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terça-feira, 12 de outubro de 2010

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Um ano de linfoma

Este bloguinho hoje, dia 12 de outubro de 2010, Dia da Criança, completa seu primeiro ano de vida. Ele tem quase o mesmo tempo que o meu diagnóstico.
Tenho me surpreendido quase diariamente com o seu crescimento, no número de acessos, (mais de 22.000, com uma média de 100 acessos diários) e no quadro de seguidores. Espero sinceramente ao longo deste período ter podido prestar um serviço de utilidade àqueles que buscam se atualizar empiricamente no campo das pesquisas oncológicas. Espero também ter levado alguma palavra que possa ter representado conforto, estímulo, um alento para quem luta contra esta doença insidiosa. No que me concerne, ele tem sido pra mim uma forma de terapia ocupacional onde comecei, desde o início, a dissipar a angústia, a tristeza e a depressão de ter que lidar de uma hora para a outra com uma mudança radical na minha vida e na minha forma de encarar o mundo.
Vamos ver se temos gás pra mais um ano. Agradeço a todos os que me tem ajudado nesse trabalho, principalmente à minha querida filha, Thati, e esposa, Sandrinha.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

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Escrito por Anitha: O perdão


A internet tem dessas coisas. A gente conhece uma pessoa sem a necessidade de sua presença física. Seus pensamentos, suas palavras, sua visão de mundo. Mas, afinal, são esses os atributos humanos que sempre mais prezei. Hoje tenho a honra de inaugurar mais um link aqui:
“A DE ANITHA”
Foi assim que eu a conheci, perambulando pela internet. Fiquei um tempão aprisionado no seu blog pela força, pela sinceridade e pela beleza de suas palavras. Com o tempo nos tornamos amigos, tenho a pretensão. Ela não é de escrever assiduamente, mas, quando o faz, inspira-se o perfume suave e persistente, a gente sente que vem de dentro de um ser humano dotado de uma generosidade e de uma sabedoria que nos enchem de gratidão, apenas encontradas nas pessoas que não têm medo da vida e têm prazer em compartilhá-la. Prosa, poesia pura e sem o pudicismo típico dos que temem se doar. Obrigado, Anitha, Deus te abençoe.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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Frases de efeito (colateral)

Tenho observado no cotidiano de alguns dos blogs que acompanho, onde seus autores passam ou passaram por situações difíceis diante de doenças graves, que a espontaneidade que brota dessas crônicas, independente dos recursos estilísticos do autor, é muito eficiente em produzir belos efeitos estéticos, abrangentes e duradouros. Soando como alertas, despertando emoções variadas e sentimentos de empatia que estabelecem uma relação de identidade entre quem lê e quem escreve, pode levar à formação de redes de solidariedade, de troca de informações úteis e de experiências. Figure ou não esse “efeito” de forma consciente entre os objetivos de quem escreve.

As palavras são promíscuas e mutantes poderosas. Salvo algumas poucas restrições de gênero, número e grau, elas podem se associar livre e inconseqüentemente para multiplicar seus efeitos. Tenho a presunção de figurar entre seus incontáveis e anônimos amantes traídos. E, como quase todo amante, bom ou não, preocupo-me com seu domínio, seu poder de transformação sobre mim, sobre a sociedade e sobre tudo o que se move. Frias, calculistas; espontâneas, simples, observo-lhes o comportamento individual e coletivo, quando se deixam manipular frivolamente por principiantes ou experientes para formar frases.

Tem também as questões formais, essas coisas de estilo, elegância e tal. Isso, evidentemente, importa para seres, como nós, que acumulamos milênios de civilização.

Mas esse arranjo milimétrico, de precisão quase cirúrgica, inspirado ou não seria preocupação mais afeta aos profissionais, aos estilistas, aos literatos, aos escribas e às suas motivações do espírito ou racionalismo utilitarista. Vargas Llosa, Dostoievsky, Suassuna, Garcia Márquez, Zola, e vai por aí...

Afinal, escrever e publicar posts em um blog de visibilidade mundial supõe a necessidade de relação, empatia, interação visando algum “efeito”, ou retorno, feedback sobre o compartilhar de experiências pessoais, sentimentos ou o que se pensa e se plasma em palavras num dado instante. Portanto, todas as frases, originais ou vulgares são de efeito ou tem potencial de produzir efeito, depende mais de quem as lê, do contexto sociológico, cultural e do efeito almejado. É principalmente por isso que os comentários são tão esperados.

blog_magaphoneDe resto, aos ingênuos que julgam deter alguma forma de exclusividade em sua relação com as palavras, diria que todas as frases são feitas, pois sua matéria prima, as palavras, apesar de todo o seu voluntariado original e significância implícita, ainda não desenvolveram a fantástica capacidade de livre auto-associação. Elas precisam sempre de alguém que as articule, manipule, conjugue.

E para constatarmos tudo isso, basta que leiamos mais, muito mais do que temos lido até aqui, e que, mesmo assim, continuemos a ser humildes ou, por causa disso, passemos a sê-lo.

De outra forma, palavras seriam palavras, nada mais que palavras (olha só que efeitão!) e escrever seria simplesmente um mero exercício solitário, masturbatório, infrutífero.

Tenho recebido dos blogueiros amigos uma carga poderosa de frases de efeitos colaterais, elas são sempre bem-vindas.

Ou então voltemos aos diários de debaixo de travesseiro das mocinhas do início do século passado.