Uma pesquisa internacional inédita no campo da
urologia publicada na edição de abril da revista European Urology – revista científica de maior impacto no setor
atualmente – pode mudar o destino de muitos homens em tratamento do câncer de
próstata. O artigo – Salvage Radical
Prostatectomy for Radiation-recurrent Prostate Cancer: A Multi-institutional
Collaboration – revela que há possibilidade de cura mesmo após a recidiva
da doença.
O urologista Daher Chade, médico responsável pelo
estudo, acredita que há uma nova perspectiva no segmento. ‘Esta pesquisa reuniu
8 centros de referência em pesquisa de câncer da Europa, EUA e a Universidade
de São Paulo, e analisou pacientes com câncer de próstata no período de 25
anos, mostrando que há possibilidade de cura, mesmo após a recidiva da doença’
afirma o médico que atua no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo da Faculdade
de Medicina da USP e no Hospital Sírio Libanês.
Pacientes com câncer de próstata podem ser
submetidos a algumas modalidades de tratamento, como cirurgia, hormonioterapia
e radioterapia; em conjunto ou isoladas. O tipo de tratamento varia de acordo
com o tipo de tumor e com o estágio em que a doença foi descoberta. Hoje, o
protocolo para pacientes submetidos à radioterapia que apresentam recidiva na
próstata após o tratamento é habitualmente a hormonioterapia. Esta modalidade
isoladamente inviabiliza qualquer chance de cura, além de gerar perda da libido
e impotência sexual.
No estudo, dos 404 pacientes que tiveram recidiva do
câncer na próstata após a radioterapia e foram submetidos à cirurgia e não à
hormonioterapias, 75% estavam livres de metástase 10 anos após a cirurgia.
‘Estes pacientes evoluíram de forma surpreendente. Com a apresentação deste
estudo, o tratamento de casos como estes será repensado’, conclui Dr. Chade.
Em relação à prevenção do câncer de próstata, o
médico responsável pelo estudo reafirma a necessidade da realização anual do
exame de toque e PSA a partir dos 45 anos, e faz um alerta: os homens em
tratamento do câncer de próstata devem estar atentos à continuidade do
tratamento para em uma eventual recidiva da doença o diagnóstico ser o mais
precoce possível, possibilitando ainda ser instituído um tratamento curativo,
como o estudo demonstrou.
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