segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

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Câncer de próstata – Abiraterone e um balanço nos progressos da terapia

prostate-cancer
O acetato de abiraterone (nome comercial Zytiga) é uma nova droga que está sendo desenvolvida para o tratamento de câncer de próstata metastático avançado que tenha progredido mediante o desenvolvimento de resistência frente às terapias hormonais convencionais.   Isso também é conhecido como câncer de próstata resistente à castração (CRPC).  O termo não deve ser tomado ao pé da letra – esta castração é química e anti-hormonal. Essa é a população de portadores de câncer de próstata que, literalmente, está próxima da morte. Alguns anos, no máximo.

A Janssen Pharmaceutical Companies, da Johnson & Johnson, iniciou no fim do ano passado uma pesquisa de Fase III com a abiraterone para dar uma chance às pessoas - que estavam tomando apenas um placebo - de tomarem o medicamento, uma vez que, com os dados coletados até então os benefícios são claros. O tratamento com acetato de abiraterona resultou em uma redução de 35 por cento no risco de morte e um aumento de 36 por cento na sobrevivência média (14,8 meses versus 10,9 meses) comparado com o placebo. Dados apresentados na reunião da Sociedade Europeia de Oncologia no fim do ano passado.

Esta talvez tenha sido também uma decisão de estratégia comercial, porque poderá permitir com que a droga possa começar a ser comercializada antes de passar pelo longo e exigente processo de aprovação do órgão de controle norte-americano, a FDA. Se isso acontecer “por razões humanitárias”, o medicamento poderia estar disponível em até nove meses.

O Instituto para a Qualidade e Eficiência em Saúde - IQWiG, agência alemã independente que se dedica a avaliação da qualidade e eficiência dos tratamentos médicos, examinou e aprovou desde setembro de 2011 o uso da abiraterona em pacientes que não são elegíveis para tratamento com docetaxel e que não respondem mais às terapias atuais. Em comparação com a terapia padrão atual, o IQWiG encontrou consideráveis beneficios adicionais no uso da droga. Em contraste, estes benefícios não foram comprovados em pacientes que ainda podem ser tratados com docetaxel.

Até hoje, após décadas de utilização dos métodos iniciais, a prostatectomia, a radiação, e, mais recentemente, a braquiterapia e o tratamento hormonal, não há cura. A maioria dos pacientes acaba morrendo de outras causas, mas um número razoável, cerca de um em cada seis ou sete, acaba morrendo mesmo deste câncer. Todos os medicamentos existentes são ou paliativos – melhoram a qualidade de vida atenuando os sintomas e as dores - ou aumentam a sobrevida.

O que há de mais novo como terapia é o Provenge, uma vacina fabricada pela Dendreon que aumenta a esperança de vida em cerca de 4 meses e que custa uma pequena fortuna. Quando foi lançada aumentou em 27% o valor das ações da empresa.

Nosso organismo não identifica o câncer como um inimigo. Provenge, a meu ver, tem como maior mérito ter reaberto um conceito, o das vacinas terapêuticas que estimulam o Sistema imunológico, que poderá levar à cura dos cânceres avançados, mas falta ainda muito, muito trabalho de pesquisa.

Uma nova droga, também uma pílula como a abiraterone, chamada por enquanto de MDV3100, está sendo pesquisada em ritmo acelerado pela Meditavo e atualmente em fase de testes.

Não é difícil supor que o muito provável sucesso terapêutico da abiraterona e também da MDV3100 possam vir a afundar comercialmente o Provenge, por serem muito mais convenientes (ministradas sob a forma de pílulas), mais simples de serem produzidas e por custarem muito menos.

A multinacional indicou que os planos eram de apresentar pedidos de aprovação de comercialização do acetato de abiraterone às autoridades reguladoras na Europa e nos EUA até o final do ano de 2010, com solicitações no resto do mundo a seguir. Larry Biegelsen, analista de valores mobiliários, observou que o acetato de abiraterone "poderia se tornar uma oportunidade de quase um bilhão de dólares" para a empresa. 

Talvez ainda existam Clinical Trials iniciando para pacientes com cânceres muito avançados, necessitando de tratamento. Consulte dentre as guias aí na barra lateral do blog onde se lê CLINICAL TRIALS. As descrições incluindo os critérios de inclusão ou exclusão estarão em inglês.

Consulte o seu oncologista e veja no que ele pode lhe ajudar. Se ele não souber ler em Inglês, não estiver atualizado ou não souber utilizar informática e internet (alguns até desdenham) aconselho você a mudar de médico.

Leia mais sobre a abiraterone aqui
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Depois de um breve período de recesso de fim de ano, eis-me voltando ao convívio estimulante com meus amigos virtuais aqui do blog. Mais um ano, mais uma etapa, mais uma oportunidade de enriquecimento do espírito humano nesta busca individual pelo aprimoramento, nesta viagem sem destino preconcebido em busca de respostas às questões ancestrais “Donde vim?”, “O que faço aqui?” e “Para onde vou?”.
Um grande abraço e obrigado pelas manifestações pelo Natal e Ano-Novo. Um grande 2012 para todos nós!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

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Grande notícia para começar o ano: possível cura para a leucemia encontrada num composto de óleo de peixe


Eu e meus irmãos tomamos muito Óleo de Fígado de Bacalhau, a famigerada Emulsão de Scott, quando crianças, e em Portugal, até há pouco tempo, as escolas colocavam as crianças em fila e administravam-lhes diretamente na boca uma colher das de sopa desse óleo. Agora, com efeito, um composto produzido a partir de óleo de peixe, que ataca as células-tronco da leucemia, poderá levar a uma cura definitiva para a doença, segundo pesquisadores da Penn State. As pesquisas com camundongos revelaram-se muito animadoras. Os pesquisadores, que já registraram um pedido de patente, estão se preparando para testar o composto em humanos. Os tratamentos atuais são incapazes de matar as células-tronco da leucemia. A descoberta foi publicada na última edição da Revista Sangue

O composto - denominado delta-12 protaglandin-J3, ou D12-PGJ3 - atacou e matou as células-tronco da leucemia mielóide crônica, ou LMC em camundongos, disse Sandeep Prabhu, professor de Imunologia e Toxicologia Molecular do Departamento de Veterinária e Ciências Médicas. O composto é produzido a partir do ácido eicosapentaenóico - um ácido graxo Omega-3 encontrado nos peixes e no óleo de peixe.

"No passado, a pesquisa com ácidos graxos mostrou os benefícios à saúde destes compostos sobre o Sistema Cardiovascular e o desenvolvimento do cérebro, particularmente em crianças, mas nós estamos demonstrando que alguns metabólitos do Omega-3  têm a capacidade de matar seletivamente as células-tronco da leucemia em camundongos", disse Prabhu. "O importante é que os ratos ficaram completamente curados e sem recaídas."

Os pesquisadores disseram que o composto mata as células-tronco cancerígenas no baço dos camundongos e na medula óssea. Especificamente, ele ativa um gene - p53 – que atua como supressor do tumor, pois regula a resposta ao dano no DNA e mantém a estabilidade genômica.

Eliminar as células-tronco da leucemia, um câncer das células brancas do sangue, é importante porque elas podem se dividir e produzir mais células de câncer, bem como criar mais células-tronco defeituosas.

A terapia atual para LMC prolonga a vida do paciente, mantendo baixo o número de células de leucemia, mas as drogas não conseguem curar completamente porque não têm como alvo as células-tronco da doença, disse Robert Paulson, professor de Ciências veterinárias e biomédicas, coautor da pesquisa. "Os pacientes devem tomar estes medicamentos de forma contínua", disse Paulson. "Se eles pararem a doença voltará, porque as células-tronco da leucemia são resistentes às drogas atuais."

"Essas células-tronco podem se esconder do tratamento, e basta uma pequena população delas para dar origem a mais células de leucemia", disse Paulson. "Assim, ter como alvo as células-tronco é essencial se você quer curar a leucemia."

Durante os experimentos foram injetados em cada camundongo cerca de 600 nanogramas de D12-PGJ3 diariamente, por uma semana. Os testes mostraram que os camundongos ficaram completamente curados da doença. O baço voltou ao tamanho normal e o hemograma dentro de todos os parâmetros. A doença não apresentou recaída.

Os pesquisadores se concentraram sobre a D12-PGJ3 porque ela matou as células-tronco da leucemia e teve o menor número de efeitos colaterais. Eles estão agora trabalhando para determinar se o composto pode ser usado para tratar a fase terminal da LMC, conhecida como crise blástica. Atualmente não há medicamentos disponíveis que possam tratar a doença quando ela avança para esta fase.

Traduzido e condensado pelo autor do blog de matéria publicada em ScienseDaily em 22/12/2011. Leia release original aqui.

Óleo de Fígado de Bacalhau: Uma Tradição Que Faz Bem!

Por Dr. Alexandre Feldman
Antigamente, as mães e avós não deixavam faltar, na vida de seus filhos e netos, uma colher diária de óleo de fígado de bacalhau. Elas sabiam – aprenderam de suas próprias mães e avós – que ele faz bem. Essa sabedoria popular estende-se a várias civilizações muito antigas, cuja saúde, constituição física, agilidade mental, sobrevivência e prosperidade dependiam de ingredientes da sua alimentação. Nessas culturas, o óleo de fígado de bacalhau era reverenciado! Tomá-lo ou não, fazia toda a diferença. E como veremos, ainda pode fazer!
Se de um lado, a ciência contemporânea séria estuda e comprova, a cada dia, os importantes benefícios do óleo de fígado de bacalhau, de outro, infelizmente alguns profissionais de saúde acham que esse óleo não serve para nada. Claro, ninguém pode patentear o coitado do bacalhau, portanto a indústria farmacêutica não possui o menor interesse em divulgá-lo…