domingo, 20 de dezembro de 2009

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A Força da VIDA



Sim, felizmente existem pessoas que, como José Alencar e o blogueiro Nelson Sonntag conseguem aparentemente suportar todos, ou pelo menos a maioria dos problemas do dia-a-dia e adversidades sem reclamar, serenas, sempre com um sorriso característico nos lábios. Elas são realmente admiráveis e exemplares para todos nós.  
E não se trata apenas de conformismo. Não. Essas pessoas têm algo de superior dentro de si, algo que as impulsiona a lutar e, se for preciso, até em campos situados além dos limites do racional, do factível e do humano contra as fatalidades, os infortúnios, contra os prognósticos mais realistas e virtualmente incontornáveis da chamada ciência positivista. Algo, talvez,  como o que se convencionou chamar de FÉ

Eu, de meu lado, sempre fui um inconformista. Mais por princípios que por convicções adquiridas. Tenho me debatido anonimamente, intransigentemente, levando aos limites extremos do que a sociedade convencionou considerar como dentro do razoável as minhas batalhas quixotescas pessoais - as de foro íntimo e as da coletividade humana. Tenho lutado contra o que considero afrontoso ao mínimo necessário à dignidade humana, contra a exploração do homem pelo homem e contra a interferência exagerada do Estado autoritário sobre as liberdades individuais. Contra o superimposto, mas também contra o dado por consumado e acabado, sobretudo no que se refere ao que possa interferir no que considero como o “meu controle pessoal e intransferível sobre o curso natural da minha vida”, meus sonhos e projetos mediatos e imediatos. E também contra aqueles convencionalismos sociais consagrados pelo uso e que considero idiotas e sem fundamento na dinâmica da vida ou na lógica mais elementar.
E não tenho dúvidas, amigos, por mais que me esforce na temperança, jamais poderei ser citado - com este meu humor oscilante - como exemplo de estoicismo, de fortaleza de ânimo, de austeridade impassível, imperturbável, sorridente, de luta travada do jeito que Alencar e Sonntag o fazem. Desculpem, mas acho que sou demasiadamente humano, egoísta e consciente da minha mortalidade para conseguir esse nível de sublimação, de renúncia moral, de estabilidade emocional. De nobreza de espírito. Provavelmente meus defeitos superem em número minhas virtudes.

Para mim não foi nada fácil acordar num dia qualquer do já longínquo mês de agosto e descobrir perplexo, nauseado, estarrecido, que já não era mais um ser humano e, sim, que me havia absurdamente transformado em algo como um inseto frágil e repulsivo.. Numa barata, mais precisamente, como acontece com Gregor Sansa, o caixeiro-viajante, no romance A Metamorfose, de Franz Kafka. Só que, comigo, a metamorfose não seria na forma. Iria além e se manifestaria no âmbito das minhas necessidades físicas essenciais, minhas emoções, meus sentimentos e, como um terremoto, embaralharia tudo o que eu começara laboriosamente desde o despertar da consciência a edificar como minha – precária, mas essencial – concepção, visão de mundo, minha sustentação religiosa, filosófica, ética, dialética e conceitual.
Confesso que me tenho deixado dominar às vezes pela síndrome da barata, pelo desânimo e pela revolta, chegando ao ponto de ser até grosseiro e mal-educado nestes momentos, como aconteceu na sexta-feira passada. É quando me sinto vulnerável, vagueando solitário no vale das sombras e me rebelo diante do fatalismo das realidades consumadas, contra o estar doente, a falta de liberdade, contra todas as limitações que tenho hoje para simplesmente sair de casa, trabalhar, andar de moto, tomar sol, ir às compras em qualquer lugar e sem preocupações com infecções, oportunistas ou não. Viver, enfim, a vida inocente que eu antes não valorizava muito, mas que agora gostaria de ter de volta.
Na obra A Força da Vida, do lendário desenhista Will Eisner, o personagem central Jacob Shtarkam, após ver ruírem todos os alicerces de sua vida e de seus sonhos, tentando manter-se vivo dentro de uma crise existencial, cruza com uma barata em seu caminho e pergunta-se qual seria a diferença entre um homem e um inseto como aquele. E conclui que, para uma barata, o viver já é o bastante. Mas para ele, além de viver, seria necessário também se perguntar por quê.

Tenho certeza que não teria dificuldade para responder a esta pergunta. 
Baixe aqui
A Força da Vida  e 
A Metamorfose
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Ontem, sábado, fomos almoçar na casa do João e da Preta. Tudo perfeito, como sempre. O papo, a música, as bebidas e as matrinchãs grelhadas ao molho vinagrete e a fraldinha também grelhada, com farofa que foram servidas no almoço.
Já não estava me sentindo muito bem quando voltei para casa. Os sintomas eram os mesmos que me levaram à “urgência” do Hemoam terça-feira passada. Febre, dor no peito, secreção, dor na garganta e nos gânglios em volta do pescoço, cansaço e mal-estar geral.
Como acordei pior hoje de manhã, resolvemos estrear o novo plano de saúde – Geap-Saúde, cujo período de carência já foi cumprido há mais de um mês. Fomos até a clínica Sto Alberto, na Cachoeirinha. Exame clínico, hemograma, nada de anormal. Mas me receitaram um antibiótico, Azitromicina, com posologia de 24 horas, tomei o 1º às 16:30 e agora, ãs 21:45 já estou me sentindo bem melhor. As coisas funcionam bem as vezes. :=]

4 Comentários:

sandra disse...

Amor...
Hoje sabemos que, quem foi acometido por essa enfermidade,trava uma luta diária,constante, contra todas as consequências que ela traz. Você tem reagido bravamente e tenho certeza de que jamais desistirá. "Com Deus e nosso lindo Amor, venceremos". Agradeço aos nossos parentes e amigos que estão sempre por perto. Força e saúde pra todos!

sandra disse...

Amor...
Estou numa ansiedade pra fazer essa viagem de moto...êta que vai ser bom de maaaaaiiiiiiiis!

Thati Guimaraes Gobeth disse...

Pai, chegamos em Miami domingo a noite e descobrimos que no hotel nao funciona a internet no quarto, somente no lobby, o que nao e nada pratico! POr isso fiquei incomunicavel esses dias! Estou aqui no corredor em pe te escrevendo nesse momento e tentando me atualizar das ultimas noticias! Vocë esta bem? Nao te vi online no Skype! Bjs

Felipe disse...

È não desistir, e manter o ânimo. Às vezes nós nos perguntamos o porquê disso e o porquê daquilo, mas não sabemos que talvez se estivesse acontecido, uma tragédia poderia de acontecer. Eu creio que tudo é num tempo certo, tudo é na vontade de DEUS. Existe uma frase que eu gosto muito que diz: Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois pra mim, vencer é nunca desistir. (Einstein)
Não desista, Abraão teve que andar por 40 anos no deserto com o povo, para poder encontrar a Terra Prometida, mas contigo a história é diferente! Creia nesse DEUS TODO PODERO, e veras a glória de DEUS na tua vida! Se creres você certamente alcançará A TERRA PROMETIDA, que mana leite e mel!