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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

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Sites oferecem serviço para lidar com perfis e senhas em caso de morte


Na era em que a internet se tornou uma presença inevitável no dia-a-dia de todos, sites estão oferecendo serviços para lidar com a vida cibernética após o encerramento da material. A atenção que têm gerado mensagens póstumas como a do blogueiro canadense Derek Miller, que morreu no mês de maio, ilustra uma tendência de se cuidar da vida online tanto quanto da física, após a morte. Para isso, as opções existentes vão das mais práticas às mais sofisticadas. Entre as primeiras está o site Legacy Locker, que se propõe a funcionar como uma espécie de "cofre digital".
O serviço consiste em guardar toda e qualquer informação digital como nomes de usuários e senhas de acesso para qualquer site ou conta de email, e repassá-la para as pessoas indicadas quando o cliente partir.
É possível manter mensagens de despedidas que são enviadas aos respectivos destinatários conforme as instruções deixadas em vida. No futuro, esse serviço poderá ser feito também através de vídeo.
Outro site cuja proposta segue a mesma linha é o Death Switch, que envia emails automáticos para os usuários confirmarem que eles estão vivos. Se as mensagens forem repetidamente ignoradas ao longo de determinado tempo, o programa pressupõe que o cliente está morto, e dispara os email com textos, dados e arquivos anexados para os endereços indicados. "Não morra com segredos que precisam ser liberados", diz o site.
Já o Intellitar possibilita que o cliente crie uma espécie de avatar com base em uma fotografia real, ao qual a companhia atribui uma voz e acrescenta animações e efeitos. Outras pessoas podem "entrar em contato" com o avatar para bater um papo através de um chat no site.
Últimas palavras
Os serviços são uma versão sofisticada de uma prática que já está se tornando comum na era online, de oferecer na vida cibernética um encerramento mais suave para o fim material. Em outros casos recentes, indivíduos com o prospecto de uma morte em breve se encarregaram de providenciar o próprio ato final em posts que foram publicados por amigos ou parceiros.

Um caso recente foi o do blogueiro Derek Miller, que morreu no início de maio em consequência de uma metástase do câncer colorretal do qual sofria. O último texto dele, Last Post, atraiu 8 milhões de usuários ao site PenMachine.
Derek usava o site para relatar sua dolorosa experiência, entre pinceladas de trivialidade, como o seu gosto por Diet Cherry Coke e a ceia de Páscoa.
Na Austrália, um caso que chamou atenção foi o de Jessica Horton, que mantinha o site Dying for Beginners (algo como "A morte para iniciantes", em tradução livre).
No seu último post, publicado por seu marido Jason, a jovem de 24 anos se disse feliz com a vida que levara até então e agradeceu pessoalmente a diversos amigos e parentes pela companhia e o amor que lhe dedicaram.
"Fui feliz ao longo de toda a minha vida. Lembrem-se, a felicidade é uma jornada, não é um destino", escreveu.
"Quando estiverem velando por mim, por favor também celebrem minha vida - o milagre que foi uma vida de amor e felicidade."
Tanto no caso de Derek quanto de Jessica, a decisão da família foi manter os sites no ar como uma espécie de homenagem à vida dos seus entes queridos.
"Respeitamos os desejos dela", disse a mãe de Jessica, Julia Whitby, ao jornal local Sydney Morning Herald.
"Gosto de saber que ela está por aí. Sei que ela gostaria. Ela adorava escrever e se estivesse viva, tenho certeza de que seria escritora."
Fonte aqui.
Ilustração traduzida do GoogleImages 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

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Informática sem critério pode até piorar compreensão do câncer e de seu tratamento

Os pesquisadores avaliaram mais de 800 reportagens sobre questões relacionadas ao câncer, que vão desde a prevenção ao diagnóstico e tratamento. Os artigos foram encontrados no Google News, notícias Yahoo, CNN.com e MSNBC.com.

Uma nova pesquisa da North Carolina State University mostra que as notícias on-line sobre o câncer têm uma probabilidade muito grande de conter uma linguagem que provavelmente contribua para aumentar a incerteza do público sobre a doença - uma descoberta significativa, dado que pelo menos um terço dos norte-americanos, por exemplo, procuram informações on-line de saúde. Sobre nós, brasileiros, não conheço nenhum trabalho desta natureza que tenha sido publicado. Mas acho que o comportamento é proporcionalmente muito parecido.

Estudos anteriores mostram que mais de 100 milhões de americanos buscam informações de saúde on-line e que os resultados destas buscas podem afetar suas decisões futuras sobre tratamentos de saúde a seguir. Mas, enquanto as pessoas que buscam dirimir dúvidas ou expandir seus conhecimentos sobre questões relacionadas ao câncer são propensas a buscar informação adicional, a pesquisa revela que existem características na forma da informação veiculada que se está procurando que podem realmente exacerbar a incerteza.

A pesquisa mostrou que quase dois terços dos artigos de notícias sobre o câncer contêm pelo menos alguns termos incertos - palavras ou frases que refletem uma probabilidade ou uma ambiguidade, em vez de uma certeza. Os pesquisadores avaliaram mais de 800 reportagens sobre questões relacionadas ao câncer, que vão desde a prevenção ao diagnóstico e tratamento. Os artigos foram encontrados no Google News, notícias Yahoo, CNN.com e MSNBC.com.

Especificamente, os pesquisadores descobriram que os termos, na maioria das vezes, são empregados de maneira incerta em referência ao tratamento de câncer. Se o que se está tentando encontrar é clareza sobre as opções de tratamento do câncer, a leitura dos artigos das notícias on-line podem realmente confundir a questão ainda mais. Por exemplo, uma das reportagens afirma: Não há evidência de que a adoção da quimioterapia imediatamente ajude, e pode até piorar as chances dos pacientes. Segundo os pesquisadores, esta frase cria incerteza para os leitores, porque indica uma falta de informação (sem provas) bem como a ambigüidade sobre a eficácia do tratamento (pode até piorar).

Para medir o uso de termos inequívocos, os pesquisadores desenvolveram um sistema que identifica cinco "funções de mensagens" específicas, que estão teoricamente relacionadas à incerteza. Essas funções são: informações conflitantes, informações complexas, informações ambíguas, muita informação e pouca informação. Os pesquisadores avaliaram o conjunto de notícias sobre o câncer amostradas para determinar a medida em que cada uma delas incluía uma ou mais das características de mensagem de incerteza.

domingo, 12 de setembro de 2010

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Pacientes de câncer que pesquisam têm acesso a melhor tratamento

Pacientes de câncer que investigam por conta própria suas opções de tratamento têm três vezes mais chances de se atualizar - e mesmo ter acesso às mais novas drogas e terapias disponíveis - que aqueles que não se dedicam a pesquisas que levem a uma melhor compreensão sobre a sua condição, de acordo com um estudo efetivado pela Dana-Farber Cancer Institute, com a participação de 633 pessoas com tumores colorretais.
Pacientes que procuram informação pela Internet, jornais e revistas têm mais possibilidade, por exemplo, de já terem ouvido falar de “terapias-alvo”, “anticorpos monoclonais” e de drogas modernas como “Rituximab”, vendido como Mabthera, "cetuximab”, vendido como Erbitux, e “bevacizumab”, vendido como Avastin. Mas, dentre estes pacientes, aqueles que buscam uma segunda opinião médica como parte de suas pesquisas são os que mais provavelmente poderão se beneficiar pela prescrição destas drogas e terapias, diz o estudo conduzido em Boston e publicado recentemente.
Mas, como sempre, existem outros aspectos a serem considerados. A FDA, agência que controla a utilização dos fármacos nos EUA, aprovou o uso do Erbitux e do Avastin, em 2004, apenas para os casos de doença avançada, que se tenha espalhado. Estas drogas não curam o câncer, mas controlam o crescimento do tumor, aumentando assim a sobrevida. Uma a cada quatro pessoas que tomam estas drogas nos EUA estão com o câncer em estágio inicial, um uso não aprovado. Os autores apontam que o consumo de drogas off-label é comum no tratamento do câncer no mundo todo.
Os pacientes que procuram novas drogas contra o câncer podem se beneficiar, dizem os autores, mas também podem sofrer os efeitos secundários e colaterais. O Avastin aumenta o risco de derrames, ataques cardíacos e coágulos sanguíneos sérios (vide post anterior). O Erbitux pode causar erupções cutâneas desfigurantes.
A pesquisadora Lisa Schwartz, da Dartmouth Medical School, que não esteve envolvida no estudo, diz que as coberturas de seguro saúde também podem ter afetado a decisão e o acesso dos pacientes que recebem terapias-alvo, as quais custam milhares de dólares por mês.