quinta-feira, 27 de outubro de 2011

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Radiocirurgia de alta precisão: tecnologia enfim disponível no SUS (nem tanto) trata câncer com radiação e sem cortes.

O procedimento nem é tão novo, mas é quase milagroso e passa a ser aos poucos acessível pelo SUS. A denominação técnica é “radioterapia estereotáxica extra-crânio” (SDRT, na sigla em inglês). Feixes finos e precisos de radiação elevada provocam a necrose das células tumorais. Três sessões de pouco mais de uma hora, aplicadas com intervalos de dois dias, são suficientes para destruir o câncer de pulmão, a neoplasia que mais mata no Brasil e no mundo, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O Hospital Israelita Albert Einstein também começou a aplicar a radiocirurgia contra tumores de pulmão, mas ainda não existe uma tabela de valores, segundo o radio-oncologista Eduardo Weltman. O Hospital do Câncer de Barretos passou a realizar o procedimento contra o câncer cerebral, disponível aos pacientes do SUS apenas em poucos centros médicos do País. “É uma tecnologia que existe há anos, mas como fácil acesso ao paciente do SUS podemos dizer que é inovador”, afirma o coordenador de radiologia Hospital de Câncer Barretos, Marcos Duarte de Mattos.

Eliminar tumores de pulmão sem nenhum corte ou dor para o paciente já virou realidade no Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A tecnologia, inédita no Sistema Único de Saúde (SUS), foi testada com sucesso ao longo deste ano em sete pessoas e, agora, é aplicada em indivíduos com contraindicação para a cirurgia tradicional, considerada um procedimento delicado, de recuperação dolorosa.

As sessões de radiocirurgia não provocam dor e o paciente pode sair direto para suas atividades cotidianas. Por enquanto, a técnica só é indicada para pacientes que não têm condições de passar por uma cirurgia tradicional, de acordo com o protocolo adotado internacionalmente para esse tipo de tratamento. Além disso, o tumor deve ter até 5 centímetros de diâmetro e estar afastado de regiões vitais, como o coração.

Enquanto a radioterapia convencional fraciona a radiação e oferece um tempo para o tecido saudável se recuperar, a nova técnica extermina o tecido atingido. “É como se fosse um tiro de bazuca no tumor”, diz o médico Rafael Gadia, radioterapeuta do Icesp. Daí a importância de que o tiro seja certeiro, o que só é possível graças às novas tecnologias. Uma desvantagem apontada pelo profissional é a impossibilidade de fazer uma análise detalhada sobre o tumor, já que suas células são completamente destruídas.

Os médicos de Barretos esperam tratar ate três pacientes por dia. Dezessete profissionais, entre médicos e físicos, participaram da primeira radiocirurgia na cidade, realizada no último dia 13, incluindo dois especialistas do hospital Albert Einstein.

A radiocirurgia não elimina a necessidade de quimioterapia e a radioterapia, mas apresenta as vantagens de não ser invasiva, ou seja, o paciente não sofre cortes nem incisões, e de conseguir chegar a áreas de difícil acesso, que seriam muito mais arriscadas em uma cirurgia convencional.

“É um procedimento com custo, riscos e incômodos menores para o paciente”, afirma o médico Eduardo Weltman, presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia.
Fontes: aqui, e aqui. Editorial pelo autor do blog e ilustrações do googleimages.

7 Comentários:

Juliana Sobreiro disse...

Só Deus saberá dizer quanto tempo esta cirurgia levará para estar disponível pelo SUS de uma maneira generalizada em todos os estados. Mas é uma excelente notícia, Daniel. Temos que nos organizar para acelerar este processo e a extensão de outros benefícios ainda distantes da realidade dos enfermos brasileiros na rede pública de saude. Saudações e parabéns pelo seu trabalho de divulgação. E tb por seu sucesso no TOP BLOG. Fica com Deus

daniel disse...

É, Juliana, infelizmente os benefícios na saude pública se instalam e se disseminam infinitamente mais lentamente que a corrupção e a roubalheira mais cínica no serviço público. Nem faço ideia de quantos aparelhos deste tipo poderiam ser instalados com essa grana desviada do Ministério dos Esportes. Obrigado pela participação. Abc

Solange disse...

Olá Daniel, como vai? Bela matéria, queria eu não sentir mais as dores na pele da radioterapia, não está fácil, mas falta pouco.
Beijos da Sol

daniel disse...

Sei que não é facil, Solange, mas tenho certeza que o pior já passou, assim como as dores tb passarão. Este blog brilha qdo vc aparece, Solzinho! Bjão

Izabel disse...

Olá, Daniel!

Lendo um pouco de seu blog vejo que existem muitas informações valiosas.
Mesmo em remissão, voc~e colabora buscando novas alternativas para combate desse "bicho" que nos assola.

A medicina realmente avança, mas o governo não faz muito esforço para que esse avanço chegue a todos. Na teoria, fingim que atendem a tdos, mas na prática vemos que não é fácil.

Um abraço!

Rosa Marise disse...

Fiz radiocirurgia de pulmão,divididas em 5 seções de 15minutos cada. Ainda não sei o resultado pois tem q esperar 45 dias para fazer uma tomografia. Espero ter dado certo...
Rosa Marise
meu facebook está com este nome:
Rosa Marise

Espero ter contribuido como blog.

mm-gusson@bol.com.br disse...

Oi meu nome é Márcia Gusson sou de porto ferreira- SP estou passando por este problema com meu pai uma neoplasia pulmonar o médico quer fazer a cirurgia de grande porte ele tem 74 anos estou aflita com esse procedimento que o médico passou não sei como resolver isso . achei seu blog e tirou minhas dúvidas porque existe outros procedimentos DEus te abençoe por isso .