Pacientes de câncer
que investigam por conta própria suas opções de tratamento têm três vezes mais
chances de se atualizar - e mesmo ter acesso às mais novas drogas e terapias disponíveis
- que aqueles que não se dedicam a pesquisas que levem a uma melhor compreensão
sobre a sua condição, de acordo com um estudo efetivado pela Dana-Farber Cancer Institute, com a
participação de 633 pessoas com tumores colorretais.
Pacientes que
procuram informação pela Internet, jornais e revistas têm mais possibilidade,
por exemplo, de já terem ouvido falar de “terapias-alvo”, “anticorpos
monoclonais” e de drogas modernas como “Rituximab”, vendido como Mabthera, "cetuximab”,
vendido como Erbitux, e “bevacizumab”, vendido como Avastin. Mas, dentre estes
pacientes, aqueles que buscam uma segunda opinião médica como parte de suas
pesquisas são os que mais provavelmente poderão se beneficiar pela prescrição
destas drogas e terapias, diz o estudo conduzido em Boston e publicado recentemente.
Mas, como sempre,
existem outros aspectos a serem considerados. A FDA, agência que controla a
utilização dos fármacos nos EUA, aprovou o uso do Erbitux e do Avastin, em
2004, apenas
para os casos de doença avançada, que se tenha espalhado. Estas drogas não
curam o câncer, mas controlam o crescimento do tumor, aumentando assim a
sobrevida. Uma a cada quatro pessoas que tomam
estas drogas nos EUA estão com o câncer em estágio inicial, um uso não
aprovado. Os autores apontam que o consumo de drogas off-label é comum no tratamento do câncer no mundo todo.
Os pacientes que
procuram novas drogas contra o câncer podem se beneficiar, dizem os autores,
mas também podem sofrer os efeitos secundários e colaterais. O Avastin aumenta
o risco de derrames, ataques cardíacos e coágulos sanguíneos sérios (vide post anterior). O Erbitux pode causar
erupções cutâneas desfigurantes.
A pesquisadora Lisa
Schwartz, da Dartmouth Medical School,
que não esteve envolvida no estudo, diz que as coberturas de seguro saúde também
podem ter afetado a decisão e o acesso dos pacientes que recebem terapias-alvo,
as quais custam milhares de dólares por mês.



