sábado, 9 de outubro de 2010

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Uma velha história de amor e fé que se renova sempre

Estou em Belém, depois de uma ausência de cinco anos. É a primeira vez que volto depois desse diagnóstico que balançou a minha vidinha. E sempre que volto renovo minha fé nos valores mais primordiais, mais básicos, mais nobres do espírito humano. E por que deveria ser diferente dessa vez?
Depois de muito viajar e de conhecer uma boa parte da superfície desse globo azul onde viajamos muitas vezes insensíveis em velocidade vertiginosa pelo espaço e pelo tempo em direção ao desconhecido onde nos abismamos, cada vez mais aumenta minha convicção de que a maior busca está dentro de nós mesmos, a busca do autoconhecimento que nos aproxima cada vez mais da Verdade e do verdadeiro sentido da Vida que tanto procuramos apreender, muitas das vezes pelas vias as mais transversas.
Para mim esta é a melhor época do ano para se estar em Belém. Estamos hospedados no apartamento de Vera, uma de minhas irmãs, Sandrinha e eu, e daqui nesse momento posso ver e ouvir as manifestações de louvor, amor e devoção que há séculos este povo acolhedor e religioso dirige a Virgem de Nazaré nesse mês de outubro, desde o ano de 1700 quando a pequena imagem da Santa foi encontrada pelo caboclo Plácido José de Souza às margens do igarapé Murutucú, onde hoje se encontra a Basílica Santuário. 

São 19:30 h e nesse momento a av. Nazaré está tomada por um mar (Mar-Maria, Mar Amniótico Original de Amor e Luz) humano para homenagear Maria, Maria de Nazaré, num espetáculo bonito à luz de velas. É a procissão da Trasladação da imagem da Santa para a Catedral da Sé, de onde ela sairá amanhã em romaria. Emocionante!
Ontem minha mãe completou noventa anos e nós nos reunimos pra celebrar e agradecer. Agradecer por tudo. A ela e a Nossa Senhora de Nazaré por tê-la escolhido pra ser a nossa mãezinha aqui na Terra. Agradecer toda a vida de dedicação que ela tem devotado a todos nós, que viemos dela. Seis filhos, todos apaixonados por ela, não sei quantos netos nem quantos bisnetos. Agradecer por tudo que ela nos ensinou e continua nos ensinando nessa fase de sua vida. E estavam todos lá dando seu depoimento e demonstrando seu reconhecimento, seu amor, sua gratidão.
Ela estava linda, a matriarca, como sempre soube estar, no seu vestido azul-clarinho e quase inabalável diante de tanta demonstração de carinho. Recebeu tudo com a alegria serena de quem sabe que cumpriu seu papel fundamental para a formação do ser humano que ela contribuiu para trazer ao mundo, seu papel de mãe que se multiplicou como avó e bisavó. Seu papel de educadora, de provedora do alimento que nutre o corpo, mas também, e principalmente, do alimento que nutre o espírito.
Mãezinha, dona “Riso”, nestes dias em que a Mãe de todos nós passeia descalça pelas ruas de Belém espalhando seu perfume inconfundível que redime e que vivifica aos que humildemente sabem ver e ouvir com os sentidos superiores da Esperança, do Amor e da Fé, eu te agradeço e te beijo ternamente com o coração aberto do filho paraense que sempre volta e sempre voltará para te beijar e a este Manto Sagrado que a tudo renova com seu toque de Vida.

2 Comentários:

Vera disse...

O Círio sepre nos emociona, levando-nos a rever nossa FÉ.

Thati Guimaraes Gobeth disse...

Post emocionante, já estou com muitas saudades de todos vocês!!
Mais duas seguidoras hein pai!!! Amanhã o bloguezinho faz 1 ano, de muita informação, cultura e, principalmente, levando a fé e cada vez mais a minha admiração por você!!
Bjs