quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

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Depoimento: duas pessoas que fizeram transplante de medula



A paulista promotora de eventos Sandra Lopes de Jesus Pereira estava com 22 anos quando descobriu que tinha câncer linfático, há um ano. Percebeu que havia algo errado com seu corpo por causa de uma anemia profunda e de uma febre “altíssima” todos os dias, sempre nos mesmos horários. O mesmo aconteceu com o chileno Pedro Enrique Arce Briceño, de 63 anos, metalúrgico em barueri, interior de São Paulo, que descobriu o linfoma há três anos. Ele também fez o chamado transplante autólogo por causa de um linfoma não-Hodgkin, e conta que a readaptação do organismo é a pior parte.

Sandra:
Meu corpo voltou a funcionar como o de uma criança. Tanto que, quando fiz um ano de transplante, tive que tomar todas as vacinas que tomei na infância. Agora, com 27 anos, é que terminei de tomar todas elas de novo”.
Após ser diagnosticada com o linfoma de Hodgkin, fiz quatro meses de quimioterapia no Hospital Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), e fiquei bem por oito meses.
No entanto, depois de novos exames, tive uma recaída e o linfoma voltou. Por isso, os médicos optaram por um novo ciclo de quimioterapia, que durou mais quatro meses, com o objetivo de me preparar para o transplante autólogo.
Tive de fazer uma quimioterapia bem mais forte. Então eu ia quase todos os dias, de segunda a quinta, para o hospital. Fiquei empolgada, já que com o transplante a chance de cura é muito grande. Tanto que estou super bem até agora. Já faz três anos que não aconteceu nada e nem vai acontecer.
Fui internada e, no hospital, passei pela terceira quimioterapia, bem mais forte que os dois tratamentos anteriores. Fiquei bem fraca. O processo de transplante é como se você tivesse recebendo sangue. Os médicos ligam uma máquina e o líquido vai correndo.
É super tranquilo, não senti nada. Fiquei tão feliz... Ali na Santa Casa eles colocam você lá em cima. Eu queria é que minha medula “pegasse” logo para eu ir embora. Porque quando você recebe a medula, você nasce de novo, ai todo mundo me dava parabéns.
Quase 30 dias depois da internação deixei o hospital, mas continuei a reabilitação em casa. Por conta da nova medula, tive que ficar cerca de cem dias sem sair de casa, isolada. Tinha acabado de casar. Meu marido me pediu em casamento mesmo sem saber se eu ia morrer ou não. Além disso, só poderia ter contato com minha mãe, meu pai e meu marido. Mesmo assim, por ordem médica, não podia nem cumprimentá-los.

Pedro Enrique Arce Briceño trabalhava como encarregado de máquinas em Barueri, interior de São Paulo, onde mora, quando soube que tinha o linfoma não-Hodgkin. Dois anos de quimioterapia não foram suficientes para acabar com o câncer, mas fizeram cair os cabelos, sobrancelhas e até o pelo do nariz.
Pra mim, a quimioterapia mais forte foi a que antecedeu o transplante autólogo. Fui internado no Hospital São Paulo, na Vila Clementino, e recebi os medicamentos do tratamento por uma semana.
Eu sempre mantive, até ficar internado, 74 quilos, mas nesta etapa perdi 12 quilos. O tratamento leva sua imunidade a zero. Sai um “pozinho” da sua pele porque as células estão mortas. E como cai a imunidade, você se sente muito fraco. Não tem vontade de comer. Além disso, eu só podia receber os familiares na hora da visita. Minha esposa chegava e colocava avental, uma bota especial, toquinha na cabeça e máscara no rosto para não transmitir sujeira.
“É como se você nascesse de novo. O organismo ainda não tem glóbulos e leucócitos suficientes. Então a boca fica branca, não tem saliva e enche de feridas. A gente evacua igual criança, verde. Não dá tempo de chegar ao banheiro. É como se você estivesse vivendo tudo de novo”.
Minha medula demorou 11 dias para “pegar” e, no total, fiquei 27 dias internado. Durante dois anos não pude ir à praia. Eu vi o Giannecchini falar que depois de fazer o transplante ele quer tomar banho de mar. Mas ele vai demorar mais ou menos dois anos para ir à praia.
transplanteEle vai sarar. Mas os médicos não vão liberar ele nem para ficar no quiosque da praia. Imagina a quantidade de bactérias que tem na areia. Mas, vai entrar na água, sim. Depois de dois anos, Giannecchini vai fazer tudo aquilo lá. Se Deus quiser, vai dar tudo certinho. Força, que tudo dá certo.
Fonte aqui

6 Comentários:

C@rin disse...

Depois comento melhor... Mas essa história de praia não é tão radical assim.
Com menos de 1 ano eu fui à praia. Lógico que não foi em praia poluída, pelo contrário, foi na Praia do Francês, AL, com banho de mar e areia. Vida normal pós-tmo. E só comecei as vacinas depois, com um ano de TMO.

Praia é saúde!

Abraços,

C@rin

Regina Costa disse...

Oi Daniel, tbm estou ótima, exames normais... desde sábado estou em casa, ainda estou muito cansada, mas só isso; minha hemato disse q olhando meus exames ninguem diz q fiz TMO!! É isto, vida nova e renovada! bjs

daniel disse...

Regina, C@rin:
alegria saber de vcs, meninas, que andam tão sumidas. Mas me atualizo pelo blog de vcs e sei que tá tdo bem.
Vcs são dois belos exemplos do que esse transplante pode fazer na vida das pessoas que lutam contra as doenças do sangue e por isso podem falar com a propriedade que só a experiência pessoal proporciona.
Obrigado por contribuirem com a presença e o depoimento de vcs. bjao!

valdir souza disse...

oi gente sou pai de uma menina de 2 anos e meio ela fez transplante autologo dia 25/11/2016 e esta internada ainda nao ouve apega da medula eu e a mae e familiares estamos tensos por esta noticia o medico disse que agora e preciso esperar por uma pega tardia ja que nao ouve a pega passados 21 dias e passados 25 dias agora esperamos pelo pega d 31 que sera segunda dia 26/12/2016 .alguem conhece alguma pega tardia nos deem uma luz pois como um pai peço a jesus que interceda e cure nossa filha que tanto amamos ela esta internada no hospital erasto gartiner curitiba pediatria quarto 301. EM AMOR A CRISTO E DEUS PAI CRIADOR SABEMOS E ESPERAMOS QUE SEJA FEITA A VONTADE DE DEUS ASSIMA DE TUDO. QUEM PUDER NOS AJUDAR DE MOMENTO PEÇO ORAÇOES PARA ( BEATRIZ BARRETO DE SOUZA).AMEM MEU EMAIL E valdirvae@gmail.com

Maria Do Rocio disse...

Fiz tmo estou bem, mas tenho muitas restrições. Não posso nem chegar perto do meu marido, É sinto que ele tá zangsdo5 com isso. Temos um grupo de orações, oraremos por sua filhinha, ela vai ficar bem. Creia Deus é bom o tempo todo!

Maria Do Rocio disse...

Como está sua filhinha?