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quarta-feira, 7 de julho de 2010

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Câncer, mente e saúde.

O primeiro estudo consistente da abordagem emocional no tratamento do câncer foi de autoria do oncologista Carl Simonton, da sua mulher, a psicóloga Stephanie Matthews-Simonton, já falecida, e de James Creighton, nos anos 70. Se os resultados obtidos se devessem a qualquer agente da hightech aplicado à medicina, até hoje a notícia estaria reverberando na mídia, e as indústrias produtoras de remédios e de material cirúrgico-hospitalar estariam se digladiando para conseguir o monopólio da sua fabricação. Não obstante estas evidências, os idiotas da objetividade da comunidade médico-científica rejeitaram as conclusões dos autores, desqualificando a metodologia empregada e, inclusive, distorcendo suas afirmações.

Eles verificaram que portadores de câncer do mesmo tipo e no mesmo estadiamento evoluíam de forma diferente. A maioria, de acordo com as previsões dos médicos, piorava e morria. Mas um terço deles continuava a desmoralizar os sombrios prognósticos e se curavam. Ao estudar mais profundamente estes “sobreviventes do câncer”, os pesquisadores observaram que, não obstante se tratasse de um grupo muito heterogêneo quanto à idade, sexo, escolaridade e outras variáveis, todos eles mostravam alguns aspectos em comum. Embora soubessem que tinham uma doença grave, acreditavam que, de algum modo, pudessem controlá-la. E mais: todos tinham a crença inabalável de que não poderiam morrer sem antes cumprirem sua missão, fosse ela pessoal, profissional ou familiar.

Os investigadores trabalharam exclusivamente com doentes terminais, isto é, clinicamente incuráveis, nos quais a sobrevida estimada pelas normas americanas era de até 12 meses. Dividiram-nos randomizadamente em dois grupos, para reduzir as interferências do acaso. O grupo controle recebeu apenas o tratamento convencional indicado, enquanto que o grupo em estudo, além do tratamento médico apropriado, submeteu-se a sessões de relaxamento e visualização dirigida.

A comparação dos resultados entre os dois grupos foi surpreendente. Até a publicação destes dados, os pacientes do grupo em estudo já tinham sobrevivido, em média, o dobro do grupo controle. Mesmo os que morreram, chegaram a viver uma vez e meia a mais do que os pacientes que somente receberam o tratamento convencional! Além disto, a qualidade de vida, expressa pela capacidade física e de trabalho, pela freqüência e intensidade de sintomas como dor, ansiedade/depressão, melhorou na quase totalidade dos pacientes que tiveram as sessões de “abordagem emocional” associadas ao tratamento médico indicado.

Os Simontons e Creighton nunca disseram que o paciente era conscientemente responsável – e muito menos, culpado – pela sua doença, e jamais recomendaram a substituição do tratamento convencional do câncer pela abordagem MenteCorpo. Da mesma forma, nunca afirmaram que tal abordagem era uma garantia para a cura da doença. Quanto à acusação de que levavam “falsas esperanças” aos doentes, pensamos que frente a uma situação de tantas incertezas – principalmente quando a medicina tradicional declara que nada mais resta a fazer –, levar esperança aos pacientes é mais do que uma boa idéia.

O trabalho mais impressionante sobre a influência da mente na evolução do câncer é de David Spiegel, professor associado de psiquiatria da Stanford University. Spiegel admitia que os grupos de apoio sociais contribuíssem para melhorar a qualidade de vida de mulheres com câncer de mama avançado, mas não acreditava que tivessem qualquer influência sobre a evolução da doença. E, para comprovar sua tese, dividiu aleatoriamente em dois grupos mulheres com câncer de mama metastático e/ou recidivante. Todas as participantes da investigação receberam o tratamento convencional apropriado.

As pacientes do grupo em estudo se reuniram, adicionalmente, em sessões de 90 minutos, semanalmente, durante um ano. Nestas sessões, elas expressavam livremente as suas emoções, como o medo da morte, da dor, do sofrimento, da solidão, da tristeza e da raiva. 

Elas sabiam que iam morrer. Para muitas delas estas reuniões eram o único ambiente em que isto era possível, devido às dificuldades para tal no âmbito familiar, social e profissional. Além disto, Spiegel ensinou-lhes a auto-hipnose ericksoniana, que praticavam ao final de cada sessão e em casa.

No fim da pesquisa o autor observou, como esperava, que as mulheres que se reuniam mostraram melhor qualidade de vida do que as do grupo controle: mais otimistas, mais alegres, menos ansiosas/deprimidas, menor uso de drogas para combater a dor.

Dez anos depois, ao rever o material da pesquisa, Spiegel defrontou-se com resultados para os quais não estava preparado, e que mudaram drasticamente a sua vida pessoal e as suas linhas de investigação. É isto mesmo, perspicaz leitor: as mulheres que se reuniram viveram o dobro das que somente receberam o tratamento convencional, o que até hoje não foi possível com o uso de qualquer remédio, cirurgia, radio ou quimioterapia!

Sem acreditar no que vira, Spiegel enviou seu trabalho, pedindo a renomados cientistas que encontrassem qualquer falha. Não conseguiram, apesar de estudarem profundamente o assunto durante quatro anos. E não se tratava de pacientes com câncer de mama em estágio inicial, localizado. Não, eram portadoras de câncer avançado.

Desde 1989, a publicação da pesquisa de David Spiegel motivou outros investigadores a usar abordagem semelhante, não só em portadoras de câncer de mama, como também de melanomas, AIDS, leucemias e linfomas, com resultados comparáveis e muito animadores. No estado atual da arte parece cada vez mais realista a hipótese de que viver melhor pode significar viver mais, como demonstrado em estudos prévios ou subseqüentes ao de Spiegel em praticamente todas as doenças graves, como as cardiovasculares, diabetes, artrites e disfunções sexuais, entre tantas e tantas outras.

Para concluir, referendo as palavras de Daniel Goleman, PhD pela Universidade de Harvard: “mesmo que a abordagem MenteCorpo não prolongasse um só dia a vida dos pacientes com câncer (e de qualquer doença grave, acrescento), seria falta de ética deixar de incluí-los em programas semelhantes”, associados à terapia convencional.

domingo, 6 de junho de 2010

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“Only Time”



"Fé e razão são como a dualidade onda-partícula: pode-se ter as duas coisas, mas nunca ao mesmo tempo." (Alberto Präss)
Sempre tive uma natureza mais para o introspectivo. E tenho refletido cada vez mais freqüente e profundamente sobre a transitoriedade da vida, essa aventura individual e coletiva, sensorial e espiritual, maravilhosa e estarrecedora, cujo desfecho – piedosamente - desconhecemos completamente, mas sobre o qual não conseguimos, humanamente, conter totalmente nossa ansiedade e angústias como passageiros do tempo que transcorre.
Nosso corpo e nossa mente, adaptados ao planeta - Mãe Terra (do latim Mater Rhea → matéria) - para dele se nutrir, respirar, experimentar, sentir e com ele se conformar e evoluir conjuntamente são sempre impulsionados para frente, adiante, para o futuro incerto sobre o qual, objetivamente, podemos apenas ser otimistas e ter fé. Precisamos, certamente, trabalhar hoje, dignamente, produzindo os meios para a manutenção da vida no agora e criando as condições de uma vida futura - planejar. Mas não temos como ter nenhuma garantia de que esses planos se concretizarão um dia. Nem num futuro imediato, nem num futuro distante. O imprevisível, a surpresa, o inesperado, o imponderável fazem parte dessa dinâmica, desse jogo. É a vida. Ou melhor – É a vida! (assim, com minúscula, pois essa é a vida transitória, creio).
Nossos sentidos físicos - a audição enlevada de uma bela peça musical ou a percepção visual enternecida de um deslumbrante pôr-do-sol, por exemplo -, estão definidos pela reducionista Física quântica moderna e pela Teoria da Evolução de Darwin  como nada mais do que a percepção condicionada da vibração do éter. E a bioquímica traduz nossos sentimentos como o resultado da mediação celular de neurotransmissores  do sistema nervoso, ou seja, substâncias químicas como as endorfinas, as dopaminas e a serotonina que seriam, em conjunto com as demais, as responsáveis por todas as nuances dos complexos humanos sentimentos, da felicidade infinita, passando pela indiferença, até a tristeza mais profunda.
Mas (sem trocadilhos), esta seria apenas uma percepção materialista (e, portanto, reducionista) fenomenológica e parcial da complexa gama de experiências sensoriais e emocionais que fazem parte de nossa Vida, pois também somos afetados pela bagagem emocional transcendental que abrigamos internamente, fruto de nossas experiências em outros planos de vivência, e que justificam estados de pura felicidade que experimentamos muitas vezes “inexplicavelmente”, ou de profunda tristeza sem que algo em nossas vidas tenha dado causa a estes estados de espírito.
A irlandesa Enya traduz esses sentimentos, essas dúvidas, essa incerteza tão humana nessa mescla harmoniosa de poesia e música, nessa canção também de amor chamada “Only Time”, que mais parece um Canon barroco, pelo entrelaçamento de linhas melódicas, num simbolismo quase religioso a representar a vida que se renova em vagas, como as ondas desse infinito Oceano da Vida.
 
Only Time
Só o Tempo
Who can say where the road goes,
Quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Where the day flows?
Para onde vão os dias ?
Only time...
Só o tempo


And who can say if your love grows,
E quem pode dizer se o seu amor crescerá
As your heart chose?
conforme seu coração escolher ?
Only time...
Só o tempo


(chants)
(Coro)


Who can say why your heart sighs,
Quem pode dizer por que seu coração suspira
As your love flies?
conforme seu amor flutua ?
Only time...
Só o tempo


And who can say why your heart cries,
E quem pode dizer por que seu coração chora
When your love dies?
quando seu amor morre?
Only time...
Só o tempo


(chants)
(Coro)


Who can say when the roads meet,
Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam
That love might be,
que o amor deve estar
In your heart.
em seu coração ?


And who can say when the day sleeps,
E quem pode dizer quando o dia termina
If the night keeps all your heart?
se a noite guarda todo o seu coração ?
Night keeps all your heart...
se a noite guarda todo o seu coração...


(extended chants)
(Coro)


Who can say if your love grows,
Quem pode dizer se o seu amor crescerá
As your heart chose?
conforme seu coração quiser ?
Only time...
Só o tempo


And who can say where the road goes,
E quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Where the day flows?
Para onde vão os dias ?
Only time...
Só o tempo


Who knows?
Quem sabe?
Only time...
Só o tempo


Who knows?
Quem sabe?
Only time...
Só o tempo