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sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
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Desta vez as coisas foram
bem diferentes, mais agitadas, mas não menos agradáveis. Talvez um pouco daquele
cansaço prazeroso ao qual alude Sêneca quando indaga: “Não existem igualmente prazeres corporais que se reforçam com uma
sensação dolorosa, como quando uma pessoa se vira sobre o lado que ainda não
está fatigado e se agita sem cessar procurando uma posição melhor?”. A fuga
da rotina, da mesmice. A mudança de lugar. O prazer da variação? Em um dos
trechos que fizemos, ainda no microônibus que nos conduzia, o Guia já oferecia
novos pacotes de passeios e as pessoas se apressavam em reservar seus lugares,
sem se darem conta de que mal teriam tempo de conhecerem e desfrutarem do
paraíso de Jericoacoara, nosso destino inicial.
Em Crateús, cortei o cabelo
lá no Deusin, matei a saudade da deliciosa paçoca de dona Djanira, minha sogra,
dos papos com “seu” Antônio, minha sede com cajuína e me emocionei com nosso
singelo Natal em família. Em Natal, fizemos passeios inesquecíveis e conhecemos
os melhores restaurantes ao lado de Hugo e Rejane, nossos cúmplices potiguares,
companheiros de aventuras no R. G. do Norte, visitei o maior cajueiro do mundo e
coloquei um palmo de língua pra fora escalando a duna de Genipabu pra apreciar
o pôr-do-sol lá de cima – lindo!
Férias bem diferentes e um retorno meio preguiçoso
Férias é sair da rotina. E
estas foram as mais movimentadas que já tive.
Tem
gente que prefere, principalmente os mais jovens e cheios de energia, quebrar a
rotina do dia-a-dia de forma mais agitada: praias ensolaradas diariamente, esportes
aquáticos, longos passeios de buggy
nas dunas com muita adrenalina, baladas, restaurantes da moda, compras em “novos”
shoppings e toda a gama quase
infinita de atividades lúdicas que as praias e as capitais do nordeste
brasileiro oferecem. Chega-se até a acordar mais cedo pra se ter mais tempo disponível.
Para outros, como eu, que
moro numa estufa com temperatura anual variando entre os 36 e os 40 graus e já
passei dos 50, pra variar basta uma temporada num lugar friozinho, melhor ainda
com uma bela paisagem serrana, cheiro de mato e boa música pairando no ar, um
bom livro. Cozinhar algo especial, se deslumbrar com o espetáculo do sol se
pondo em outra latitude, acordar e ir dormir mais tarde, quiçá uma bebidinha de
leve em boa companhia. Assim transcorreram minhas férias do ano passado, em
Ouro Preto, com Sandrinha: sossego, sombra e vinho tinto seco.
Desta vez, além do
deslocamento aéreo Manaus-Fortaleza-Manaus, rodamos dezenas de horas por quase
3.000 km pelas estradas do nordeste em deslocamentos a Crateús/CE, Natal/RN,
Praia da Pipa/RN, Genipabu/RN, Jericoacoara/CE e Quixadá/CE.
Fiquei vários dias,
indolentemente, tomando água de côco, picolé de cajá e de mangaba, comendo
camarão e lagosta nas praias da Ponta Negra e da Pipa, na praia do Futuro e na
praia de Jericoacoara, enquanto esperava Sandrinha adquirir “aquele” tom
dourado na pele.
Ah! – as compras! – Ia
esquecendo das compras! Tivemos que comprar mais duas mochilas grandes (uma
delas assinada pelo talentoso artesão Expedito
Seleiro) e uma valise pra acomodar o estrago em nossas economias. Fomos com
dois volumes e voltamos com oito! Uma orgia: telas da incrível arte naif nordestina (inclusive um Militão dos Santos, um Fé Córdula e dois Edilson Araújo), algum artesanato, um caleidoscópio, alguma roupa e
presentes. E ainda havia os queijos, a nata e os maravilhosos potes de doces
caseiros de dona Djanira. Até uma linda rede em algodão em cor cultivada,
natural! Mas, milagrosamente, não fizemos dívidas.
Passamos 27 dias fora de
casa. Depois de uns 20 dias curtindo e perambulando começou a bater, como
sempre, um certo banzo. Lembram do filme “E.T.
- O extraterrestre”, quando o pequeno alienígena apontava com aquele dedão
feio para as estrelas e dizia “caaaasa, caaaasa” ? Pois é, a gente começa a
lembrar da nossa cama, do nosso quarto, do nosso canto, a saudade de tudo
começa a se insinuar de vagarinho e a gente começa a imaginar como ficarão as
telas na parede, onde vai colocar isso e aquilo, e também quanto vai pagar de
excesso de bagagem. Aí começa uma espécie de retorno mental: a gente fica
dividido entre a saudade dos novos lugares que conheceu, das pessoas queridas
que vai deixar e a saudade dos que esperam o nosso regresso.
Mas no final, como no filme
do E.T., tudo contribuiu pra dar tudo certo e a vidinha retoma seu curso.
Muito feliz por voltar ao
nosso convívio aqui no blog. Aos poucos, aqui e ali, irei postando algumas das
melhores impressões que tive nestas férias e algumas fotos. Agradeço a todos os
amigos e amigas que deixaram mensagens estimulantes nos comentários. Carpe Diem.
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daniel
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domingo, 19 de dezembro de 2010
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Meu umbigo e uma pequena pausa aqui no blog
Antes
de falar de mim e de meu tratamento, tem-me sido bem mais fácil (e acho até que
isso se tem traduzido em mais utilitarismo para aqueles que acompanham o blog) limitar-me
a postar - antes mesmo que venham a ser publicadas nos principais portais eletrônicos
de notícias do país - as matérias que pesquiso e traduzo dos sites de instituições
reconhecidas como de excelência no desenvolvimento e na publicação de pesquisas
na área da oncologia. E isso, sem o sensacionalismo irresponsável que muitas
das vezes só desperta falsas esperanças em quem já está vulnerabilizado pela
gravidade de uma enfermidade.
Mas hoje vou falar um pouco
do andamento do meu tratamento contra o linfoma, uma forma de câncer do sistema
linfático que descobriram em mim em agosto do ano passado. Quem se interessar pelo histórico pode ver
como tudo começou consultando os arquivos do blog.
Depois que recebi o 6º ciclo
da quimioterapia R-chop
no Hemoam, os exames de controle verificaram uma redução no tumor de 12 cm para
algo em torno de 5,5 cm. Claro que eu preferia uma remissão total, mas só tenho
que agradecer a Deus essa vitória parcial: e não poderia ter sido pior?
Passei a fazer exames de
controle de 3 em 3 meses e a tomar o Mabthera (Rituximab, ou
Rituxan) com a mesma periodicidade. O 2º exame e a 2ª aplicação foram no início
do mês de outubro/10 e não indicou alteração consistente no tamanho do tumor. Devo
continuar tomando o Mabthera como terapia de manutenção. O hematologista que me
trata já me disse que se o tumor voltar a crescer, o mais indicado a fazer será
o transplante
autólogo de medula.
Voltei às minhas atividades
normais em abril/10. Até hoje sinto uma ardência na planta do pé esquerdo e, às
vezes, simplesmente deixo de senti-lo, como se ele não existisse, e há cerca de
um mês voltei a sentir também coceiras nas pernas todas as noites, mas não com o
mesmo frenesi do dia em que fiz a laparotomia exploratória,
quando foram removidos pedaços do tumor para exame (biópsia) e cocei e
esfreguei tanto minha bunda que quase arranco pedaços.
A doença mudou algumas coisas
em mim, na minha vidinha, na minha percepção do mundo, umas pra melhor; outras,
pra pior. Ela me trouxe, por exemplo, uma consciência mais concreta do fenômeno
da morte material como uma experiência intrínseca à vida na face da terra, e
sua implicância no afastamento definitivo de meus entes queridos. Trouxe-me
também certa irritabilidade, uma ansiedade que às vezes não consigo controlar face
minha inabilidade para lidar com coisas não-resolvidas, pendentes sobre minha
cabeça. Mas me anima pensar que tudo vai dar certo, e isso deve ser importante
em todo esse processo.
Quero desejar a todos os
amigos e àqueles que acompanham o meu trabalho aqui no blog, mas, sobretudo e
principalmente àqueles que estão nesse momento lutando bravamente pela vida
contra esta doença infame em casa, junto da família ou internados em uma
unidade de tratamento hospitalar, um Natal e um novo ano cheios de luz e de
esperança, cheios de merecimento pela saúde e pela cura redentora.
Que Cristo, nosso exemplo maior
cujo advento comemoramos nesta época (mesmo convencido que de fato seu
nascimento se deu em setembro), não seja
apenas um nome, mas, sobretudo um princípio, um Estado de Consciência a
buscarmos obstinadamente nesta aventura aqui no Planeta Azul de existência
material.
A partir de hoje estarei
afastado aqui do blog, em viagem de férias com Sandrinha, até o dia 17/01/11.
Espero encontrá-los na volta para juntos darmos continuidade a este modesto trabalho.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
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Natal na terra do Repente e do Cordel
Não é por acaso que o Estado do Ceará recebe milhões de
turistas por ano, de todos os cantos do mundo. Praias ensolaradas e paisagens encantadoras, gastronomia exuberante, povo acolhedor, artesanato interessante, ritmos sensuais...a lista é imensa.
Estamos com as passagens
compradas. Este ano Sandrinha e eu decidimos passar o Natal com os pais dela em
Crateús, uma cidadezinha tranqüila e ensolarada do Sertão cearense, no Nordeste
brasileiro, onde eles nasceram, cresceram, construíram uma bela história de
vida e onde quase todo mundo se trata pelo primeiro nome. Andar com os dois
pelas ruas é testemunhar um interminável festival de efusivos cumprimentos e
saudações. Todos se conhecem.
Ele, hoje aposentado, foi o
dentista de metade da população. Dona Djanira e Dr. Antônio vivem praticamente como viviam em meados do século passado, mas com as comodidades do
mundo atual. Seguem uma rotina tranqüila, saudável, flexível e eletiva,
quebrada apenas pelas efemérides municipais, pelas eventuais visitas dos filhos e netos ou quando
simplesmente decidem quebrá-la, prá variar. Desfrutam de uma qualidade de vida
muito superior a da maioria daqueles que migram para a capital em busca de “ser alguém na
vida”, diplomas, destaque, certificados, cargos públicos e, paradoxalmente,
acabam se perdendo no anonimato estressante e massificador das grandes cidades.
Mas cearense é assim mesmo,
andarilho. Não se enrola nem perde a parada. Arretado e avesso a formalismos fuleiros
traz no consciente coletivo certa mania de grandeza que ele mesmo é o
primeiro a satirizar. E ele tem muito do que se orgulhar. Chegam a ser
proverbiais o bom-humor e a presença de espírito na cultura riquíssima desse
povo alegre e gozador mesmo diante das adversidades.
Em Crateús até as obrigações
as mais banais têm outro brilho. Ir ao barbeiro, por exemplo. Cortar o cabelo
nunca foi algo propriamente agradável pra mim. Faz parte da rotina dos tais
cuidados estéticos básicos masculinos, coisa que recuperei depois da fase careca do
período da quimioterapia. E foi lá em Crateús, em março, que voltei a
freqüentar o barbeiro. O incrível, o único, o inimitável, o inigualável, o
insuspeitável, ELE, simplesmente - “Deusin”.
Pode até parecer exagero,
mas estou deixando o cabelo crescer desde minha última viagem a Rondônia, em
setembro. Não vejo a hora, imaginem, de chegar dezembro para poder sentar de novo na
velha poltrona de barbeiro do “Deusin”, caba
danado de bom e velho profissional da tesoura da cidade (nos dois
sentidos:real e figurado) e me entregar ao prazer lúdico de ficar só escutando
os causos, a crônica espirituosa dos fatos (que ele “aumenta, mas não inventa”) e dos
personagens populares do cotidiano em Crateús, que ele retrata com um entusiasmo quase
infantil e no mais genuíno dialeto cearês.
Uma verdadeira viagem pelo imaginário nordestino.
E tudo recheado com aquelas deliciosas
expressões burlescas tipo Vaudeville (termo adulterado do francês, “voix de
ville”, voz da cidade) que só a despojada alma cearense cria,
fabula e
pronuncia corretamente, como “mano
véi”(velho
amigo), “vixe!”, “pimbada”, “xoxota”, “gota
serena”, “fuleiro”, “caba”, “macho”, “abestado”, “arretado”, “danado de bom”, “mijar”, “nos
trinques”, “baitola”, “botar boneco” (ser inconveniente), “numsivexe” (não se apresse) e por aí
vai, prá citar só aquelas que estou lembrando agora.
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daniel
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
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Quinta quimioterapia – penúltima?
Hoje faz exatamente uma semana. Foi no último dia 30/12. Chegamos ao Hemoam às 08h30min, mas a perfusão do mabthera só foi começar às 10h30min. O enjôo bateu logo de cara. Estou aliviado porque até agora não me apareceram os desagradáveis transtornos gastrointestinais, que normalmente surgem com a supressão dos medicamentos coadjuvantes, o omeprazol e a prednizona. Desde o terceiro ciclo não tenho tido mais febre. Até esse domingo do último Dia dos Pais eu nunca tinha ouvido falar em linfoma. Dai a alguns dias eu passaria pela laparotomia exploratória.
O "efeito colateral" que me incomoda mais agora é o cansaço. Devo ter agora só dois glóbulos vermelhos, hehehe, o tico e o teco, hehehe. Basta que faça qualquer pequeno esforço que me parece que vou “botar os bofes pela boca”. As fotos que aparecem aqui mostram bem as mudanças que passei na aparência. E acho que elas foram grandes para apenas quatro meses. Aumentei oito quilos, parte por aumento de peso, parte pela ação das drogas, principalmente dos corticóides, que deformam. Fiquei espantado quando vi as fotos do Ano-novo. Pareço com uma baleia verde ecológica, hehehe, de tão redondo, hehehe. E as sobrancelhas, onde foram parar, hehehe? Venho perdendo os pelos do corpo todo, braços, pernas, peito,..
Espero que esta tenha sido realmente a penúltima sessão, de um total de seis previstas, e que no fim de janeiro eu possa fazer minha tomografia e ver que tudo até aqui valeu a pena :=]
Natal e Ano-novo: 8 quilos mais gordo e inchado.
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daniel
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
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