O procedimento nem é
tão novo, mas é quase milagroso e passa a ser aos poucos acessível pelo SUS. A
denominação técnica é “radioterapia estereotáxica extra-crânio” (SDRT, na sigla
em inglês). Feixes finos e precisos de radiação elevada provocam a necrose das
células tumorais. Três sessões de pouco mais de uma hora, aplicadas com
intervalos de dois dias, são suficientes para destruir o câncer de pulmão, a
neoplasia que mais mata no Brasil e no mundo, segundo o Instituto Nacional do
Câncer (Inca). O Hospital Israelita Albert Einstein também começou a aplicar a
radiocirurgia contra tumores de pulmão, mas ainda não existe uma tabela de
valores, segundo o radio-oncologista Eduardo Weltman. O Hospital do Câncer de
Barretos passou a realizar o procedimento contra o câncer cerebral, disponível
aos pacientes do SUS apenas em poucos centros médicos do País. “É uma
tecnologia que existe há anos, mas como fácil acesso ao paciente do SUS podemos
dizer que é inovador”, afirma o coordenador de radiologia Hospital de Câncer
Barretos, Marcos Duarte de Mattos.
Eliminar tumores de
pulmão sem nenhum corte ou dor para o paciente já virou realidade no Instituto
de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A tecnologia, inédita no Sistema
Único de Saúde (SUS), foi testada com sucesso ao longo deste ano em sete
pessoas e, agora, é aplicada em indivíduos com contraindicação para a cirurgia
tradicional, considerada um procedimento delicado, de recuperação dolorosa.
As sessões de
radiocirurgia não provocam dor e o paciente pode sair direto para suas
atividades cotidianas. Por enquanto, a técnica só é indicada para pacientes que
não têm condições de passar por uma cirurgia tradicional, de acordo com o
protocolo adotado internacionalmente para esse tipo de tratamento. Além disso,
o tumor deve ter até 5 centímetros de diâmetro e estar afastado de regiões
vitais, como o coração.
Enquanto a
radioterapia convencional fraciona a radiação e oferece um tempo para o tecido
saudável se recuperar, a nova técnica extermina o tecido atingido. “É como se
fosse um tiro de bazuca no tumor”, diz o médico Rafael Gadia, radioterapeuta do
Icesp. Daí a importância de que o tiro seja certeiro, o que só é possível
graças às novas tecnologias. Uma desvantagem apontada pelo profissional é a
impossibilidade de fazer uma análise detalhada sobre o tumor, já que suas
células são completamente destruídas.
Os médicos de
Barretos esperam tratar ate três pacientes por dia. Dezessete profissionais,
entre médicos e físicos, participaram da primeira radiocirurgia na cidade,
realizada no último dia 13, incluindo dois especialistas do hospital Albert
Einstein.
A radiocirurgia não
elimina a necessidade de quimioterapia e a radioterapia, mas apresenta as
vantagens de não ser invasiva, ou seja, o paciente não sofre cortes nem
incisões, e de conseguir chegar a áreas de difícil acesso, que seriam muito
mais arriscadas em uma cirurgia convencional.
“É um procedimento
com custo, riscos e incômodos menores para o paciente”, afirma o médico Eduardo
Weltman, presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia.



