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sexta-feira, 20 de abril de 2012

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O incrível e brilhante anel do homem que não tinha dedos

A Etimologia é a parte da Gramatica que estuda a origem e o significado das palavras através da análise dos elementos que as constituem. Em outras palavras, é o estudo da composição dos vocábulos e das regras de sua formação e evolução histórica. A palavra datilografia, por exemplo: do grego dáktylos, «dedo» + gráphein, «escrever» +-ia = “ação de escrever com os dedos”.
Há muitos anos eu conheci um homenzinho notável que amava a palavra escrita e desafiava ou parecia ignorar todos estes conceitos para dar lições de vida, pertinácia e superação. Mas, como parece que estou ficando velho, sentimental e cheio de recordações – algumas até interessantes, como esta - permitam-me um pouco de saudosismo de uma época recente, antes de falar brevemente deste homem que vivia para dar corpo e forma às palavras.

Nunca frequentei uma escola particular. E, se até o início da década de 70, estudar numa escola pública, no Brasil, podia ser considerado um privilégio conquistado por aprovação nos Exames de Admissão ao Ginásio (Língua Portuguesa e Matemática), estudar no Colégio Estadual Paes de Carvalho, em Belém, onde eu morava, era um privilégio para poucos, tal o nível de conhecimentos exigidos dos candidatos que se aventurassem nos duros exames dissertativos (nada de a-na-bu, bu-bu, pelo ra-bo do ta-tú) aplicados pelo estabelecimento fundado em 1841, hoje o segundo colégio mais antigo em funcionamento no Brasil, depois apenas do Pedro II, do Rio. 

O velho e imponente casarão da Praça da Bandeira mantém ainda hoje algumas características de outrora, como as escadarias separadas, uma para alunos, outra para alunas e uma terceira só para professores e funcionários. Mas os chamados “acordos de cooperação” MEC-USAID, que mudaram as bases e empobreceram o orçamento do então excelente ensino público do País, transferindo para o capital e para os empresários a responsabilidade da educação do cidadão brasileiro, minaram o que a escola tinha de melhor na sua finalidade, ou seja, a excelência de seu ensino, motivo de seu orgulho institucional.
Hoje, professores e alunos vivem de esmolas nas escolas públicas e as particlulares, com raras excessões, fingem que ensinam enquanto auferem lucros astronômicos... 

Dentre as inúmeras e enriquecedoras experiências vividas nesse ambiente de descobertas, uma, em especial, me tem recorrido à memória reiteradamente nesta fase de minha vida, como algo exemplar e emblemático da capacidade humana de superação e de valorização da existência diante de certas surpresas que a vida guarda pra gente. 

As gincanas promovidas pelo Centro Cívico eram realizadas no mês de junho na escola, e procurávamos a cada ano sempre apoiar de alguma forma o esforço das instituições filantrópicas de amparo ao idoso, aos órfãos, aos enfermos, carentes.

Naquele ano, eu e minha equipe tínhamos recebido, entre outras, a tarefa de recolher donativos para um asilo de portadores da enfermidade conhecida como Mal de Hansen, Lepra, Hanseníase, Morfeia, ou Mal de Lázaro, que é uma doença antiquíssima, infecciosa, contagiosa, há anos perfeitamente curável em seus estágios iniciais, causada pela bactéria conhecida como bacilo-de-hansen, que afeta os nervos, a pele e pode provocar incapacidade e deformidades. Nessa época costumava-se ainda isolar estes enfermos internando-os em asilos para tratamento em locais distantes das cidades, onde estariam sujeitos a todo tipo de constrangimento e discriminação.

A colônia ficava a cerca de 20 km da cidade e ocupava uma área equivalente a de um campo de futebol. Uma barreira de Jambeiros plantados em linha reta impedia que suas instalações fossem vistas facilmente da estrada. 

Havíamos chegado logo no inicio da tarde, tínhamos acabado de descarregar o caminhão de donativos e preparávamo-nos para partir, quando alguém veio nos avisar que a diretora do leprosário gostaria de nos receber antes de sairmos.

A diretora era uma médica infectologista alta e magra, de seus 55, 60 anos de idade, que falava com se estivesse com a boca cheia de bolinhas de gude e com um leve acento italiano, que nos recebeu sorridente em sua pequena sala, onde um daqueles retratos oficiais do então Presidente Garrastazu Médici, emoldurado e pendurado por detrás de sua escrivaninha, mirava o observador casual com um olhar frio e distante, quase cruel. Responsável pela Instituição há quase oito anos, como revelou, orgulhava-se de ter implantado o que chamava de “uma gestão conjunta”. Gabava-se de ter melhorado as condições de vida dos internos no leprosário e de ter desenvolvido programas de ressocialização com os pacientes curados. E, pela eloquência com que falava de sua rotina e pelo entusiasmo quase infantil que o brilho de seus olhinhos vivazes e saltitantes revelava, podia-se perceber a dedicação e o amor que tinha por seu trabalho.

Depois de alguns minutos conversando sobre o funcionamento do local, dentro dos quais ela providenciou para que fossemos servidos de refrigerantes, acompanhados por uma bela lata de Biscoitos Aymoré, fomos interrompidos por um leve toque na porta.

– Sim? - Perguntou a diretora, e pelo vão da porta entreaberta surgiu a cabeça grisalha de um homem moreno, de seus quarenta e poucos anos, que perguntou se podia entrar. Autorizado, o homem, franzino, dirigiu-nos um olhar de curiosidade seguido de algo que me pareceu um breve sorriso, pediu licença, discretamente, e caminhou até onde a médica estava sentada. Pude então observar em seu rosto as marcas inconfundíveis da doença. Viera avisar que os ofícios estavam prontos, aguardando pela assinatura da diretora, e perguntar se ela gostaria que ele os trouxesse. Ela disse-lhe que esperasse, pois havia ainda um documento a ser datilografado. Ele assentiu com a cabeça, agradeceu, voltou-se em direção à porta para deixar o aposento, e mal consegui disfarçar o susto quando notei que ele não tinha um único dedo nas mãos! Nas duas! Nem um coto residual, só as palmas!

O homem saiu da sala deixando atrás de si um silencio embaraçador, logo quebrado pelas palavras lentas e calculadas da médica: - A lepra não faz os dedos caírem – explicou professoral - mas, como ela atinge a pele e os nervos periféricos, o enfermo vai ter como que uma anestesia nas mãos e nos pés, o que o torna muito vulnerável. E assim ele estará exposto a sofrer uma lesão mais grave, como uma queimadura, não vai sentir dor, não vai cuidar e o machucado pode infeccionar, gangrenar e precisar ser amputado – concluiu.

Era evidente que ela tinha percebido a perturbação provocada em nosso espírito pelo inesperado da situação. Afinal, o mais velho do grupo tinha apenas dezesseis anos e ainda não tinha vivido o suficiente para enxergar determinadas realidades tão de perto.  Eu sentia a boca seca e tomei mais um gole de Grapette. Em seguida, como se lhe tivesse ocorrido uma grande ideia, a médica levantou-se, resoluta, pegou uma folha de manuscrito de cima de sua escrivaninha e, enquanto se dirigia à porta, convidou:

- Sigam-me, rapazes. Gostaria que vissem uma coisa muito especial, algo que guardarão para o resto da vida.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

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A Filha Do Professor


Esta história de esperança contagiante, extraída da experiência profissional deste médico sensível e dedicado nos mostra, tendo como drama central o câncer de uma garotinha, o confronto de ideias entre duas gerações de médicos, a evolução da ciência no combate sem tréguas à doença e a permanência dos valores éticos e morais no exercício da medicina, contrapondo-se à arrogância, à presunção e ao anacronismo profissional. Mostra-nos também que o dinheiro não compra tudo, muito menos a alegria inebriante de devolver a vida a uma criança condenada erroneamente pela vaidade de um médico, neste caso, o próprio pai.

Por Dráuzio Varela

Sentei com as caixas de slides no tapete da sala para preparar a aula da manhã seguinte. Minhas filhas, Mariana, de quatro anos, e Letícia, de dois, vieram brincar em volta; estava tão cansado no final daquela tarde que cochilei deitado no chão. Acordei com o telefone. Havia dormido o tempo suficiente para as meninas tirarem todos os slides das molduras numeradas e espalharem as fotos pela sala inteira.

No telefone estava meu ex-professor de patologia. Ligava por iniciativa própria para falar do caso de uma menina de dez anos recém-operada de um tumor pélvico do tamanho de uma bola de futebol, diagnosticado por ele como um tipo raro de sarcoma.

Naquela época, meados dos anos 70, surgiam nos Estados Unidos os primeiros grupos multidisciplinares que revolucionaram a cancerologia. Esses grupos integravam protocolos que incluíam cirurgia, radioterapia e quimioterapia administrados de forma sistematizada a grande número de pacientes, em estudos cooperativos conduzidos concomitantemente em vários centros internacionais, de modo que os fatores prognósticos pudessem ser analisados com precisão e as respostas clínicas avaliadas segundo critérios menos subjetivos. O tratamento do câncer abandonava o empirismo de obedecer à intuição e à experiência pessoal de cada médico, para ser decidido com base em evidências científicas.

Expliquei ao patologista que no caso deveria ser aplicado o protocolo do Intergrupo Internacional criado especialmente para estudar aquele tipo de sarcoma, que depois da cirurgia preconizava dois anos de quimioterapia seguida de radioterapia, com resultados muito animadores. Quando terminei, ele me pediu um favor: - Você poderia dar um pulo agora na casa do professor Torres e repetir para ele o que disse para mim? O caso é o da filha dele.

O professor Torres era um homem de mais de setenta anos, cirurgião lendário, controvertido, de temperamento intempestivo, personalista em extremo, dotado de habilidade incontestável, que havia sido pioneiro na padronização das técnicas cirúrgicas no Brasil. Fazia parte de uma geração de cirurgiões afeitos ao estrelismo, diante dos quais os assistentes se calavam mesmo quando tinham razão e que, no campo operatório, atiravam na parede os instrumentos passados de forma inadequada. Nas aulas práticas, ao terminar operações complicadas, comprazia-se em levantar as mãos na direção dos alunos para exibir as luvas impecavelmente limpas de sangue.

Achei melhor ir antes do jantar, era perto de casa; na volta daria um jeito nos slides destroçados.

O professor me recebeu de terno e gravata no sofá da sala. Contou que a esposa havia notado uma tumoração no baixo-ventre da menina. Dois dias depois, ao palpar o abdômen da filha por insistência da mulher, tomou um susto: - Como era possível um tumor tão grande numa criança tão saudável?

Supondo tratar-se de uma lesão benigna, ele mesmo realizou a cirurgia. Encontrou um tumor maligno de mais de um quilo junto à parede da bexiga, além de diversos implantes menores espalhados pelos tecidos vizinhos. Retirou a lesão grande e a parte que foi possível das pequenas.

Pela primeira vez na carreira, chorou no final de uma operação.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

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O que significa sobrevida e a cura do câncer


Quando lemos, por exemplo, que a abiraterona aumenta em oito meses – na mediana (lembrar que mediana divide os pacientes em duas metades iguais, os que viveriam menos e os que viveriam mais), com freqüência esquecemos que estamos comparando com o que viveriam os pacientes com câncer, mas sem abiraterona. Não estamos comparando a expectativa de vida dos pacientes se fossem homens sem este câncer.
Saber isso tem, pelo menos, duas conseqüências:
- A importância da cura reside nessa diferença;
- A importância da cura será maior quanto mais jovem for o paciente.
Um homem brasileiro de 65 anos tem uma esperança estatística de vida de 16,2 anos, ou 194,4 meses. Esse tempo diminui com a idade.
Em relação ao que viveriam os pacientes sem o tratamento, o efeito do novo medicamento (seja a terapia hormonal, a quimioterapia, ou a abiraterona) representa uma importante contribuição porque a esperança de vida sem ele é muito pequena. Oito meses de vida a mais para quem só tem 20 para viver, significa um aumento de 40%! Porém, os mesmos oito meses numa pessoa normal, sem câncer, de 65 anos somente significam 4% da esperança de vida naquele momento. Essa percentagem aumenta um pouco com a idade porque a esperança de vida diminui.

A importância da cura, fora os importantes ganhos em paz, tranqüilidade, redução do estresse e do medo, é o salto no tempo de vida, na esperança de vida.

Uma parte importante dos recursos na luta contra o câncer da próstata deve ser orientada para a cura ou, pelo menos, para transformá-lo, a exemplo do HIV, numa doença crônica com a qual muitos vivem, mas da qual poucos morrem. Essa é a lógica desse remanejamento.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

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Portador de câncer isento de IR, mesmo sem sintomas recentes.

O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é no sentido de diminuir o sacrifício do inativo, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e remédios.
O contribuinte aposentado que sofre de câncer tem direito à isenção do pagamento de imposto de renda, sem a necessidade de demonstrar a existência de sintomas recentes.

Também não é necessária a indicação de data de validade do laudo médico pericial ou comprovação de possível recaída da doença, uma vez que o entendimento do STJ é no sentido de diminuir o sacrifício do inativo, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e remédios.
Em seu voto, a ministra relatora do processo, Eliana Calmon, da 2ª Turma, ressaltou que a jurisprudência do tribunal é pacífica no sentido de que, em se tratando de neoplasia maligna, não se exige a demonstração da presença de sintomas nem a indicação de validade do laudo médico pericial, ou a comprovação de recaída da doença, para que o contribuinte faça jus à isenção de IR prevista no artigo 6º da Lei n. 7.713/88.
Em seu voto, seguido por unanimidade pelos demais ministros, Eliana Calmon citou decisão da ministra Denise Arruda, que firmou jurisprudência sobre o tema: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do Imposto de Renda.
O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é no sentido de diminuir o sacrifício do inativo, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e remédios.
Com essa decisão, a 2ª Turma, com base em voto da ministra Eliana Calmon, conheceu em parte, mas negou provimento ao recurso especial do Distrito Federal contra R.A.G., militar da reserva.
A decisão nega provimento a recurso do Governo do Distrito Federal, que recorrera ao STJ contra decisão do TJ-DFT, que determinara que o militar da reserva diagnosticado com câncer é isento de IR sobre seus proventos, ainda que a doença tenha sido detectada após a transferência do servidor para a inatividade e, por extensão, aplica-se a todos os portadores de câncer aposentados.
Condensado de matéria publicada em
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Assessoria diz que Hebe Camargo está curada. 

Em comunicado enviado à imprensa nesta quarta-feira (28), Cláudio Pessutti, sobrinho e empresário da octogenária animadora de programas de auditório e TV Hebe Camargo, diagnosticada com um câncer no peritônio em janeiro deste ano, afirmou que a venerável senhora passou por um exame clínico que constatou que o câncer a acometia já não existe mais e que, ao menos por enquanto, ela está livre das sessões de quimioterapia a que se submetia.

"Deus nunca me abandonou, nunca vi a vida com tanta alegria", afirmou a apresentadora na nota.

Ainda segundo a assessoria da apresentadora, o exame foi realizado na manhã desta quarta-feira (28) e Hebe foi comunicada do resultado por volta de 12h e no mesmo dia se reuniu com a família para comemorar em um jantar em sua casa, em São Paulo.

Os médicos que atendem a apresentadora consideram o diagnóstico muito positivo, mas ressaltam que é necessário um acompanhamento de cinco anos para detectar possíveis recidivas. É a partir desde prazo que Hebe poderá ser considerada tecnicamente curada.
Editado de
Ícone nacional do estilo perua, polêmica, contraditória por suas posições e declarações às vezes radicais e demagógicas, ela raras vezes conseguiu atrair minha atenção. Mas sua biografia freqüentemente se confunde com a própria história da televisão no Brasil. Imaginem que ela estava no grupo que foi ao porto da cidade de Santos para receber os equipamentos de televisão para a formação da primeira rede brasileira.
Poderia até estar aposentada, apenas colhendo de tudo o que plantou na vida. É inegável sua importância como exemplo de força, perseverança, amor-próprio e otimismo para milhares de mulheres que, como minha mãe, acompanham sua trajetória desde os tempos da extinta TV Tupi.
Parabéns pelo sucesso de seu tratamento, Hebe, e que perdure!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

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Lance Armstrong: minha Jornada de volta à vida

Escrito em colaboração com a jornalista Sally Jenkins, o título original, “It´s not about the bike: my journey back to life” (Isto não é sobre bicicleta: minha jornada de volta à vida – expressa melhor a luta travada pelo ciclista Lance Armstrong contra o câncer diagnosticado em 1996, cujo objetivo principal parecia ser decretar o fim de sua carreira. Seguiu em frente com o esporte e, três anos depois, ganhou o primeiro dos 7 títulos que ganharia do Tour de France, a mais famosa prova de ciclismo no mundo. O norte-americano conseguiu enganar a morte

Durante o tratamento, ele criou a Lance Armstrong Foundation, para ajudar pessoas com câncer a obter as informações e os meios necessários para “viver forte”, ou Livestrong, em inglês. A idéia pegou e, com o patrocínio da Nike, surgiram os braceletes Livestrong, que viraram febre uns anos atrás, para arrecadar dinheiro para as pesquisas que auxiliam no tratamento e prevenção de doenças cancerígenas.

Anúncio do nascimento do filho no Twitter

Em junho do ano passado anunciou seu retorno às pistas e o nascimento de seu filho, Max,  pelo Twitter. No texto, Armstrong escreve como se fosse o filho: "Tudo bem, mundo? Meu nome é Max Armstrong e acabo de chegar. Minha mamãe está bem e eu também".
max
Quarto filho de Armstrong, Max é o primeiro com Anna Hansen, sua atual mulher. Ele nasceu com 3,310 quilos e 50,8 centímetros. É o único de seus 4 filhos a ser concebido da maneira, digamos, tradicional, depois que o ciclista superou o câncer nos testículos. Os outros três, tidos com a ex-mulher, Kristin, utilizaram a fertilização in vitro, com esperma recolhido e conservado antes de Lance iniciar a quimioterapia.
Lance Armstrong venceu o Tour de France entre 1999 e 2005.

“It´s not about the bike: my journey back to life”
Por: Lance Armstrong Sally Jenkins
ISBN-13: 9780425179611
Editora: Berkley Trade
Data Publicação: 09.01.2001
Preço: em torno de R$30,00

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

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Pesquisadores brasileiros descobrem que uma proteína encontrada na saliva do carrapato mata células cancerígenas.

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“A gente começou estudando a saliva de carrapato em busca de anticoagulantes”, explica Ana Marisa. “Como o carrapato é um hematófago, que suga sangue para viver, ele deve ter algo na saliva que impeça a coagulação – e era isso que estávamos buscando”, completa.

A equipe do Laboratório de Bioquímica do Instituto Butantan, em São Paulo, responsável pela descoberta foi coordenada pela Dra. Ana Marisa Chudzinski Tavassi. Mas, por incrível que pareça, encontrar um meio de eliminar tumores não era o foco inicial das pesquisas do grupo.

Como era de se imaginar, coletar a saliva de carrapato não é tarefa fácil. Depois de testes iniciais com a espécie Amblyomma cajennense, a pesquisadora decidiu fazer uma proteína recombinante a partir dos genes encontrados nas glândulas salivares do animal. “Baseado na literatura já conhecida, escolhemos uma sequência que poderia inibir um fator de coagulação”, diz.

Em outras palavras, Ana Marisa e sua equipe escolheram um gene e o reproduziram para que, em uma bactéria, ele passasse a expressar e proteína recombinante desejada. Ao estudar o que havia criado, eles não só constataram que a proteína realmente era capaz de inibir a coagulação, como descobriram referências de que ela interferia na proliferação celular.

O próximo passo foi testar essa proteína em células normais e células tumorais, e foi aí que as descobertas realmente surpreenderam os pesquisadores. “Nas células normais a proteína não induziu nada, em compensação, nas células tumorais, ela causou uma atividade tóxica que levava à morte”, diz a cientista.

Partindo para testes mais concretos, a equipe tratou camundongos com melanoma com a proteína desenvolvida. Após 42 dias, os tumores de pele foram completamente eliminados e as cobaias permaneceram sadias, vivendo normalmente no laboratório após o tratamento.

“Vimos que essa proteína tem um alvo celular: ela induz a célula a uma morte programada, pois tem uma série de sinalizações que inibem a transcrição para o núcleo”, explica Ana Marisa. Incapazes de se reproduzir ou realizar suas funções básicas, as células cancerígenas morrem.

Apesar das grandes implicações científicas, o estudo agora se encontra em um impasse. O que a equipe fez até agora se chama prova de conceito, e resume basicamente todos os testes possíveis realizados em laboratório.

No entanto, para descobrir se o tratamento funciona em humanos, é necessário passar por uma série de experimentações chamadas análises pré clinicas. “Aqui no Brasil, por uma questão histórica, a indústria farmacêutica não investem nesse tipo de tecnologia por um motivo simples: insegurança jurídica”, diz.

A pesquisadora explica que as descobertas feitas nas instituições públicas são amarradas por lei, o que torna difícil a relação entre público e privado no país. “Estamos trabalhando nisso há seis anos. Já teríamos tempo para dizer se essa técnica funciona ou não em humanos, pois há dinheiro e gente interessada. Não fizemos por conta da questão jurídica”, diz. 

“O Brasil teria que permitir, inicialmente, que alguém que tem dinheiro lá fora invista. Assim, não só a pesquisa seria beneficiada, como o país aprenderia para poder criar a tecnologia aqui”, conclui. 

sábado, 12 de dezembro de 2009

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Caeci sunt oculi, si animus alias res agit


"Os olhos são cegos, se o espírito se ocupa de outras coisas".

Como declarei no meu primeiro post aqui, sou um desses tipos meio travados, bobos para falar de si mesmos. Minha proposta inicial no blog era disponibilizar informações sobre a evolução de meu tratamento de forma a manter amigos, parentes distantes e interessados comodamente a par do meu estado de saúde. 

Aproveitaria também da versatilidade e capilaridade do espaço criado para tentar prestar algum tipo de serviço que fosse de alguma utilidade - algo talvez como uma súmula atualizada de pesquisas sobre matérias relevantes - aos que passam, passaram recentemente ou assistem a outras pessoas que passam por problema de saúde parecido com o meu.  

E acho até que de alguma forma, discretamente, minimalista, essencial, venho ultimamente até conseguindo fazer isto – é tudo tão recente – na medida de minhas óbvias limitações e na razão em que os acontecimentos que fogem do trivial da rotina do meu tratamento se insurgem contra a minha resistência em falar de meu umbigo, e que as pessoas começam a acessar o blog mais intensamente, nessa rede de solidariedade que a minha mais recente necessidade de empatia me revelou como a faceta mais bela, mais humanizada da www, da Grande Rede Mundial de Computadores.
Confesso que não seria capaz, nem gostaria - nem seria interessante - de ocupar todo o espaço do blog a falar exclusivamente de minúcias técnicas de meu tratamento, de protocolos adotados, drogas antineoplásicas, hemogramas, tomografias, definições da doença ou outras coisas no gênero. Isso o tornaria muito limitado em relação aos acessos que poderia ter se diversificasse sua linha de assuntos para abranger um público maior, cujo interesse recaísse direta ou incidentalmente sobre o assunto do câncer, tudo bem, mas sem perder, no entanto, de vista, o foco original, essencial da existência - a Saúde, mas, sobretudo, a Vida e o Bem Viver.
Preferi então deixar as definições e as longas dissertações técnicas para os sites especializados que selecionei - lincados no sidebar - onde certamente estes assuntos da oncologia serão tratados com mais propriedade e profundidade. Decidi também, sempre que possível e no interesse do leitor, dar a este a opção - através de links diretos no corpo do texto – de acessar os sites onde determinado verbete ou assunto em pauta certamente será tratado com mais espaço e mais adequadamente. 
E, afinal, desculpem-me o trocadilho, ficar tratando o tempo todo de doença acabaria sendo meio... doentil, n'est pas?
Tenho então optado por dar mais espaço às matérias que versam sobre tratamentos alternativos e sobre os avanços nas pesquisas científicas na cura do câncer, como nos posts Açaí pode combater células do câncer , Vinho ou açaí? Depende... , Vinhos auxiliam tratamentos quimioterápicos  e Chá verde pode bloquear ação da quimioterapia, para citar alguns.
Procurei privilegiar também as matérias de cunho informativo e noticioso, como nos posts Medicação e exames de alto custo no SUS  onde conto a história recente do jovem empresário que acabou morrendo sem obter a medicação de alto custo de que necessitava e no post que considero de utilidade pública, Remédio contra câncer só na justiça onde são detalhados os trâmites a seguir em caso da necessidade de se recorrer à justiça, através do Ministério Público, para se conseguir rapidamente o acesso a medicação de alto custo.
De resto, como moro na Amazônia e sou apaixonado pela natureza e por essa região singularíssima do Planeta onde a biodiversidade e os adjetivos pululam – a qual tenho o privilégio de conhecer nada mal principalmente devido ao exercício da minha profissão há três décadas nela -, não tenho resistido à tentação de postar algumas belas fotos de paisagens aqui e ali, tiradas por mim, por amigos. 

Acredito que seja esta uma forma simpática de compartilhar as belezas naturais da região com os leitores das outras regiões e estrangeiros, principalmente os da Europa, que sempre nos honram com suas visitas (incluindo os portugueses tão queridos, puta saudade de Guimarães e do bacalhau d”A Curva do Filho do Zé da Nora”). 

E de, ao mesmo tempo e de quebra, temperar, fazer deste um momento de descontração, de magia talvez até dissipativa das preocupações latentes, de vôo salutar do pensamento, do espírito, livre para onde doenças até nem existam, longe das limitações do espaço-tempo, da matéria, das agulhas, das drogas e dos insuportáveis efeitos colaterais. Afinal, “navegar é preciso”, isnt'it ? Na net, na imaginação poderosa e libertadora. No pensamento.
Essa coisa bonita, sublime, essa irmanação (irmana-ação), essa irradiação de energia amorosa em megabytes por segundo, extensão da energia do pensamento, essa solidariedade quase anônima, comovente e despojada que nos une pelo coração, pela tecnologia e pela adversidade superando distâncias oceânicas e diferenças culturais, unindo regiões e continentes tão distantes para trocar sorrisos e lágrimas, para superar estas mesmas adversidades - tão humanas - não se pode limitar apenas aos assuntos relativos à saúde e à doença, que nada mais são que meros atributos de nossa condição existencialista meramente material.
A Vida está lá fora e vibra também aqui, dentro de nós, no pulsar de nossos corações, de nossas veias que estendemos para a dor da agulhada e a remissão esperada da quimioterapia. Mas também, e talvez, sobretudo, no nosso senso estético, poético, na nossa capacidade humana de distinguir entre o bem e o mal, o bom e o ruim, a bela e a fera, entre Eros e Tanathos e todas as nuances e tons e semitons quase infinitos em número,  matizes, não-maniqueístas, aprisionados, anônimos no intervalo entre estes extremos.
Penso que por isso temos sempre que ter em mente, mesmo em se tratando de um simples resfriado ou dor de barriga que não somos doentes e, sim, que apenas estamos doentes, que isso tudo é provisório, circunstancial, eventual como e quanto nossa língua portuguesa nos permite distinguir tão bem entre o ser e o estar. E que a cura é só uma questão de tempo, de intensidade da força positiva da mente sobre a matéria - de , se preferirem. 

E que rir de uma tira da Mafalda, com toda a sua ingênua crueza filosófica existencialista, efeito proposital e genial por parte de seu criador, Quino, é rir em cumplicidade com a Vida, ao lado dela como velhos companheiros que somos a Vida e cada um de nós, enquanto ouvimos Eva Cassidy cantando Bridge Over Troubled Water, ao longe.
Não tenho dúvidas: o pensamento é a energia mais poderosa de toda a criação e tudo, tudo o que tem existência material, inclusive a doença, tem um período gestacional, foi anteriormente concebido em uma mente. Fractal, Humana, Cósmica, Universal, Divina.
Mas hoje é sábado. Aê, grande fimde pra nós!  :=]
FORÇA BRUNA & TADEU.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

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Um Hemocentro não é como uma padaria, infelizmente!



“27 DE NOVEMBRO, DIA NACIONAL DE COMBATE AO CÂNCER”
BRINCADEIRA, OU IRONIA?
É isso mesmo, amigos. Estou voltando do HEMOAM – Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas – simplesmente porque a quimioterapia que esperamos por 28 dias para fazer hoje NÃO FOI REALIZADA EXCLUSIVAMENTE POR FALTA DE PESSOAL! É revoltante, inexplicável, inadmissíve, mas é issol
Eu e os outros pacientes, que aguardávamos desde pouco antes das 8:00 h, chegamos até a tomar os medicamentos adjuvantes orais, o omeprazol e a prednizona (corticóide), pois a única enfermeira presente no local só nos avisou que estava só por volta de 9:30 h, e que, das outras 4 enfermeiras lotadas com ela na seção de quimioterapia, 2 faltaram porque estão com a gripe suína (credo!) e as outras duas faltaram porque também estão doentes (não se sabe de quê). Diga-se de passagem, que, mesmo com os cartazes educativos espalhados pelas paredes dessa ala, os (as) auxiliares de enfermagem que ministram as drogas não se convenceram ainda de que têm que usar o material de proteção para evitar a infecção cruzada, luvas, máscaras, gorros... Alguns nem jalecos usam!
Antes de ontem, quando estive em consulta com o hematologista para avaliação de meu hemograma e estado clínico, toda a Fundação Hemoam estava sem ar condicionado, neste calor de 42 graus do ápice do verão amazonense. E, isto, fui informado, há já uma semana!
O calor era sufocante, as pessoas com aquele olhar desesperado, perdido, se abanando, empapadas de suor, crianças, idosos, todo mundo no mesmo barco, ou fornalha. Foi marcada a químio para daí a dois dias, ou seja, hoje, e fui aconselhado a levar ventilador, imaginem! (já temos que levar toda uma tralha que inclui lençóis e travesseiro). Tudo isso para, de última hora, cancelar por falta de pessoal?! - Aí, ME PERDOEM, TRATA-SE DE MUITA FALTA DE RESPONSABILIDADE, SACANAGEM, ATÉ!!
Afinal, uma unidade de saúde de referência regional como o HEMOAM não pode e nem deve ficar sujeita a esse tipo de imprevidência, de inércia, LETARGIA OU LESEIRA BARÉ (na expressão cunhada pelo escritor amazonense Marcio Souza) sob pena de ficar refém de seus próprios recursos humanos e assumir as sanções públicas desta falta de responsabilidade, de competência administrativa. Trata-se de um órgão evidentemente preocupado com a gestão da qualidade dos serviços prestados, e que publica, abertamente, os resultados de suas pesquisas de satisfação com o atendimento, colhidas entre os pacientes, que constituem o seu público.
A Fundação HEMOAM está em pleno processo de transformação em hospital estadual e investe recursos públicos de monta na manutenção e na melhoria dos serviços prestados à sociedade e na aquisição de medicamentos de alto custo, ao preço de milhares de reais por aplicação, como são os empregados nos tratamentos hemoterápicos, nas doenças do sangue. Não é justo que a má gestão de pessoal – ou a sua falta, ou falta de responsabilidade, pura e simples - não acompanhe estas preocupações com a qualidade e a excelência que a Instituição parece tanto buscar, e que a falta de preparo dos recursos humanos continuem a ser o verdadeiro cancro - esse, sim, incurável - o gargalo a impedir a eficiência no setor e nas políticas de saúde pública em nosso país, por melhores que sejam planejamento e dotação orçamentária.
Nem parece que há apenas cinco dias vivíamos o Dia Nacional de Combate ao Câncer. Parece que foi um ato falho, sem comprometimento qualquer, vazio. Parece que adquirimos a síndrome de comemorarmos o ‘dia disso’, o ‘dia daquilo’... Sem nos preocuparmos com o desenvolvimento da consciência, ou da tomada de consciência que esses dias deveriam evocar.
Nós, pacientes, temos o direito de termos o cronograma de nosso tratamento de câncer respeitado. Temos o direito de termos nossa saúde, nossa vida respeitada. Isso é o mínimum minimorum, vital. Essa é, atualmente, uma das poucas coisas bem definidas em nossas vidas e que aguardamos com ansiedade. O dia da quimioterapia pra gente é sagrado e sabemos que o cumprimento do intervalo entre as aplicações é quase tão importante quanto os medicamentos. E que, em conjunto, podem representar um protocolo bem sucedido, se respeitado.
E por enquanto teremos que esperar até 2ª feira, quase uma semana. Quase uma semana!
VOLTA OFICIAL AO TRABALHO


Não é fácil, não! O Nelson blog do nelson bem que tinha razão! Há cerca de um mês venho lutando contra a burocracia dos regulamentos da Junta Médica para retornar oficialmente ao trabalho. Sou funcionário público, geólogo e trabalho no Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, do Ministério de Minas e Energia.
Empurra daqui, dalí, consegui com que o Nelson, my doctor, (que disse não poder ainda me dar alta, é claro, né)consegui que me desse uma declaração dizendo que estou apto para voltar ao trabalho. A funcionária da Junta, espantada, perguntou quando o médico lhe estendeu o documento: - Ele vai voltar por quê? – E o médico: - Porque ele quer, ora!  (Mas assim: faço a químio na 2ª e retorno na 2ª seguinte, com meus leucócitos já meia bomba).
Bem, de qualquer maneira, já voltei ao recinto, extra-oficialmente, há cerca de 1 mês. Não sou muito de citações, mas acho que essa vem a calhar:
A exclusão do trabalho por muito tempo ou então uma prolongada dependência da assistência pública ou privada corroem a liberdade e a criatividade da pessoa e as suas relações familiares e sociais, causando enormes sofrimentos psicológicos e espirituais” 
 (Caritas in Veritate)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

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Ba:O rapto da menina dourada



Ba, a menina dourada, com sua principal aliada, sua mãe.

A menina dourada é uma garotinha de 19 anos com extraordinários poderes, que gosta de desenhar, ouvir música, ler, tomar banho de cachoeira, sorvete de chocomenta, zoar com os amigos, namorar, e que personifica o bem na face da Terra. 
Ela é raptada pelo infame representante das forças do mal, o agressivo Conde Lin-foma não-Hodgkin, que a aprisiona em uma bolha que a mantém isolada de seus amigos, de seus estudos e de todas as coisas interessantes que uma garota de sua idade mais gosta. E, ainda por cima, como castigo por ela não se submeter às suas torpes intenções – invadir seu corpo, imaginem ! – entre outras covardias, rouba-lhe os lindos cabelos e o sentido do paladar, impedindo-a de saborear seu prato predileto, a lasanha de sua mãe. 

Por causa disso, em um breve e raro momento de fraqueza, acuada e indefesa, chegou mesmo a comentar, entre a frustração e o lamento: Outro dia minha mãe fez meu prato favorito, lasanha, e poxa, eu queria ter comido lasanha, mas eu comi um bloco de anotações.”
Mas como o de Amélie Poulain*, o destino de Bá - é assim que Barbara, a menina dourada é conhecida por seus aliados - sem dúvida, era - é ser feliz!
(* Personagem central do filme poético "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" ["Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain"], com direção de Jean-Pierre Jeunet e música belíssima de Yann Tiersen.)

Durante todo o tempo em que ficou prisioneira na bolha nunca parou de exercitar suas habilidades. Nunca desistiu de acreditar na liberdade, na vitória, fortalecendo sua fé, seu espírito, elevando a sua coragem e a sua esperança a níveis nunca antes imaginados. Também não permitiu que sua mente fosse invadida e ocupada por pensamentos negativos, que são os aliados do infame Conde Lin-foma.


“Os dias estão cada vez mais próximos, surge um friozinho na barriga, uma ansiedade descontrolada que me dá noites de insônia.”

E assim, várias vezes se surpreendeu a repensar sua vida, seus valores, na importância de coisas simples, normalmente ignoradas quando sufocadas pela rotina “normal” e incorporadas ao corre-corre do nosso dia-a-dia, como “ar, areia, grama, risos, jogos, carecas, panos, calor, muito calor, abraços, música, pizza, estrelas, nuvens, sol, pôr-do-sol, gente, livros, sorvete de chocomenta, caminhada, lagoa, céu, lua,...”. Amadureceu mais um pouco para as questões do autoconhecimento e começou a se perguntar: “Quem eu era antes? Quais eram as minhas prioridades? Meus desejos? Como eu levava a vida? E agora? E depois? Será que alguém consegue saber a importância que isso tudo teve na minha vida?”

E então se deu conta de que ela, apenas ela seria capaz de responder àquelas perguntas. E percebeu também que se conseguisse se livrar de tudo aquilo seria uma pessoa melhor e mais forte que antes. Mais preparada para a vida e suas surpresas indesejáveis.  E de todas as mudanças significativas a que mais lhe pareceu aparente foi a da paciência, o saber esperar. “Deus sabe o quanto eu tinha pressa, pressa de acontecer, de ter, de fazer. E como o câncer me fez conhecer o depois, e o mais tarde. Entender que todas as situações, sejam elas boas ou ruins têm sim um ladinho bom. Ninguém garante que é fácil, mas as provas estão aí justamente pra nos mudar, nos fazer repensar e nos tornar um pouquinho melhores do que já somos. Às vezes uma situação aparece porque você precisa de um chacoalhão!... E essa experiência é a coisa mais sua que vai existir, ninguém vai poder entender completamente o que foi passar por tudo isso.”

Começou então a planejar com seus aliados a sua estratégia para a vitória e a aceitar com mais paciência e resignação todas as drogas que eles lhe aplicavam dolorosamente nas veias, chamadas quimioterapia, e que lhe causavam tanto sofrimento físico.

Descobriu numa passagem secreta que já conhecia há muito tempo, chamada internet, a possibilidade de se comunicar com outras pessoas também aprisionadas, como ela, e que também lutavam contra as hostes do infame Conde Lin-foma. Juntou-se a elas e, junto com os parentes e os amigos que já tinha como aliados começou a articular uma resistência organizada. Trocaram experiências que serviam como armas, mas, sobretudo se fortificavam pela energia irradiada pela arma mais poderosa de todas elas, a do amor solidário.

Finalmente chegou o grande dia. Nem precisou fugir para alcançar a liberdade: ela e seus aliados enfrentaram e derrotaram seu algoz e carcereiro - já bem enfraquecido das batalhas anteriores - na última e famosa batalha realizada em junho de 2009. Na verdade todos sabíamos, desde o início, que essa história não poderia ter um final diferente.



“O melhor de tudo é que eu to amando tanto meu cabelo!”

E livre finalmente, ela declara:
“Agora é continuar minha vida, mais forte do que nunca, com uma visão de mundo que só quem passou por isso pode entender. Agora é recomeçar, mais viva do que nunca.”
“Me sinto imensamente grata por ter passado por essa experiência de vida. E apesar de não me reconhecer quando olho no espelho,13 quilos mais gorda, pálida e careca, me vem uma ponta de felicidade interminável dentro do meu coração dizendo: Caramba! Acabou...! Você venceu!”

Tudo bem, Bá, nós também te amamos.

Conheçam toda a aventura vitoriosa de Barbara narrada em detalhes por ela mesma, em seu blog. O link está logo aí ao lado,
A Estrutura da Bolha de Sabão