Britânico
de 21 anos ficou desesperado ao receber diagnóstico, há 2 meses, e agora está
disposto a testar produto experimental. Calum Elliot, de 21 anos, será
medicado com uma droga ainda em fase experimental chamada IMA950 e acredita que
o seu tratamento poderá ajudar outros pacientes com câncer, como o garotinho da
foto, Alessandro, que conheci no Hemoam, aqui em Manaus.
Ele será o primeiro paciente a testar o este novo
medicamento contra o câncer no cérebro. Descobriu a doença há dois meses e
receberá a droga, ainda em fase experimental e indicada para pessoas
diagnosticadas há pouco tempo com Glioblastoma
Multiforme, a forma
mais agressiva desse tipo de tumor.
Elliot contou à imprensa que antes de ter o câncer
diagnosticado passou um ano e meio tratando epilepsia, imaginem. Devido ao
insucesso dos medicamentos, foi submetido a novos exames que diagnosticaram o
glioblastoma. O remédio, que será administrado na forma de injeções, ajuda o
corpo a se recuperar e treina o sistema imunológico para reconhecer e destruir
as células malignas.
Segundo o chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Inca (Instituto Nacional do Câncer),
Daniel Herchenhorn, o glioblastoma, embora mais comum em adultos de mais idade,
pode atingir jovens e evoluir rápido. “O diagnóstico é quase uma surpresa e o
paciente costuma ter quadros de dor de cabeça, paralisia, crise convulsiva e
perda de força muscular”.
Para Allan James, oncologista que trata o
britânico, a droga não pode ser considerada a cura, mas um avanço no tratamento
deste câncer, que envolve cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e ainda assim
é de difícil solução. O câncer no cérebro não é muito comum, e o número de
óbitos é proporcional à baixa incidência. De acordo com o Inca, no Rio, de 2003
a 2007, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes foi 3,78 mulheres e 4,06
homens.
Edição de ilustração pelo autor. Condensado de http://odia.terra.com.br
Vacina extende sobrevida de pacientes de
Gliobastoma Múltiforme em testes clínicos de fase II
Uma
vacina que desperta o sistema imunológico para combater as células com a mutação
genética que determina a forma mais agressiva de Glioblastoma
Multiforme mostrou-se eficaz em ensaio
clínico de fase II, aumentando a sobrevida dos pacientes desse tipo de tumor
cerebral, segundo pesquisadores da Duke
University e da University of Texas MD Anderson Cancer Center.
Dezoito pacientes
recém-diagnosticados que foram vacinados após o tratamento padrão - cirurgia
seguida de radioterapia e quimioterapia - tiveram sobrevida mediana de 26 meses
contra 15 meses para os 17 pacientes que receberam tratamento padrão em um
grupo de controle. Atualmente, a sobrevida média para pacientes recentemente
diagnosticados com glioblastoma multiforme é de 14,6 meses.
Pacientes
vacinados também experimentaram um longo período antes do agravamento da
doença, 14,2 meses, comparado com 6,3 meses para o grupo controle. Os efeitos
colaterais foram limitados principalmente à irritação no local da injeção.
No entanto, a
dimensão limitada da amostra (número de pacientes envolvidos no estudo) requer
interpretação cuidadosa destes resultados. O próximo passo para a vacina,
chamada de CDX-110, é um grande Ensaio Clínico de Fase III, que está em fase de
planejamento.
Os pesquisadores consideram
a introdução de vacinas no tratamento do glioblastoma como mais uma maneira de
converter os tumores mais letais da doença em doenças crônicas, tratáveis a
longo prazo. A evolução do tratamento nos últimos anos, incluindo a aprovação
da quimioterapia com temozolomida,
têm aumentado a sobrevida esperada de cerca de sete meses a 14 anos.
Traduzido e
condensado de cancernews, com editorial
e edição de ilustração pelo autor. Leia matéria original aqui.
A luta do pequeno Alessandro
A luta do pequeno Alessandro
Ele é um desses garotinhos arredios no primeiro
contato. Quase não fala, ainda, mas agita. Depois vai se soltando, soltando, aos
poucos, abrindo aquele sorriso inocente que só as crianças sabem e, depois de
alguns minutos, já éramos como velhos amigos, apesar dele ter apenas 2 anos de
idade. Nós nos conhecemos na semana passada, no Hemoam, enquanto esperávamos
nossa vez de fazer a quimioterapia.
Quem o vê de longe, brincando e correndo como
qualquer criança custa a acreditar nas dificuldades que ele já superou em tão
pouco tempo de vida. Há 8 meses, com pouco mais de 1 ano de idade, Alessandro
passou por uma cirurgia para extirpar um tumor cerebral que acabou
comprometendo seu olho direito, e agora faz sessões de quimioterapia. Ele
estava acompanhado de sua mãe, que nos contou sua incrível história.
Só nos resta torcer para que as novas drogas como
estas que estão sendo testadas revelem sua efetividade e venham a ser aprovadas
o mais breve possível pelos órgãos de controle, e que os custos não sejam
proibitivos.
De qualquer maneira o pequeno Alessandro já é um
vencedor!

