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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

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Saúde do brasileiro – quem paga a conta?


O IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística - divulgou em dezembro de 2009 os dados referentes à composição dos custos da saúde pública no Brasil. De acordo com os dados, as despesas da família brasileira neste item chegaram a 3,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2007. E isso corresponde apenas a consultas e exames realizados em ambientes clínicos e ambulatoriais, não incluídas aí as despesas com remédios. Os planos privados de saúde custaram 0,4 % do PIB daquele ano e os gastos com atendimentos hospitalares e médicos alcançaram 1% do PIB.
Aplicando uma aritmética simples sobre os dados revelados pelo IBGE, pra nossa perplexidade, constatamos que a cada R$ 100,00 gastos em saúde no País, o poder público, o Estado Brasileiro arca com apenas R$ 41,59 e os Planos de Saúde Privados com R$ 1,02, cabendo ao cidadão brasileiro o maior ônus, ou seja, R$ 57,39 em despesas com tratamentos de saúde. Se não fosse dramático eu cantaria a velha canção de Ari Barroso “Brasiiil, meu Brasil brasileeeiro, vou cantar-te nos meus veeeersos”.
Os resultados de uma pesquisa feita pela GfK Brasil para mensurar a satisfação da população em relação aos serviços públicos de saúde, em fevereiro de 2010, apontam que 68% dos usuários deste serviço público deram notas de 0 a 5, numa escala de 0 a 10. A média geral alcançada pelo serviço foi 4,22, o que demonstra a grande insatisfação por parte dos usuários. Cerca de 21% desta fatia dos entrevistados deram nota zero ao serviço público.
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE - organização internacional que congrega os países mais desenvolvidos economicamente e com um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), nestes países esses números são muito diferentes, pois lá o estado responde em média por 72% dos gastos com saúde e as famílias com apenas 28%.
Quem não tem um seguro saúde particular e não pode esperar pelo atendimento demorado do SUS, depara-se com outra realidade: apenas com os serviços de médicos particulares as famílias gastaram 1,7 % do PIB, algo como 10 vezes o valor que o governo pagou pelos remédios que distribuiu gratuitamente.
A distribuição gratuita de medicamentos pelo SUS limita-se aos remédios básicos, utilizados nas Unidades Básicas de Saúde no tratamento das doenças de uso contínuo e de alto custo. No tratamento do diabetes estão excluídos os análogos de Insulina e medicamentos orais, mais eficazes e mais modernos.
E o que causa maior indignação ainda é que sabemos que estes cerca de 2,5 bilhões de reais pagos à indústria farmacêutica saíram dos nossos bolsos, pois são provenientes dos impostos que pagamos e que estão embutidos também no preço dos medicamentos. Alias, apenas sobre os medicamentos foram arrecadados ano passado algo em torno de 9 bilhões.
A insuficiência da rede pública leva o Estado a conveniar a rede privada, custeando o atendimento privado com verbas do SUS. Proliferam os hospitais e casas de saúde criadas tão somente para abocanhar as verbas públicas. Seus profissionais nem sempre têm formação e tem sido comum a contratação de indivíduos que jamais ingressaram numa faculdade de medicina.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – é um órgão de controle sobre os medicamentos com centenas de outras atribuições. Drogas de tecnologia de ponta, da biotecnologia, modernas, que já foram aprovadas e estão em uso por vezes há anos na Europa, no Japão e nos EUA tem sua aprovação emperrada no Brasil, pela burocracia e pela inépcia.
A situação, historicamente já esteve pior. Mas os dados revelados pelo IBGE, quando analisados e comparados com outras realidades, de outros países, não dão margens a dúvidas de que falta planejamento e racionalidade quando se trata de gastar recurso público com saúde no Brasil, impondo-se, assim, ao cidadão, um custo muito elevado, um custo que não é apenas econômico-financeiro, mas, sobretudo, social.
Fonte: IBGE
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A indústria farmacêutica vai bater de frente com o governo para evitar a adoção, a partir de janeiro de 2011, do selo de segurança nos remédios, cujo custo será de R$ 400 milhões ao ano. Este aumento, estimado entre 6% e 10%, deverá ser repassado para a conta do consumidor brasileiro. O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) vai ingressar até semana que vem com uma ação judicial para tentar barrar a Instrução Normativa 11, da Anvisa, de 3 de novembro, que formaliza a adoção "etiqueta auto-adesiva de segurança" em mais de 4 bilhões de embalagens.
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sábado, 1 de maio de 2010

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INCA: Câncer de colo de útero mata mais mulheres no Norte.

Proporção na região Norte é de 15,7% enquanto no resto do país é de 6,6%.

As mulheres da região Norte do país são as que mais morrem em decorrência do câncer de colo de útero, doença que está associada ao HPV (Papilomavírus). De acordo com informação do Inca (Instituto Nacional do Câncer), a região é a única no país onde o câncer de colo mata mais que o de mama.

As informações foram apresentadas nesta sexta-feira (30), durante o Simpósio Internacional de Pesquisa em HPV, na capital fluminense, pela gerente da Divisão de Apoio à Rede de Detecção Oncológica do Inca, Ana Ramalho. A médica lembrou que embora o câncer de útero seja o segundo em causa de morte, é facilmente identificado e pode ser tratado a tempo.

Enquanto no país 6,6% das mortes são causadas por câncer de colo, a proporção na região Norte é de 15,7%. O risco de morrer por câncer de colo na região Norte, ressalta a médica - que fez um cálculo considerando a idade e a população de mulheres nas regiões -, é 2,5 vezes maior que no Sudeste. No Sul, o câncer de colo é a sexta causa de morte por câncer.

De acordo com a gerente do Inca, a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, em razão das distâncias na região e das desigualdades econômicas, é um problema a ser enfrentado, junto com a ampliação do Programa Saúde da Família, cuja cobertura é inferior a 50% na região.

Por meio das equipes médicas que visitam as famílias, o PSF pode influenciar na realização dos exames preventivos, como o Papanicolau, que identificam lesões antes delas virarem tumores que podem provocar o câncer. O Inca estima que 18.430 novos casos de câncer de útero serão identificados neste ano

A meta do Ministério da Saúde é que 80% das mulheres em idade de risco (entre 25 e 59 anos) façam o exame preventivo. Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o objetivo tem sido cumprido: em 2008, 87,1% das mulheres tinham feito o exame, sendo que apenas no Nordeste a taxa era inferior a 80%, de 78,1%.

Os especialistas, no entanto, questionam os dados ao avaliar que muitas mulheres não sabem o que é um preventivo e podem ter se enganado ao responder a pergunta do IBGE. De acordo com o vice-diretor de Ensino do Instituto Fernandes Figueira, Fabio Russomano, na pesquisa sobre o HPV, os dados mostram que são sempre as mulheres que fazem os exames.
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