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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

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Rapaz com câncer cerebral será cobaia de novo remédio

Britânico de 21 anos ficou desesperado ao receber diagnóstico, há 2 meses, e agora está disposto a testar produto experimental. Calum Elliot, de 21 anos, será medicado com uma droga ainda em fase experimental chamada IMA950 e acredita que o seu tratamento poderá ajudar outros pacientes com câncer, como o garotinho da foto, Alessandro, que conheci no Hemoam, aqui em Manaus.
Ele será o primeiro paciente a testar o este novo medicamento contra o câncer no cérebro. Descobriu a doença há dois meses e receberá a droga, ainda em fase experimental e indicada para pessoas diagnosticadas há pouco tempo com Glioblastoma Multiforme, a forma mais agressiva desse tipo de tumor.
Elliot contou à imprensa que antes de ter o câncer diagnosticado passou um ano e meio tratando epilepsia, imaginem. Devido ao insucesso dos medicamentos, foi submetido a novos exames que diagnosticaram o glioblastoma. O remédio, que será administrado na forma de injeções, ajuda o corpo a se recuperar e treina o sistema imunológico para reconhecer e destruir as células malignas.
Segundo o chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Inca (Instituto Nacional do Câncer), Daniel Herchenhorn, o glioblastoma, embora mais comum em adultos de mais idade, pode atingir jovens e evoluir rápido. “O diagnóstico é quase uma surpresa e o paciente costuma ter quadros de dor de cabeça, paralisia, crise convulsiva e perda de força muscular”.
Para Allan James, oncologista que trata o britânico, a droga não pode ser considerada a cura, mas um avanço no tratamento deste câncer, que envolve cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e ainda assim é de difícil solução. O câncer no cérebro não é muito comum, e o número de óbitos é proporcional à baixa incidência. De acordo com o Inca, no Rio, de 2003 a 2007, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes foi 3,78 mulheres e 4,06 homens.
Edição de ilustração pelo autor. Condensado de http://odia.terra.com.br
Vacina extende sobrevida de pacientes de Gliobastoma Múltiforme em testes clínicos de fase II

Uma vacina que desperta o sistema imunológico para combater as células com a mutação genética que determina a forma mais agressiva de Glioblastoma Multiforme mostrou-se eficaz em ensaio clínico de fase II, aumentando a sobrevida dos pacientes desse tipo de tumor cerebral, segundo pesquisadores da Duke University e da University of Texas MD Anderson Cancer Center.

Dezoito pacientes recém-diagnosticados que foram vacinados após o tratamento padrão - cirurgia seguida de radioterapia e quimioterapia - tiveram sobrevida mediana de 26 meses contra 15 meses para os 17 pacientes que receberam tratamento padrão em um grupo de controle. Atualmente, a sobrevida média para pacientes recentemente diagnosticados com glioblastoma multiforme é de 14,6 meses.

Pacientes vacinados também experimentaram um longo período antes do agravamento da doença, 14,2 meses, comparado com 6,3 meses para o grupo controle. Os efeitos colaterais foram limitados principalmente à irritação no local da injeção.

No entanto, a dimensão limitada da amostra (número de pacientes envolvidos no estudo) requer interpretação cuidadosa destes resultados. O próximo passo para a vacina, chamada de CDX-110, é um grande Ensaio Clínico de Fase III, que está em fase de planejamento.

Os pesquisadores consideram a introdução de vacinas no tratamento do glioblastoma como mais uma maneira de converter os tumores mais letais da doença em doenças crônicas, tratáveis a longo prazo. A evolução do tratamento nos últimos anos, incluindo a aprovação da quimioterapia com temozolomida, têm aumentado a sobrevida esperada de cerca de sete meses a 14 anos.
Traduzido e condensado de cancernews, com editorial e edição de ilustração pelo autor. Leia matéria original aqui. 
A luta do pequeno Alessandro
Ele é um desses garotinhos arredios no primeiro contato. Quase não fala, ainda, mas agita. Depois vai se soltando, soltando, aos poucos, abrindo aquele sorriso inocente que só as crianças sabem e, depois de alguns minutos, já éramos como velhos amigos, apesar dele ter apenas 2 anos de idade. Nós nos conhecemos na semana passada, no Hemoam, enquanto esperávamos nossa vez de fazer a quimioterapia.
Quem o vê de longe, brincando e correndo como qualquer criança custa a acreditar nas dificuldades que ele já superou em tão pouco tempo de vida. Há 8 meses, com pouco mais de 1 ano de idade, Alessandro passou por uma cirurgia para extirpar um tumor cerebral que acabou comprometendo seu olho direito, e agora faz sessões de quimioterapia. Ele estava acompanhado de sua mãe, que nos contou sua incrível história.
Só nos resta torcer para que as novas drogas como estas que estão sendo testadas revelem sua efetividade e venham a ser aprovadas o mais breve possível pelos órgãos de controle, e que os custos não sejam proibitivos.
De qualquer maneira o pequeno Alessandro já é um vencedor!