual a conduta “esperar e observar” vinha sendo adotada  até agora, por se julgar ser a melhor opção para os pacientes", comentou Sally Penrose, diretora executiva do Lymphoma Association. "No entanto, uma nova opção, que atrasa ainda mais a necessidade de se passar pela quimioterapia é uma notícia fantástica para milhares de pessoas no Reino Unido que vivem com esse tipo de linfoma."

O linfoma folicular é uma forma de crescimento lento de linfoma não-Hodgkin (LNH), caracterizada por períodos de remissão e de recaída e afeta mais de 15 mil pessoas no Reino Unido. Como o FL é um câncer incurável, o objetivo primário do tratamento é manter a doença sob controle o maior tempo possível, permitindo que as pessoas tenham uma vida quase normal.
Traduzido e condensado de matéria publicada em medicalnewstoday.com em 07/12/2010. Leia original aqui.