quarta-feira, 4 de julho de 2012

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Convite de formatura


Ao findar uma leitura sobre Geologia, devemos sempre fazer isso com humildade.
Na nave Terra que nos transporta pela imensidão até uma meta final que só Deus conhece, nada mais somos que passageiros de proa.
Somos emigrantes que conhecem seu próprio infortúnio. Os menos ignorantes entre nós, os mais ousados, os mais impacientes, questionamos nossos próprios problemas; queremos saber quando começou a viagem da humanidade, quanto tempo durará, como navega o barco, por que vibram seu casco e seu convés; por que algumas vezes os ruídos vêm dos porões e se extinguem pela escotilha; nos indagamos sobre que segredos se ocultam nas profundezas desta estranha nave e sofremos porque nunca o saberemos...
Você e eu somos do grupo dos impacientes e ousados que desejam saber e que nunca ficam satisfeitos com qualquer resposta.
Mantemos-nos unidos na proa do barco atentos a todas as indicações que provenham do interior misterioso, do mar monótono ou do céu mais monótono ainda.
Confortamos-nos uns aos outros falando sobre a costa para a qual acreditamos devotamente navegar, ou sobre aquela a que na realidade chegaremos e onde desembarcaremos, talvez amanhã.
È uma costa que nenhum de nós nunca viu, mas que reconheceremos sem titubear quando aparecer no horizonte.
É a costa do país de nossos sonhos, onde o ar é tão puro que não existe a morte, é o país de nossas aspirações e seu nome é “Verdade”.
(Pierre Termier)

Hoje, procurando alguns papeis no trabalho, caiu-me nas mãos o meu velho convite de formatura, onde se pode ler este belo texto/poesia extraído do prefacio de um livro técnico de Pierre Termier, eminente geólogo francês da cidade de Lyon, falecido na década de 30. Era um livro da biblioteca do Campus, em espanhol, já defasado no tempo. Desde muito cedo eu aprecio leituras deste tipo. Afinal, as raízes do presente não estão no passado?

Surpreendeu-me - depois de transcorrido tanto tempo - a simplicidade do impresso, notadamente se comparado às superproduções que envolvem hoje a concepção e a confecção desses convites, onde os formandos são tratados como verdadeiros pop stars. Uma grana preta!

O nosso convite foi feito por nós mesmos em cartolina fosca e impresso em serigrafia, ou silk screen, que é um processo de impressão totalmente artesanal. Depois, cada um desenhou com cola plástica motivos geológicos em seus convites e jogou sobre eles, para aderir, areia de cores variadas e materiais dourados como purpurina para simular veios de ouro, cobre, etc.

Quase todos os convidados que compareceram, já chegavam dizendo: "Parabéns pelo convite",  "Adorei o convite!" e coisas desse tipo.

De lá pra cá proliferaram no País as faculdades de praticamente todas as ciências de curso superior, as universidades particulares, promotoras de diplomas, pouco ciosas da excelência do serviço que prestam à sociedade. E, proporcionalmente, é assustadora a quantidade de taxistas, garçons, representantes de laboratórios farmacêuticos, agente administrativo, etc, graduados com diploma de administrador, economista, pedagogo, arquivista, biblioteconomista, turismólogo, e por aí vai...

Para os céticos, dentre as ciências materialistas e positivistas, talvez a Geologia, ao lado da Astronomia, seja a que mais contribuição tem dado às ciências esotéricas, à Ciência Iniciática das Idades,  principalmente os ramos da Geologia Histórica e da Tectônica de Placas, aportando evidências que dia após dia trazem à luz conhecimentos até então velados pelos processos das dinâmicas externa e interna do Planeta, que se vão justapondo num quebra-cabeça monumental e revelador, ao mesmo tempo histórico e dialético.

Num próximo post vamos tratar mais extensivamente este assunto.

Convite aberto
E o texto de Pierre Termier nos reconduz às indagações ancestrais da humanidade: “de onde viemos?”, “por que?”, e, “para onde vamos?”.

3 Comentários:

Cristina disse...

Que belo texto vocês escolheram para colocar no convite. Ele atenta para a curiosidade, de onde viemos? Pra onde vamos? Sei que me vi nas palavras dele que fala que ele é do grupo dos impacientes...rs eu sou tb, não é qualquer resposta que me convence. Assim como você penso que as coisas passadas são bem mais interessantes que as de hoje, talvez sejamos saudosistas demais...não sei. Um grande abraço!

daniel disse...

Olá, Cristina!
Tenho saudade do passado só das coisas que considero melhores que as do presene. Nao tenho saudades dos automoveis da industria brasileira de antigamente, da inflação, etc. Não vivi a época dos bondes, não posso portanto sentir saudades deles, mas que eram um veículo mais moderno que os atuais, não tenho dúvida.
Me alegro qdo vc deixa estes comentários sempre coerentes e estimulantes. Bjao e obrigado, Cris.

Anitha disse...

Querido Daniel,

Como você estava sumido!
Procurei-o, deixei recados e nada. Nada sabia do seu paradeiro, do seu estado de saúde. E, hoje, do nada você aparece. Que feliz estou!
Você não tem ideia o quanto senti sua falta!
Meu amigo, seja muito bem-vindo novamente!
E, por favor, fique entre nós! Você é um querido!
Por falar nisso, como você está?
Beijos