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quinta-feira, 21 de julho de 2011

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A biela na Venezuela é mais embaixo

Carro revisado: suspensão, parte elétrica, óleo do Carter, filtros de ar, de combustível, de óleo lubrificante, pneus... . GPS com os mapas atualizados do Brasil e da Venezuela.  Passaportes, Certificado Internacional de Vacinação (que não foram pedidos na fronteira), papelada do DETRAN... . Preparativos para enfrentar os 4000 e poucos km através dos estados do Amazonas, Roraima e parte da Venezuela para ir até Isla de Margarita, no litoral caribenho, e voltar a Manaus.

Como já havia feito a viagem antes, em 2006, os mais de 300 (no total mais de 600, ida e volta) infernais km contínuos de buraqueira na rodovia brasileira BR-174 não chegaram a me surpreender totalmente: apenas mudaram de trecho. Mas acho que Sandrinha, Vera, minha irmã e Carlos, meu cunhado e amigo há várias décadas, ficaram meio que apavorados, no início. Mas reagiram bem.

Enquanto isso, já foram demitidos mais de uma dúzia de funcionários do Ministério dos Transportes e do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), incluindo o ex-ministro Alfredo Nascimento, ex-prefeito aqui de Manaus, por denúncias de superfaturamento e de pagamento de propina.

Mas, pra quem prefere as aventuras, a evasão da previsibilidade cômoda, chata e engessada dos chamados pacotes turísticos - mesmo sabendo das dificuldades a superar - o desafio era muito excitante. Afinal, Manaus é uma cidade ainda ilhada pela falta de ligação rodoviária com o resto do País. E esta viagem para o Caribe é uma tentação, a única chance de se pegar uma estrada, fazer a própria rota, escapulir da rotina, parar onde quiser, enfim, deixar os instintos nos guiarem, como na famosa série americana Rota 66, que os que já passaram dos 50 devem lembrar muito bem.

Em compensação, o tempo perdido na rodovia brasileira esburacada pode ser parcialmente recuperado nas excelentes estradas venezuelanas - que, no essencial, não devem nada às autopistas da Europa. O terror fica por conta das famigeradas Alcabalas, espécie de postos de controle da Guarda Nacional e do Exercito venezuelano espalhados às centenas ao longo da estrada, guarnecidas por ávidos soldados que criam problemas com os turistas brasileiros para pedir propina descaradamente.

(Uma maneira de se contribuir para acabar com isto é não ceder. Soube depois, conversando com um comerciante brasileiro em Margarita, que os empresários brasileiros locais têm pressionado junto ao Itamarati para tentar amenizar o problema. Acho muito difícil. A corrupção na América Latina é um mal tão arraigado que até parece mais biológico que moral).

A paisagem ao longo da viagem é deslumbrante aos olhos da sensibilidade pela natureza. Passa-se do domínio da Floresta Equatorial Úmida, caracterizada por mata densa e exuberante, para o domínio da Savana que recobre um relevo residual dissecado, de uma planura calma e sublime, onde despontam aqui e ali morros e serrotes, tudo coberto por uma vegetação rala e rasteira. A Gran Sabana está dentro do parque Nacional de Canaima, no sul da Venezuela, no estado de Bolívar. Constitui-se em uma das maiores atrações turísticas do país, com vistas que não se encontram em nenhuma outra parte do mundo.

Bem, se você conseguir superar a buraqueira brasileira e a corrupção venezuelana das estradas, terá que fazer ainda 2 horas de Ferry-boat expresso para chegar a esta ilha secular do mar do Caribe, uma Zona Franca com cerca de 420.000 habitantes, cercada de belas praias como El Agua, Saragoza, Paraiso, El Pargo... e de locais para lamber vitrine no paraíso consumista e enfiar o pé na jaca das compras: confecções, calçados, eletroeletrônicos, jóias e adornos femininos em pérolas cultivadas, coral, madrepérola... Tudo muito, muito barato!

(Além disso, a vantagem cambial. Em Pacaraima, cidade fronteiriça do Brasil, cada Real estava valendo 4,7 Bolívares, que é a moeda lá deles. A gasolina e o diesel custam centavos!).
A hospedagem, para se ter uma idéia, em um chalé maneiro, todo mobiliado, em um condomínio residencial elegante em plena Playa El Agua, o Tejas Rojas, ficou em torno de R$ 75,00 a diaria por casal.

Durante essa breve estadia de uma semana (havia programado pelo menos 10 dias, mas meu cunhado revelou que tinha compromissos inadiáveis de trabalho) pude vivenciar pela televisão, pelo rádio (sim, eu ouço rádio), pelos jornais e pelo movimento nas ruas um pouco da realidade social daquele povo simples, hospitaleiro e crédulo em sua grande maioria, em plena comemoração de sua maior data nacional, a da declaração de sua independência da Espanha, em 5 de julho de 1811.

É impressionante o anacronismo da demagogia, da arrogância, do ufanismo e do nacionalismo “revolucionário” extremado que encharcam os discursos oficiais, repletos de exaltação ao heroísmo histórico do povo e de Simon Bolivar, “O Libertador”, e de excitação histérica e puxa-saquista a Hugo Chavez, El Comandante Supremo Revolucionário. Algo patético, meio quixotesco, mas também perigoso como a História já muito bem o demonstrou. Quem não lembra do Nacional-Socialismo de Hitler e de Mussolini?

Chavez tem atuado a nível continental como se fosse um grande líder político regional, liderança que só ele consegue enxergar. Mas, reparem neste desenho comemorativo do bicentenário da independência venezuelana, que talvez encerre em sua simbologia (a Venezuela montada sobre um cavalo que é a América do Sul) algo muito mais preocupante que a simples pretensão de liderança política.

E nesta minha segunda viagem a Margarita, continuo com a impressão frustrante de ter saído correndo de lá, como foi da primeira vez. E isso, pra mim - que tenho correndo no sangue talvez um pouco daquele betume escaldante do asfalto das estradas - é mais que um simples pretexto pra voltar o mais breve possível e explorar o melhor que a Ilha tem a oferecer, além de usá-la como plataforma para ir explorar os ritmos calientes de Cuba e a diversidade cultural das ilhas holandesas de Aruba e Curaçao.

É só o tempo do carro sair da oficina e de dar uma refrescada na biela!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

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Férias bem diferentes e um retorno meio preguiçoso

Férias é sair da rotina. E estas foram as mais movimentadas que já tive.
Tem gente que prefere, principalmente os mais jovens e cheios de energia, quebrar a rotina do dia-a-dia de forma mais agitada: praias ensolaradas diariamente, esportes aquáticos, longos passeios de buggy nas dunas com muita adrenalina, baladas, restaurantes da moda, compras em “novos” shoppings e toda a gama quase infinita de atividades lúdicas que as praias e as capitais do nordeste brasileiro oferecem. Chega-se até a acordar mais cedo pra se ter mais tempo disponível.
Para outros, como eu, que moro numa estufa com temperatura anual variando entre os 36 e os 40 graus e já passei dos 50, pra variar basta uma temporada num lugar friozinho, melhor ainda com uma bela paisagem serrana, cheiro de mato e boa música pairando no ar, um bom livro. Cozinhar algo especial, se deslumbrar com o espetáculo do sol se pondo em outra latitude, acordar e ir dormir mais tarde, quiçá uma bebidinha de leve em boa companhia. Assim transcorreram minhas férias do ano passado, em Ouro Preto, com Sandrinha: sossego, sombra e vinho tinto seco.
Desta vez as coisas foram bem diferentes, mais agitadas, mas não menos agradáveis. Talvez um pouco daquele cansaço prazeroso ao qual alude Sêneca quando indaga: “Não existem igualmente prazeres corporais que se reforçam com uma sensação dolorosa, como quando uma pessoa se vira sobre o lado que ainda não está fatigado e se agita sem cessar procurando uma posição melhor?”. A fuga da rotina, da mesmice. A mudança de lugar. O prazer da variação? Em um dos trechos que fizemos, ainda no microônibus que nos conduzia, o Guia já oferecia novos pacotes de passeios e as pessoas se apressavam em reservar seus lugares, sem se darem conta de que mal teriam tempo de conhecerem e desfrutarem do paraíso de Jericoacoara, nosso destino inicial.
Desta vez, além do deslocamento aéreo Manaus-Fortaleza-Manaus, rodamos dezenas de horas por quase 3.000 km pelas estradas do nordeste em deslocamentos a Crateús/CE, Natal/RN, Praia da Pipa/RN, Genipabu/RN, Jericoacoara/CE e Quixadá/CE.
Fiquei vários dias, indolentemente, tomando água de côco, picolé de cajá e de mangaba, comendo camarão e lagosta nas praias da Ponta Negra e da Pipa, na praia do Futuro e na praia de Jericoacoara, enquanto esperava Sandrinha adquirir “aquele” tom dourado na pele.
Em Crateús, cortei o cabelo lá no Deusin, matei a saudade da deliciosa paçoca de dona Djanira, minha sogra, dos papos com “seu” Antônio, minha sede com cajuína e me emocionei com nosso singelo Natal em família. Em Natal, fizemos passeios inesquecíveis e conhecemos os melhores restaurantes ao lado de Hugo e Rejane, nossos cúmplices potiguares, companheiros de aventuras no R. G. do Norte, visitei o maior cajueiro do mundo e coloquei um palmo de língua pra fora escalando a duna de Genipabu pra apreciar o pôr-do-sol lá de cima – lindo!
Ah! – as compras! – Ia esquecendo das compras! Tivemos que comprar mais duas mochilas grandes (uma delas assinada pelo talentoso artesão Expedito Seleiro) e uma valise pra acomodar o estrago em nossas economias. Fomos com dois volumes e voltamos com oito! Uma orgia: telas da incrível arte naif nordestina (inclusive um Militão dos Santos, um Fé Córdula e dois Edilson Araújo), algum artesanato, um caleidoscópio, alguma roupa e presentes. E ainda havia os queijos, a nata e os maravilhosos potes de doces caseiros de dona Djanira. Até uma linda rede em algodão em cor cultivada, natural! Mas, milagrosamente, não fizemos dívidas.
Passamos 27 dias fora de casa. Depois de uns 20 dias curtindo e perambulando começou a bater, como sempre, um certo banzo. Lembram do filme “E.T. - O extraterrestre”, quando o pequeno alienígena apontava com aquele dedão feio para as estrelas e dizia “caaaasa, caaaasa” ? Pois é, a gente começa a lembrar da nossa cama, do nosso quarto, do nosso canto, a saudade de tudo começa a se insinuar de vagarinho e a gente começa a imaginar como ficarão as telas na parede, onde vai colocar isso e aquilo, e também quanto vai pagar de excesso de bagagem. Aí começa uma espécie de retorno mental: a gente fica dividido entre a saudade dos novos lugares que conheceu, das pessoas queridas que vai deixar e a saudade dos que esperam o nosso regresso.

Mas no final, como no filme do E.T., tudo contribuiu pra dar tudo certo e a vidinha retoma seu curso.
Muito feliz por voltar ao nosso convívio aqui no blog. Aos poucos, aqui e ali, irei postando algumas das melhores impressões que tive nestas férias e algumas fotos. Agradeço a todos os amigos e amigas que deixaram mensagens estimulantes nos comentários. Carpe Diem.

domingo, 19 de dezembro de 2010

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Meu umbigo e uma pequena pausa aqui no blog


Antes de falar de mim e de meu tratamento, tem-me sido bem mais fácil (e acho até que isso se tem traduzido em mais utilitarismo para aqueles que acompanham o blog) limitar-me a postar - antes mesmo que venham a ser publicadas nos principais portais eletrônicos de notícias do país - as matérias que pesquiso e traduzo dos sites de instituições reconhecidas como de excelência no desenvolvimento e na publicação de pesquisas na área da oncologia. E isso, sem o sensacionalismo irresponsável que muitas das vezes só desperta falsas esperanças em quem já está vulnerabilizado pela gravidade de uma enfermidade.
Mas hoje vou falar um pouco do andamento do meu tratamento contra o linfoma, uma forma de câncer do sistema linfático que descobriram em mim em agosto do ano passado.  Quem se interessar pelo histórico pode ver como tudo começou consultando os arquivos do blog.
Depois que recebi o 6º ciclo da quimioterapia R-chop no Hemoam, os exames de controle verificaram uma redução no tumor de 12 cm para algo em torno de 5,5 cm. Claro que eu preferia uma remissão total, mas só tenho que agradecer a Deus essa vitória parcial: e não poderia ter sido pior?
Passei a fazer exames de controle de 3 em 3 meses e a tomar o Mabthera (Rituximab, ou Rituxan) com a mesma periodicidade. O 2º exame e a 2ª aplicação foram no início do mês de outubro/10 e não indicou alteração consistente no tamanho do tumor. Devo continuar tomando o Mabthera como terapia de manutenção. O hematologista que me trata já me disse que se o tumor voltar a crescer, o mais indicado a fazer será o transplante autólogo de medula.
Voltei às minhas atividades normais em abril/10. Até hoje sinto uma ardência na planta do pé esquerdo e, às vezes, simplesmente deixo de senti-lo, como se ele não existisse, e há cerca de um mês voltei a sentir também coceiras nas pernas todas as noites, mas não com o mesmo frenesi do dia em que fiz a laparotomia exploratória, quando foram removidos pedaços do tumor para exame (biópsia) e cocei e esfreguei tanto minha bunda que quase arranco pedaços.
A doença mudou algumas coisas em mim, na minha vidinha, na minha percepção do mundo, umas pra melhor; outras, pra pior. Ela me trouxe, por exemplo, uma consciência mais concreta do fenômeno da morte material como uma experiência intrínseca à vida na face da terra, e sua implicância no afastamento definitivo de meus entes queridos. Trouxe-me também certa irritabilidade, uma ansiedade que às vezes não consigo controlar face minha inabilidade para lidar com coisas não-resolvidas, pendentes sobre minha cabeça. Mas me anima pensar que tudo vai dar certo, e isso deve ser importante em todo esse processo.
Quero desejar a todos os amigos e àqueles que acompanham o meu trabalho aqui no blog, mas, sobretudo e principalmente àqueles que estão nesse momento lutando bravamente pela vida contra esta doença infame em casa, junto da família ou internados em uma unidade de tratamento hospitalar, um Natal e um novo ano cheios de luz e de esperança, cheios de merecimento pela saúde e pela cura redentora.
Que Cristo, nosso exemplo maior cujo advento comemoramos nesta época (mesmo convencido que de fato seu nascimento se deu em setembro),  não seja apenas um nome, mas, sobretudo um princípio, um Estado de Consciência a buscarmos obstinadamente nesta aventura aqui no Planeta Azul de existência material.
Eu os abraço a todos, fraternalmente, e agradeço. Fiquem com Deus!
A partir de hoje estarei afastado aqui do blog, em viagem de férias com Sandrinha, até o dia 17/01/11. Espero encontrá-los na volta para juntos darmos continuidade a este modesto trabalho.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

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Lagoa do Cauipe - CE

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Preferi deixar as fotos falarem primeiro. Este pedacinho do Ceará está a 20 minutos de carro de Fortaleza. Você escolhe: água doce, da lagoa, ou salgada, do mar. Os dois ambientes alí, um ao lado do outro. Mas, se eu fosse você, eu aproveitaria de tudo. Devo essa visita ao Marcos, que, além de nos acolher em seu apartamento em Fortaleza, em março, ainda nos presenteou com uma visita a este lugar magnífico.
Aqui não existem agulhas, enfermeiras, exames, quimioterapia, expectativas, prognósticos, corticóide, incertezas, nem efeitos colaterais. Se nos entregarmos, a Natureza nos mergulha na mais profunda Paz e nos faz esquecer o lado obscuro das coisas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

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Canoa Quebrada II

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Ó aí, Carolyne, tudo isso e muito mais vocês vão viver nesse paraíso. Clima de aventura, de mistérios trazidos do mar pelo vento em sussurros, de romance…Pra onde a gente se vira tem uma paisagem, um cenário, ou uma poesia-cenário ora em verso ora em prosa para ser sorvida pelos sentidos ao mesmo tempo encantados e atônitos com esta soberba  dádiva da natureza. A cor ocre das falésias contribui com seu tom quente na paleta de cores de Canoa Quebrada, equilibrando os tons frios do   azul do céu e do verde do mar em seu eterno encontro, ao mesmo tempo cartesiano e poético.

E ainda tem a brisa, o cheiro de mar e da magia de qualquer coisa vaga que paira no ar, que inalamos com prazer sublime como um perfume raro e exótico que nos anima e também nos enternece. Algo que não se poderia descrever com a frieza das palavras, sem ser sacrílego. Impotente, recorro a Fernando Pessoa, que paece ter sido definitivo em muitas das coisas sobre as quais meditou e plasmou com arte:

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
(Fernando Pessoa)
Sim, navegar é preciso, mas, se não der, ficar à beira mar em Canoa Quebrada de vez em quando……
Pra se visitar a dois, com alguém muito, muito especial.

quarta-feira, 31 de março de 2010

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Canoa Quebrada

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Um paraíso, um delírio para os sentidos no litoral atlântico cearense. Para os olhos e para o paladar, então...

Praias paradisíacas sob um céu de um azul incrível; passeios de jangada, de bug pelas dunas de açúcar. A gastronomia é um capítulo à parte onde reinam peixes deliciosos, camarões enormes, caranguejos e lagostas - frutos do mar recém-colhidos e preparados segundo a tradicional cozinha cearense, acompanhados - se preferir o colorido local - de melasca, coquetel de cachaça com mel de caju ou de cana, limão e muito gelo. Destaque para a inimaginável moqueca de arraia e para o pargo assado servido na telha. Simplesmente duca!!

Centenas de pousadas simpáticas e bem-transadas.

À noite, na charmosa Broadway (antiga “Dragão do Mar”), principal rua da cidade,  com seu calçamento em pedra portuguesa, ponto de encontro e coração do comércio e do entretenimento em Canoa Quebrada, a “negada”  se reúne nos bares, cafés e restaurantes maneiros ou percorre as lojas, que ficam abertas até as 22:00.

Baixa estação. Imaginem a loucura na alta. Inesquecível!

domingo, 20 de dezembro de 2009

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A Força da VIDA



Sim, felizmente existem pessoas que, como José Alencar e o blogueiro Nelson Sonntag conseguem aparentemente suportar todos, ou pelo menos a maioria dos problemas do dia-a-dia e adversidades sem reclamar, serenas, sempre com um sorriso característico nos lábios. Elas são realmente admiráveis e exemplares para todos nós.  
E não se trata apenas de conformismo. Não. Essas pessoas têm algo de superior dentro de si, algo que as impulsiona a lutar e, se for preciso, até em campos situados além dos limites do racional, do factível e do humano contra as fatalidades, os infortúnios, contra os prognósticos mais realistas e virtualmente incontornáveis da chamada ciência positivista. Algo, talvez,  como o que se convencionou chamar de FÉ

Eu, de meu lado, sempre fui um inconformista. Mais por princípios que por convicções adquiridas. Tenho me debatido anonimamente, intransigentemente, levando aos limites extremos do que a sociedade convencionou considerar como dentro do razoável as minhas batalhas quixotescas pessoais - as de foro íntimo e as da coletividade humana. Tenho lutado contra o que considero afrontoso ao mínimo necessário à dignidade humana, contra a exploração do homem pelo homem e contra a interferência exagerada do Estado autoritário sobre as liberdades individuais. Contra o superimposto, mas também contra o dado por consumado e acabado, sobretudo no que se refere ao que possa interferir no que considero como o “meu controle pessoal e intransferível sobre o curso natural da minha vida”, meus sonhos e projetos mediatos e imediatos. E também contra aqueles convencionalismos sociais consagrados pelo uso e que considero idiotas e sem fundamento na dinâmica da vida ou na lógica mais elementar.
E não tenho dúvidas, amigos, por mais que me esforce na temperança, jamais poderei ser citado - com este meu humor oscilante - como exemplo de estoicismo, de fortaleza de ânimo, de austeridade impassível, imperturbável, sorridente, de luta travada do jeito que Alencar e Sonntag o fazem. Desculpem, mas acho que sou demasiadamente humano, egoísta e consciente da minha mortalidade para conseguir esse nível de sublimação, de renúncia moral, de estabilidade emocional. De nobreza de espírito. Provavelmente meus defeitos superem em número minhas virtudes.

Para mim não foi nada fácil acordar num dia qualquer do já longínquo mês de agosto e descobrir perplexo, nauseado, estarrecido, que já não era mais um ser humano e, sim, que me havia absurdamente transformado em algo como um inseto frágil e repulsivo.. Numa barata, mais precisamente, como acontece com Gregor Sansa, o caixeiro-viajante, no romance A Metamorfose, de Franz Kafka. Só que, comigo, a metamorfose não seria na forma. Iria além e se manifestaria no âmbito das minhas necessidades físicas essenciais, minhas emoções, meus sentimentos e, como um terremoto, embaralharia tudo o que eu começara laboriosamente desde o despertar da consciência a edificar como minha – precária, mas essencial – concepção, visão de mundo, minha sustentação religiosa, filosófica, ética, dialética e conceitual.
Confesso que me tenho deixado dominar às vezes pela síndrome da barata, pelo desânimo e pela revolta, chegando ao ponto de ser até grosseiro e mal-educado nestes momentos, como aconteceu na sexta-feira passada. É quando me sinto vulnerável, vagueando solitário no vale das sombras e me rebelo diante do fatalismo das realidades consumadas, contra o estar doente, a falta de liberdade, contra todas as limitações que tenho hoje para simplesmente sair de casa, trabalhar, andar de moto, tomar sol, ir às compras em qualquer lugar e sem preocupações com infecções, oportunistas ou não. Viver, enfim, a vida inocente que eu antes não valorizava muito, mas que agora gostaria de ter de volta.
Na obra A Força da Vida, do lendário desenhista Will Eisner, o personagem central Jacob Shtarkam, após ver ruírem todos os alicerces de sua vida e de seus sonhos, tentando manter-se vivo dentro de uma crise existencial, cruza com uma barata em seu caminho e pergunta-se qual seria a diferença entre um homem e um inseto como aquele. E conclui que, para uma barata, o viver já é o bastante. Mas para ele, além de viver, seria necessário também se perguntar por quê.

Tenho certeza que não teria dificuldade para responder a esta pergunta. 
Baixe aqui
A Força da Vida  e 
A Metamorfose
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Ontem, sábado, fomos almoçar na casa do João e da Preta. Tudo perfeito, como sempre. O papo, a música, as bebidas e as matrinchãs grelhadas ao molho vinagrete e a fraldinha também grelhada, com farofa que foram servidas no almoço.
Já não estava me sentindo muito bem quando voltei para casa. Os sintomas eram os mesmos que me levaram à “urgência” do Hemoam terça-feira passada. Febre, dor no peito, secreção, dor na garganta e nos gânglios em volta do pescoço, cansaço e mal-estar geral.
Como acordei pior hoje de manhã, resolvemos estrear o novo plano de saúde – Geap-Saúde, cujo período de carência já foi cumprido há mais de um mês. Fomos até a clínica Sto Alberto, na Cachoeirinha. Exame clínico, hemograma, nada de anormal. Mas me receitaram um antibiótico, Azitromicina, com posologia de 24 horas, tomei o 1º às 16:30 e agora, ãs 21:45 já estou me sentindo bem melhor. As coisas funcionam bem as vezes. :=]

sábado, 12 de dezembro de 2009

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Caeci sunt oculi, si animus alias res agit


"Os olhos são cegos, se o espírito se ocupa de outras coisas".

Como declarei no meu primeiro post aqui, sou um desses tipos meio travados, bobos para falar de si mesmos. Minha proposta inicial no blog era disponibilizar informações sobre a evolução de meu tratamento de forma a manter amigos, parentes distantes e interessados comodamente a par do meu estado de saúde. 

Aproveitaria também da versatilidade e capilaridade do espaço criado para tentar prestar algum tipo de serviço que fosse de alguma utilidade - algo talvez como uma súmula atualizada de pesquisas sobre matérias relevantes - aos que passam, passaram recentemente ou assistem a outras pessoas que passam por problema de saúde parecido com o meu.  

E acho até que de alguma forma, discretamente, minimalista, essencial, venho ultimamente até conseguindo fazer isto – é tudo tão recente – na medida de minhas óbvias limitações e na razão em que os acontecimentos que fogem do trivial da rotina do meu tratamento se insurgem contra a minha resistência em falar de meu umbigo, e que as pessoas começam a acessar o blog mais intensamente, nessa rede de solidariedade que a minha mais recente necessidade de empatia me revelou como a faceta mais bela, mais humanizada da www, da Grande Rede Mundial de Computadores.
Confesso que não seria capaz, nem gostaria - nem seria interessante - de ocupar todo o espaço do blog a falar exclusivamente de minúcias técnicas de meu tratamento, de protocolos adotados, drogas antineoplásicas, hemogramas, tomografias, definições da doença ou outras coisas no gênero. Isso o tornaria muito limitado em relação aos acessos que poderia ter se diversificasse sua linha de assuntos para abranger um público maior, cujo interesse recaísse direta ou incidentalmente sobre o assunto do câncer, tudo bem, mas sem perder, no entanto, de vista, o foco original, essencial da existência - a Saúde, mas, sobretudo, a Vida e o Bem Viver.
Preferi então deixar as definições e as longas dissertações técnicas para os sites especializados que selecionei - lincados no sidebar - onde certamente estes assuntos da oncologia serão tratados com mais propriedade e profundidade. Decidi também, sempre que possível e no interesse do leitor, dar a este a opção - através de links diretos no corpo do texto – de acessar os sites onde determinado verbete ou assunto em pauta certamente será tratado com mais espaço e mais adequadamente. 
E, afinal, desculpem-me o trocadilho, ficar tratando o tempo todo de doença acabaria sendo meio... doentil, n'est pas?
Tenho então optado por dar mais espaço às matérias que versam sobre tratamentos alternativos e sobre os avanços nas pesquisas científicas na cura do câncer, como nos posts Açaí pode combater células do câncer , Vinho ou açaí? Depende... , Vinhos auxiliam tratamentos quimioterápicos  e Chá verde pode bloquear ação da quimioterapia, para citar alguns.
Procurei privilegiar também as matérias de cunho informativo e noticioso, como nos posts Medicação e exames de alto custo no SUS  onde conto a história recente do jovem empresário que acabou morrendo sem obter a medicação de alto custo de que necessitava e no post que considero de utilidade pública, Remédio contra câncer só na justiça onde são detalhados os trâmites a seguir em caso da necessidade de se recorrer à justiça, através do Ministério Público, para se conseguir rapidamente o acesso a medicação de alto custo.
De resto, como moro na Amazônia e sou apaixonado pela natureza e por essa região singularíssima do Planeta onde a biodiversidade e os adjetivos pululam – a qual tenho o privilégio de conhecer nada mal principalmente devido ao exercício da minha profissão há três décadas nela -, não tenho resistido à tentação de postar algumas belas fotos de paisagens aqui e ali, tiradas por mim, por amigos. 

Acredito que seja esta uma forma simpática de compartilhar as belezas naturais da região com os leitores das outras regiões e estrangeiros, principalmente os da Europa, que sempre nos honram com suas visitas (incluindo os portugueses tão queridos, puta saudade de Guimarães e do bacalhau d”A Curva do Filho do Zé da Nora”). 

E de, ao mesmo tempo e de quebra, temperar, fazer deste um momento de descontração, de magia talvez até dissipativa das preocupações latentes, de vôo salutar do pensamento, do espírito, livre para onde doenças até nem existam, longe das limitações do espaço-tempo, da matéria, das agulhas, das drogas e dos insuportáveis efeitos colaterais. Afinal, “navegar é preciso”, isnt'it ? Na net, na imaginação poderosa e libertadora. No pensamento.
Essa coisa bonita, sublime, essa irmanação (irmana-ação), essa irradiação de energia amorosa em megabytes por segundo, extensão da energia do pensamento, essa solidariedade quase anônima, comovente e despojada que nos une pelo coração, pela tecnologia e pela adversidade superando distâncias oceânicas e diferenças culturais, unindo regiões e continentes tão distantes para trocar sorrisos e lágrimas, para superar estas mesmas adversidades - tão humanas - não se pode limitar apenas aos assuntos relativos à saúde e à doença, que nada mais são que meros atributos de nossa condição existencialista meramente material.
A Vida está lá fora e vibra também aqui, dentro de nós, no pulsar de nossos corações, de nossas veias que estendemos para a dor da agulhada e a remissão esperada da quimioterapia. Mas também, e talvez, sobretudo, no nosso senso estético, poético, na nossa capacidade humana de distinguir entre o bem e o mal, o bom e o ruim, a bela e a fera, entre Eros e Tanathos e todas as nuances e tons e semitons quase infinitos em número,  matizes, não-maniqueístas, aprisionados, anônimos no intervalo entre estes extremos.
Penso que por isso temos sempre que ter em mente, mesmo em se tratando de um simples resfriado ou dor de barriga que não somos doentes e, sim, que apenas estamos doentes, que isso tudo é provisório, circunstancial, eventual como e quanto nossa língua portuguesa nos permite distinguir tão bem entre o ser e o estar. E que a cura é só uma questão de tempo, de intensidade da força positiva da mente sobre a matéria - de , se preferirem. 

E que rir de uma tira da Mafalda, com toda a sua ingênua crueza filosófica existencialista, efeito proposital e genial por parte de seu criador, Quino, é rir em cumplicidade com a Vida, ao lado dela como velhos companheiros que somos a Vida e cada um de nós, enquanto ouvimos Eva Cassidy cantando Bridge Over Troubled Water, ao longe.
Não tenho dúvidas: o pensamento é a energia mais poderosa de toda a criação e tudo, tudo o que tem existência material, inclusive a doença, tem um período gestacional, foi anteriormente concebido em uma mente. Fractal, Humana, Cósmica, Universal, Divina.
Mas hoje é sábado. Aê, grande fimde pra nós!  :=]
FORÇA BRUNA & TADEU.

domingo, 22 de novembro de 2009

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Férias nos States



As férias de fim de ano estão aí. Um dos destinos mais procurados pelos brasileiros, especialmente neste período das férias escolares, são os States. Tem até uma companhia aérea panamenha que está cobrando US$ 400 (ida e volta) Manaus-Orlando, sem taxa de embarque e de segurança, operando em aeronaves Embraer 190AR, cuja capacidade é de 94 passageiros. Então...
O principal destino, Orlando, é um paraíso repleto de opções de lazer, uma puta, gigantesca máquina caça-níqueis no melhor estilo yanke. Abriga os melhores parques de diversão e temáticos do mundo, restaurantes, casas de espetáculo e.... Shoppings. Isso mesmo, compras! Capítulo à parte, acabam se transformando num misto de delícia e de doce tortura na medida em que o (melhor colocar no plural) os objetos do prazer de consumo exibem preços altamente provocantes, sedutores, mesmo, enquanto que os orçamentos, reforçados com a receita adicional do décimo terceiro e das férias remuneradas, mais as economias, estão invariavelmente abaixo do que se poderia desejar e quase sempre estouram, onerando o cartão de crédito.
E Brasileiro classe média, a gente sabe, adora, venera os chamados gadgets. Literalmente engenhoca eletrônica, que, caros, além da sua função estrita eles podem, enquanto destinados ao uso ostensivo, agregar a função social de atribuir status ao portador. Alguns, inclusive, se recusam a vir para o Brasil – e quando vêm custam o dobro ou o triplo do preço.

Dentre os mais cobiçados estão os gadgets da Aplle e da Sony, de longe os mais caros. Os da Apple custam duas vezes mais no Brasil que nos EUA. Com a mesma grana, por exemplo, você compra um iPod Nano aqui ou dois nos states, e ainda tem troco. A Sony trouxe o PS2 oficialmente para o Brasil, custando quatro vezes mais caro que nos EUA.


Sexta-feira de feriadão. Os acessos caíram muito por aqui. Muita gente viajou desde Quinta à tarde. Fui para a grande rede fazer uma pesquisa de preços. Consultei o preço de produtos selecionados nas lojas virtuais Apple Store online e Sony Style online. Vejam, Mauricinhos e Patricinhas a diferença de preço dos states pra cá, e revoltem-se.


Ah... e boas férias!